Entrevista — por Sara Magno
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A "personagem construída" de Sarah Maldoror — uma conversa entre Annouchka de Andrade, François Piron e Tobi Maier por Sara Magno. "Cinema Tricontinental" é uma das duas exposições patentes no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa, no âmbito da Temporada Portugal-França 2022. Tendo já sido apresentada em 2021 no Palais de Tokyo, em Paris, integra agora a programação das Galerias Municipais de Lisboa, com curadoria do Tobi Maier.
Crítica — por Isabel Nogueira
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Quanto tempo vai durar a penumbra? Os olhos vão-se adaptando vagamente à sala, quase sem luz, que permite observar subtilmente cinco belas peças dispostas na parede: Tranquila ferida do sim, faca do não [2013/2018]. E, independentemente da validade e do efectivo interesse que todas as peças da exposição despertam, esta proposta de discreta visão e de forte sensorialidade e abandono é, em nosso entender, a melhor e a mais inusitada da mostra de Rui Chafes [n. 1966] no Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
Crítica — por Sofia Nunes
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A programação de exposições do Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas para o próximo ano arrancou no dia 24 de setembro com a inauguração simultânea de duas mostras individuais de Carla Filipe e Margarida Andrade e uma nova intervenção com o "Transformatório" de Susanne Themlitz, este último iniciado em março passado sob a curadoria de João Mourão. Tratam-se de propostas bastante ecléticas, embora todas sejam tangíveis à realidade local, à sua história, aos seus agentes e artefactos. Em "Confissões de uma baptizada", Carla Filipe apresenta duas instalações de natureza arquivística, unidas pela crítica que dirigem às estruturas patriarcais da Igreja Católica e da Política.
Artigo — por Luísa Santos
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Há cinco anos, a propósito do 10º aniversário do Museu de Arte Contemporânea de Elvas [MACE], casa da Coleção António Cachola, escrevia aqui, na Revista Contemporânea, que colecionar é um ato de conhecer. Hoje, a partir da celebração dos 15 anos da abertura ao público da coleção António Cachola, em 2007 [seis anos depois da assinatura do protocolo que deu início à coleção], proponho que, sendo intrinsecamente um ato de conhecer, colecionar é também um ato simultaneamente de poder coletivo na medida em que, no seu melhor e colaborativamente, pode mudar as realidades sociais tal como as conhecemos.
Entrevista — por Sofia Nunes
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A Contemporânea visitou o Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, na ilha de São Miguel, por ocasião da abertura da nova temporada de exposições, em finais de setembro. Aproveitámos a visita para conversar com João Mourão, diretor artístico da instituição, sobre um conjunto de vários tópicos que têm marcado a sua programação desde que ali chegou, em 2020. Quisemos escutá-lo sobre o modo como tem redefinido a missão deste centro de artes açoriano, as linhas programáticas adotadas, o papel da mediação e construção de públicos, o projeto para a coleção do Arquipélago e as relações criadas com o ecossistema local e os agentes externos, sem perder de vista a interrogação sobre o lugar da ética no seio de uma instituição artística.
Entrevista — por José Marmeleira
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Desde o fim de 2020, diretora artística do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Marta Mestre desenha, numa conversa com a Contemporânea, um panorama do que foi o último ano e meio do seu programa artístico. E, apontando ao horizonte do futuro, reflecte sobre o museu, a colecção e a obra de José de Guimarães e o seu tempo que é [também] o nosso. José Marmeleira (JM): Comecemos esta conversa noutra geografia, o Brasil, onde viveste durante oito anos. Em 2010, começaste a trabalhar enquanto curadora assistente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Seis anos depois, foste curadora-convidada na Escola de Artes Visuais Parque Lage, no Rio de Janeiro. E entre 2016 e 2017, foste curadora no Instituto Inhotim, em Minas Gerais. Hesito em chamar este período de passagem, isto é, de algum modo ainda está contigo, ter-te-á formado profundamente enquanto curadora. Portanto, e indo directamente à pergunta, o que trouxeste do Brasil para Guimarães nessa condição?
Crítica — por Toni Hildebrandt
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Como é que nos relemos a nós próprios, ou como é que reconsideramos os vestígios da nossa própria vida? A exposição Forgotten Sounds of Tomorrow, de Alexandre Estrela, parece lançar esta questão, ainda que a ela responda fora dos limites da introspeção biográfica. Como o título aponta, o enfoque recai, por um lado, sobre algo que se esqueceu, sobre o esquecimento, e, por outro, sobre a sua reverberação no amanhã. Nietzsche, como se sabe, caracterizou o filósofo como o homem do amanhã e do dia depois do amanhã. Será esta uma ambição, no entanto, que o artista possa assumir sem ambiguidades?
