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Pedro Barateiro: O meu corpo, este papel, este fogo 

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A exposição individual de Pedro Barateiro para a Casa da Cerca, comissariada por Elfi Turpin e Filipa Oliveira, reúne um conjunto de obras do artista em torno das questões mais centrais na sua obra.

A exposição tem como ponto de partida a obra My body, this paper, this fire (O meu corpo, este papel, este fogo), 2020, vídeo produzido a partir do texto e performance com o mesmo nome. O vídeo começa com uma descrição e imagens da manifestação contra o aumento das propinas de 24 de novembro 1994. A manifestação, uma das mais violentas depois do fim do regime fascista, marcou de forma incontornável a geração que a partir desse momento passou a ser chamada de “geração à rasca”.

O filme parte deste evento para pensar em formas de entretenimento que se estabeleceram nos anos 1990 como os festivais de Verão; mas também formas de controlo, como drogas legais que tratam ansiedade e depressão, sintomas de uma crescente abstração de uma população exposta ao neoliberalismo mais selvagem.

A obra será apresentada na exposição de forma particular, estando dentro da Casa da Cerca mas fora do espaço expositivo, e em vários plataformas digitais.

O trabalho de Pedro Barateiro desenvolve-se através de um processo de criação e apropriação de imagens, materiais e referências, de forma a criar uma outra linguagem. A sua obra multifacetada tem como ponto de partida o exercício do desenho e da escrita, e aquilo que acontece no embate de ambos. Trata-se de uma luta entre aquilo que conseguimos definir e compreender por um lado, e por outro, aquilo que é inominável, indefinível, e muitas vezes incompreensível. É a partir desse confronto que o artista questiona e tenta desconstruir o pensamento binário ocidental, que a ciência e o desenvolvimento científico tentaram impor em todo o mundo através de um sistema financeiro desigual, no qual a produção de capital é o fator de destruição das condições de vida e permanência no nosso ecossistema. Para o artista é necessário pensar e apresentar formas de descolonizar e desprogramar a nossa imaginação, para que se possam gerar alternativas e novos circuitos de criação.

A exposição começa com a peça Pensar em Voz Alta (2006) que inaugura, podemos dizê-lo, um corpo de trabalho que se desenvolve a partir do desenho, do texto e do registo da imagem em vídeo, para criar uma narrativa não linear sobre a condição e a prática artística e  o resto das acções humanas.

Na exposição são apresentados um conjunto de elementos escultóricos da obra A Viagem Invertida (2019) e novas esculturas que continuam uma reflexão sobre a exploração e o extrativismo material (minérios) e imaterial (data mining). A exposição apresenta ainda uma nova escultura, que vem no seguimento de uma série que Barateiro tem vindo a desenvolver desde 2010, em que os elementos principais são uma mesa metal e um conjunto de lápis. Esta será ainda a oportunidade para ver um conjunto de desenhos inéditos, parte de uma prática constante na obra de Pedro Barateiro, mas que o artista não mostra com frequência.

A exposição O meu corpo, este papel, este fogo é a primeira individual que o artista apresenta na cidade onde nasceu. A Casa da Cerca sempre foi uma referência na construção da subjectividade do artista desde muito jovem, e será uma oportunidade única para olhar para a obra do artista neste contexto.

A exposição é uma parceria com CRAC Alsace, em França.

 

Casa da Cerca

CRAC Alsace

Pedro Barateiro (Almada, 1979) vive e trabalha em Lisboa. Exposições individuais em diversas instituições nacionais e internacionais como Kunsthalle Basel, Museu de Serralves, Kunsthalle Lissabon, REDCAT, Museu Coleção Berardo. Participou em exposições coletivas como a 13ª Sharjah Biennial, 29ª Bienal de São Paulo, 16ª Bienal de Sidney, 5ª Bienal de Berlim entre muitas outras. As suas performances foram apresentadas no Centre Pompidou (Paris), 98Weeks (Beirute), ZHdK (Zurique), Teatro Rivoli (Porto), Théâtre de la Ville, ENSBA e Fondation Ricard (Paris), Teatro D. Maria II, Teatro São Luiz e Teatro Praga (Lisboa), SESC Pompéia, Centro Cultural São Paulo e na Galeria Vermelho (São Paulo). Barateiro organiza eventos e exposições no espaço Spirit Shop iniciado por si e anexo ao seu atelier na Rua da Madalena, em Lisboa.

 

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