Ed. 11 / 2018
Entrevista — por Catarina Rosendo
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Decorre até 16 de Dezembro na Fondation Calouste Gulbenkian aquela que é, porventura, uma das mais importantes exposições de Rui Chafes: “Gris, vide, cris. Rui Chafes, Alberto Giacometti”. A Contemporânea falou com o artista em Paris, após a abertura da exposição ao público, sobre o modo como ela põe em diálogo o seu próprio trabalho com o de Giacometti, um dos nomes incontestáveis da escultura do século XX. Como realça Helena de Freitas, curadora da exposição, pouco ou nada faria aproximar o ferro liso e negro das obras de Chafes do bronze rugoso e cinza das de Giacometti. O próprio ponto de partida dos dois artistas não poderia ser mais antitético: as esculturas de Chafes existem sempre na sua imaginação antes de se materializarem fisicamente, enquanto o desafio de Giacometti consistiu em procurar compreender, através da visão, a forma como a realidade lhe aparecia.
Entrevista — por Antonia Gaeta
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AG: Deixa-me contextualizar um pouco o teu trabalho para não dispersar muito a conversa: pintas, fazes filmes, bandeiras, esculturas, desenhos, néons, vidros, fotografia, caixas de luz, usas uma linguagem não verbal e congregas todo o universo na tua cosmogonia de símbolos, pictogramas e cores para abordar a questão da estrutura do mundo e explorar os aspectos mais herméticos da vida humana. Como preservas tudo junto? MM: Com a forma. A forma é conteúdo. E depois há o objecto. O meu trabalho é dividido em cinco mundos: o sujeito, a linguagem, a moldura, as palavras e os elementos. Com estas cinco palavras consigo dar a conhecer a minha ideia de relação entre o mundo e a sua representação. A parte mais interessante para mim é o sujeito. A forma pode ser o sujeito porque estes cinco elementos existem em tudo. No sujeito e no significado é que reside o meu trabalho.
Crítica — por Sérgio Fazenda Rodrigues
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Marcius Galan coloca-nos perante um trabalho que indaga os limites da percepção e que ensaia uma nova organização do espaço. O seu trabalho assenta na relação com o observador, ou na forma como ele apreende as obras e como, em torno delas, se movimenta. E gere, simultaneamente, o espaço de cada obra, o espaço da exposição e o espaço da galeria. O "exercício de divisão" a que o título se reporta está, assim, naquilo que o observador perspectiva em cada peça, nas duas metades da sala principal e, também, na articulação entre esta e a segunda sala, que difere em escala e ambiente.
Entrevista — por Antonia Gaeta
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Musa paradisiaca: Ainda que acreditemos no mal-entendido como força produtiva, este não é esse caso. O segredo bem guardado do Surrealismo — o “inconsciente originário” — não nos interessa de todo. Na Musa paradisiaca não há origem ou hierarquia, mas há uma afirmação ontológica. O “duro”, o “mole” e a “memória”, celebrados pelo Dalí, são contraposições inoperantes na relação com as nossas esculturas, até mesmo com os objectos. O que importa, no aparente movimento destas esculturas de alumínio, é a sua qualidade fotográfica, cromogénea, imagética e não-deformada. Esta condição não configura uma distorção por si só, porque as formas não esticam, não perdem a sua configuração, são apenas capazes de se manifestar ginasticadamente.
Crítica — por Isabel Carlos
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No programa de exposições que o Atelier Museu Júlio Pomar tem vindo a desenvolver em torno do diálogo entre a obra do pintor e outros artistas contemporâneos e que contou já com Rui Chafes, Julião Sarmento e Pedro Cabrita Reis, Luisa Cunha é provavelmente a aposta mais arriscada e inesperada. No centro do espaço está precisamente uma obra que nos faz compreender o porquê desta escolha: uma pequena escultura composta por um ferro vertical onde poisa uma pena de ave e que na base-plinto tem inscrito à mão as palavras: “é uma pena”. Não, não é uma obra de Luisa Cunha, saída dos seus jogos de linguagem e trocadilhos semânticos mas sim uma escultura de 2003 de Júlio Pomar.
Crítica — por Carlos Vidal
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Quando nos propomos visitar e analisar a presente exposição apresentada pela Quadrado Azul (Lisboa), de Fernando Lanhas (1923-2012) e Ana Santos (n. 1982), que é sobretudo uma “individual” a dois mais do que uma colectiva, sabemos que teremos diante de nós dois autores separados em práticas e carreira por várias décadas (ou, de outro modo, cerca de cinco gerações, pois assim, geracionalmente, também designamos formas diferentes de pensar e fazer). Ou então, sabendo que um destes artistas (Lanhas), foi um estudioso do tempo e da duração abordando a pintura como objecto de conhecimento (e não de prazer), podemos concluir que estamos diante de dois artistas de hoje, contemporâneos.
Crítica — por Maria Beatriz Marquilhas
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No início, há sempre um viajante que parte. De Marco Polo a Ulisses ou Eneias, a história humana — quer a vivida, quer a imaginada — é uma história de partidas. Esta acontece em 1991, ano em que Rui Calçada Bastos completa os seus vinte anos e decide atravessar os Himalaias indianos. Ritual iniciático ou de passagem, esta exposição regressa a esses lugares e momentos, com um olhar distanciado, capaz de enquadrar um rosto ausente. Dividida em três momentos distintos, produzidos em 2018 mas que começam há 27 anos, esta "Paisagem para Desaparecidos" é protagonizada por figuras ausentes, aqui evocadas nos seus retratos.
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