Ensaio — por Eduarda Neves
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Querido amigo, acabo de chegar de Paris. Devo confessar-te que assistir ao espectáculo, Liberté d´action, de Heiner Goebbels, no Théâtre du Châtelet, foi uma experiência rara. A homenagem à autonomia de Henri Michaux — cuja obra sempre nos confrontou com uma poética impetuosa — espelhava o privilégio de todos os que nunca deixaram de viver nas alturas. No final, as palavras do artista, na voz do notável intérprete David Bennent: une ligne rencontre une ligne. Une ligne évite une ligne. Aventures de lignes. Une ligne pour le plaisir d’être ligne, d’aller, ligne. 
Une ligne rêve.
Crítica — por Sara Castelo Branco
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O que olhamos pela camera obscura não existe como vemos — situa-se distanciado e em inverso. Observamos a realidade, mas de forma indirecta. Nunca olhada directamente. O observador da camera obscura existe assim numa condição simultaneamente interiorizada que, num mesmo movimento, olha o mundo do exterior dele e centra-se introspectivamente no interior do dispositivo como se estivesse retirado do mundo — ficando por consequência retido num espaço interno, num acto de ver que é desunido do corpo, e que forma uma metafísica de interioridade (Crary, 1993).
Crítica — por Sérgio Fazenda Rodrigues
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Com curadoria de Susana Ventura, a exposição surge de modo intrigante, dando-nos a ver um conjunto de pinturas, esculturas, desenhos/pinturas de parede e vídeos envoltos na penumbra. Por entre zonas de sombra e manchas coloridas, quer nas obras, quer no modo como estas se relacionam, reclama-se um olhar lento e atento que alicia o visitante, e o convida a perscrutar o entorno. Numa cuidadosa afinação que vai do acerto da cor das paredes e do pavimento, à natureza e à intensidade da luz existente, Ventura e Baptista gerem a posição de cada elemento, garantido a justa respiração dos trabalhos e a integridade do conjunto que estes enformam.
Crítica — por Sara Magno
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O alento científico e sentimentos como a melancolia poética associados às ilhas dos Açores coexistem num mesmo espectro da representação em ''Ecos da Natureza''. Esta exposição propõe que a natureza do processo fotográfico se encontra do outro lado de uma fronteira ténue que a separa dos fenómenos naturais observados pela própria fotografia. Esta fricção entre o trabalho da fotografia e os fenómenos que esta observa e capta, é constante no trabalho de Manuela Marques; e é também com este foco que a curadora Emília Tavares convida este corpo de trabalho a ocupar 3 andares do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa [MNAC].
Entrevista — por Raphael Fonseca
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Raphael Fonseca conversou com o curador Marcel Rezende a propósito da exposição "O Estado do Mundo: Museu do Atlântico Sul" patente no Pavilhão Branco em Lisboa até 15 de janeiro de 2023. A exposição explora o projeto imaginado pelo filósofo e educador português Agostinho da Silva durante os seus anos de exílio no Brasil: um museu dedicado “à capacidade fraternal de entrelaçamento do diverso” numa ordem pós-independências.
Entrevista — por David Silva Revés
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Cooking Sections, criada em 2013, em Londres, é uma dupla constituída por Daniel Fernández Pascual e Alon Schwabe. A alimentação está no centro do seu trabalho investigativo, educativo, artístico e crítico, assumindo-a enquanto metodologia de investigação para avaliar os sistemas económicos, políticos e sociais globais, como forma de enfrentar as mudanças climáticas induzidas pela humanidade. Em 2021 foram nomeados para o Turner Prize, e em 2019 receberam o Special Prize do Future Generation Art Prize.
Crítica — por José Marmeleira
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Em Oh My Dog! de João Marçal (Coruche, 1980), na Galeria Minuta — uma parceria entre a Galeria Zé dois Bois e Sociedade Internacional de Advogados — CMS, o espaço encontra-se dividido por dois conjuntos de pinturas, algumas das quais nunca antes expostas. Entre ambos, sobressaem distinções visuais, estéticas, pictóricas e gráficas, enquanto a disposição no espaço arquitectónico permite sugerir a presença de um hiato que só o visitante poderá preencher e, porventura, reparar.
