Crítica — por José Marmeleira
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Na Galeria Zé dos Bois, com curadoria de João Maria Gusmão e Natxo Checa, Gonçalo Pena dá-nos a ver o estado em que se encontra a sua pintura. Isto é, o estado da sua relação com a pintura e com aquilo que lhe é exterior: a história, nomeadamente a do século XX, de outras artes, da imagem em movimento, das condições da modernidade. Há muito que a arte de Gonçalo Pena se encontra num devir constante. É verdade que o mesmo se poderia dizer de outros artistas, mas este é um devir convulso, exposto.
Crítica — por Sérgio Fazenda Rodrigues
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A exposição que Fernanda Fragateiro apresenta na Galeria Filomena Soares dá-nos a ver um conjunto de esculturas de média e grande dimensão, dispostas na sala principal deste espaço. Adoptando como título a frase “Monotony is nice” que Charlotte Posenenske proferiu em relação à uniformidade de uma paisagem plana, a exposição apoia-se na pesquisa que Fragateiro tem vindo a desenvolver sobre o trabalho de várias artistas e no modo como estas assumiram uma reação contra o sistema artístico, político e social onde surgiram.
Crítica — por Cristina Sanchez-Kozyreva
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As esculturas de Belén Uriel são construções intrigantes. Feitas de materiais orgânicos como polpa de papel, vidro e bronze, a artista nascida em Madrid cria réplicas estranhas e fragmentadas de objectos do quotidiano, como cestos, pequenos colchões insufláveis ou mochilas, que possuem várias marcas de interacção humana. As formas criadas pela artista conservam algumas características dos modelos originais, mas são também objecto de uma grande transformação pelas suas mãos. “São na verdade objectos muito básicos de consumo. Não tenho assim tanta imaginação”, diz Uriel com um sorriso, “Uso coisas que existem e que utilizamos em sociedade.
Artigo
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A exposição individual de Pedro Barateiro para a Casa da Cerca tem como ponto de partida a obra "My body, this paper, this fire" 2020, vídeo produzido a partir do texto e performance com o mesmo nome. O vídeo começa com uma descrição e imagens da manifestação contra o aumento das propinas de 24 de novembro 1994. A manifestação, uma das mais violentas depois do fim do regime fascista, marcou de forma incontornável a geração que a partir desse momento passou a ser chamada de “geração à rasca”. O filme parte deste evento para pensar em formas de entretenimento que se estabeleceram nos anos 1990.
Entrevista — por Isabel Carlos
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Apesar de, ao longo do meu percurso, se terem acentuado muito os aspectos do modernismo, da arquitectura, do africano, a verdade é que sempre houve uma negociação entre as formas, as imagens, as composições. Há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo e agora sinto-me à vontade para ir buscar fios de uma meada que podem e devem ser explorados, que por razões diversas ficaram por florescer e, apesar de terem ficado adormecidos há 25-30 anos, são meus e são muito reais. Sinto-me, portanto, no direito de voltar a eles, de reabilitá-los, de lhes dar continuidade.
Crítica — por Cristina Sanchez-Kozyreva
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Em "A Interpretação dos Sonhos", publicado em 1899, Sigmund Freud defende que o estudo dos sonhos oferece uma ferramenta eficaz para o desmontar das actividades inconscientes da mente. Sugere que tomemos notas de tudo aquilo de que nos lembramos, sem qualquer julgamento imediato, confiando apenas na propensão humana, natural e criativa, para a associação de ideias e descrições. Ao fazê-lo, somos capazes de revelar até os mais estranhos fragmentos narrativos. Com efeito, é apenas o sonhador a única pessoa que se pode aproximar de uma interpretação.
Crítica — por Cristina Sanchez-Kozyreva
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Na noite de 31 de Outubro celebra-se o Halloween e também o dia de aniversário da artista baseada em São Paulo Yuli Yamagata. Para a sua primeira exposição na Madragoa em Lisboa, intitulada BRUXA (patente até 31 de Outubro), Yamagata encheu a galeria de personagens dramáticas e adereços de bruxas, como se fosse uma explosão de guloseimas. A ideia de bruxaria é muitas vezes abordada como se se tratasse de crenças infantis ou ideologia cultural. Nesta última acepção, pode ser uma forma de descrever as adversidades da vida ao atribuí-las a pessoas ou seres ocultos que não são bem-vindos para uma determinada comunidade (especialmente no caso de bruxas, as mulheres eram historicamente o alvo).
Crítica — por José Marmeleira
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Na Fundação Carmona e Costa, Nuno Sousa Vieira perscruta as relações entre o céu e a terra, sublimando algumas das interrogações e tensões que têm guiado o seu trabalho. Concebendo a visão enquanto relação entre o ver e o interpretar e introduzindo o espectador enquanto sujeito que se vê e vê. Entre o não visível e o visível. Talvez se possa dizer que "Linha Funda" de Nuno Sousa Vieira, com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, é uma exposição que expande de um modo inédito os tópos conceptuais e estéticos de Nuno Sousa Vieira.
Crítica — por Susana Ventura
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"Come to Dust" é a segunda exposição individual de Karlos Gil na Galeria Francisco Fino, em Lisboa, três anos após "Phantom Limbs", a qual surge, ainda, evocada numa escultura de chão em polímero sintético intitulada "Phantom Limbs (Body)", cujos módulos podem formar composições distintas e nos quais as diferentes depressões se assemelham a moldes de próteses, talvez das que vemos tomar vida na peça central da exposição, o vídeo "Uncanny Valley", que delimita dois espaços muito distintos na galeria.
Crítica — por David Silva Revés
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Seremos de facto patos que querem ser cavalos? Por um lado, colocar a pergunta, ou fazer a afirmação, implicaria, desde logo, pressupor uma qualificação dissimétrica entre estes dois seres. Com prejuízo para o pato, este ocuparia uma posição inferior na hierarquia humana das ontologias animais. Contudo, há que não esquecer — e é esse o outro lado — que qualquer decalque classificatório ou valorativo dirá muito mais sobre aquele que classifica do que sobre aquilo que é classificado.
Artigo — por Alberta Romano
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It’s a date é uma nova rubrica da Contemporânea da autoria de Alberta Romano, dedicada a visitas a ateliês de artistas de Lisboa e de todo o mundo, tanto físicas como online. Episódio 1: Fernão Cruz. Um céu cor de chumbo pesa sobre Lisboa, mas não deverá chover, pelo menos não para já. O ateliê de Fernão Cruz não é longe da minha casa, por isso decido ir a pé. Aproveito a oportunidade para ouvir um novo podcast que um amigo próximo me sugeriu, Réclame de Chiara Galeazzi e Tania Loschi (por enquanto apenas em italiano, infelizmente).
Crítica — por Isabel Nogueira
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O som é dos elementos mais importantes num ambiente em que permaneçamos ou em que simplesmente circulemos, podendo constituir uma fonte tanto de profundo prazer como de total desconforto e reactividade. Por vezes, trata-se de um fenómeno subtil, até imperceptível, mas que está lá e que, a seu modo, nos entra no corpo, às vezes de modo visceral, e que, para o bem e para o mal, imprime uma marca. Nas cidades de maior dimensão, como Lisboa, o silêncio pode ser raro e valioso.
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