Ed. 09 / 2018
Crítica — por Isabella Lenzi
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Em “Um cão com uma cauda notável”, exposição de João Maria Gusmão + Pedro Paiva, encontramos o que permaneceu, fossilizado e decomposto, de outro tempo e de outro lugar, de um ambiente pré-histórico, lunar ou de sonho. Com humor, absurdo e algum truque de magia, a mostra inaugurada no início de agosto no galpão da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, em São Paulo, transporta-nos, — como disse Chico Buarque — aos “vestígios de uma estranha civilização”.
Crítica — por Sara De Chiara
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A exposição concebida por Runo Lagomarsino para a Galeria Avenida da Índia envolve o espectador num espaço suspenso, cruzado por uma intersecção de rotas que formam o mapa intricado do que se poderia chamar de Odisseia, vista a partir de um ângulo pessoal e invulgar, que se estende a uma escala global e compreende séculos de viagem, navegação e exploração. Estas são as rotas que determinaram o mundo presente tal como o conhecemos: da posição central ocupada pela Europa na representação do globo à supremacia ocidental, da polarização Norte-Sul ao paradigma centro-periferia.
Artigo — por João Seguro
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A tradição diz-nos que há apenas uma forma de percorrer um labirinto, mas muitas outras de o usar. Estudos do Labirinto, um projecto curatorial de Cláudia Ramos inclui quatro momentos expositivos e pretende ativar a nossa habilidade na utilização performativa da figura do labirinto enquanto modelo de contemplação — da ação física necessária a percorrer os espaços pelos quais o projeto se reparte — e de percepção. Tendo como ponto de partida o livro Estudos do Labirinto de Károly Kerényi, este projeto conta com a participação de Armanda Duarte e Nuno Vicente; Francisco Tropa e Teresa Carepo; Ana Santos e Belén Uriel; João Maria Gusmão + Pedro Paiva.
Crítica — por Susana Ventura
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Na sua origem, acreditou-se que a lente mecânica da câmara fotográfica produzia reproduções (em detrimento de representações) verosímeis do mundo, donde o carácter histórico e documental atribuído às primeiras fotografias e o interesse científico fomentado pela possibilidade de ampliação da realidade. Nas ampliações, descobriram-se as mais belas analogias entre arte e natureza. Nas flores de Blossfeldt, surgiram linhas de colunas clássicas e de arcos góticos, conduzindo Walter Benjamin a reconhecer a existência de um inconsciente óptico do tecido do existente, que escapa ao olhar humano e que apenas a câmara fotográfica consegue capturar e revelar, atribuindo à fotografia um valor mágico.
Crítica — por Samuel Silva
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A palavra reparar que encontramos no título da exposição de João Penalva no hall da Culturgest do Porto — Um crime que urge reparar — introduz-nos, por si só, a uma polissemia: em primeiro lugar, a uma certa ideia de desaceleração — parar e reparar; por outro lado, a um sentido de uma visão segunda, mais minuciosa e perscrutadora; e ainda, a uma noção de resgate ou justiça. É nesta toada semântica, proposta pelo título, que somos convidados a entrar na mais recente operação que João Penalva preparou para o famoso octógono que o arquitecto Porfírio Pardal Monteiro desenhou, no final dos anos vinte do século passado, para a sede da Caixa Geral de Depósitos (CGD) do Porto.
Ensaio — por Marta Espiridião
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Na introdução de The Left Hand of Darkness, Ursula K. Le Guin fala de como a ficção científica (sendo um exercício da imaginação que pode, ou não, partir de uma experiência real) é muitas vezes interpretada como previsão de um futuro, como uma verdade que se pode tornar absoluta, resultado de tempos tão contigentes que nos fazem questionar a possibilidade do irreal. No trabalho de Alice dos Reis, equilibrado entre a matéria biográfica e a componente ilusória, esbatem-se as fronteiras entre a realidade e a ficção — não no sentido de ludibriar, mas de criar narrativas, escapes à realidade a que nos encontramos ancorados.
Crítica — por Isabel Nogueira
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Se nos perguntássemos, no limar de uma experiência artística ou estética, de que nos recordaríamos, realmente, pela última vez? A Sala das Caldeiras da Central Tejo traz-nos das sensações mais importantes que podemos vivenciar em arte: o espanto, e, consequentemente, a recordação. É certo que a envolvência ambiental e estética permitida pelo notável edifício de arqueologia industrial interage no modo inteligente e inquietante como Gary Hill (n. 1951) produziu a bela instalação "Derramamento Linguístico" na Sala das Caldeiras, propondo ao visitante uma experiência sensorial e transitiva.
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