Crítica — por Marta Espiridião
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Foi um bom dia: depois de tratar das coisas que tinha a fazer, passei uma hora no jardim a ler ao sol. De seguida, pus-me a caminho da Kunsthalle Lissabon — a pé, já que a meteorologia o permitia —, e lá apareci às 18h02. Logo cumprimentei os presentes, que me disseram que tinha sido a primeira a chegar. Andava atenta às redes sociais da instituição, bem como às dos meus amigues que nela trabalham, e sabia que esta ocasião ia ser especial — algo a que gostaria particularmente de ir sozinha. Também me tinham dito que ia haver uma performance, e que esta apenas iria acontecer no dia da inauguração. Agradou-me ter sido a primeira, assim como me agradou estar sozinha — por vezes, estarmos sozinhes, sem a proteção da proximidade daqueles a quem amamos ou de cuja companhia gostamos, é a melhor forma de sermos vulneráveis a um desconhecido fantástico.
Entrevista — por Catarina Rosendo
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Na sua mais recente exposição, Isabel Carvalho partiu de uma investigação sobre o complexo mineiro da Urgeiriça, no norte de Portugal, onde ao longo de quase todo o século XX se procedeu à extracção de urânio e de rádio e cujo processo de reconversão patrimonial, já neste século, tem levantado o problema do reconhecimento oficial dos efeitos da contaminação radioactiva sobre a população local. Trabalhando do modo transdisciplinar que lhe é caro, a artista reúne no espaço expositivo um relato escrito que mistura dados reais com situações imaginadas, vidros coloridos e várias peças em gesso organizadas em frisos e painéis de aparência simultaneamente arcaicae decorativa.
Entrevista — por Ana Sophie Salazar
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Na sua mais recente exposição em Berlim, Yonamine aprofunda e desdobra a sua longa pesquisa sobre a linguagem do billposting, ou fixação de cartazes na rua, numa instalação imersiva que ocupa as paredes e o chão da galeria. Com um título composto que junta italiano e inglês, Parla_mute abre um espaço de contradição entre a fala e a mudez, acentuando uma relação entre expressão e repressão, entre o indivíduo e o colectivo. Através da criação desse espaço de tensão, os materiais gráficos que Yonamine tem vindo a acumular ao longo do tempo são mais uma vez transformados e editados nesta amálgama de pósteres e serigrafias que cruzam referências e repetem frases chave. Numa pluralidade imagética e tipográfica, lê-se “Sunlight”, “Eurovision”, “Antarctica’s thousands of species will have no voice”, “The beautiful ones are not yet born” ou “How To Get Glass Skin in 7 Days At Home”.
Crítica — por Isabel Nogueira
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É o início da temporada e com ele regressa-se aos circuitos expositivos. O número considerável de propostas torna o sector artisticamente mais rico e variado. O que é efectivamente importante. Claro que umas abordagens serão seguramente mais entusiasmantes do que outras. É expectável e faz parte desta dinâmica. Neste RoundUp escolhemos cinco exposições que apresentam gramáticas artísticas e referências conceptuais bastante distintas entre si. Lancemos um breve olhar crítico sobre elas. No RoundUp #6: Carlos Mensil — Risco Contínuo @ NO·NO Gallery; Catarina Mil-Homens — We are Also the Ghosts @ Uma Lulik_; Christian Andersson — What has yet to Take Shape Will Protect Me @ Cristina Guerra Contemporary Art; Mané Pacheco — Bestas @ Belo Campo/Galeria Francisco Fino; Nuno Nunes-Ferreira — Monsieur Valadares @ Balcony, Contemporary Art Gallery.
Crítica — por José Marmeleira
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Na exposição de André Romão há várias coisas que ressaltam aos olhos de quem chega: a presença de estranho focos de luz que, no cubo branco parecem assemelhar-lhe a pequenas chamas. A aparição suspensa de formas em madeira que parecem replicar fragmentos de esculturas religiosas. E a vista de um corpo que, incompleto e disposto sobre um volume concreto, se assemelha a uma figura espectral que, se diria, viva. Não durará esta ilusão. A criatura, que parece olhar-nos de volta, é afinal uma escultura construída com uma máscara e uma tapeçaria com 400 anos. E aquelas chamas, que o branco da galeria não apaga, são afinal luzes [lâmpadas] alimentadas pela electricidade. Mas este regresso ao real [e ao quotidiano] não será completo.
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