Crítica — por Susana Ventura
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Duas figuras conceptuais (poderemos pensá-las enquanto tais) elevam-se do percurso que efectuamos pela instalação "Descolonizar o Pensamento" (2013-2021), de Carlos Bunga, que tanto se afirma enquanto obra de arte autónoma, como se transfigura em cenário para acolher outras obras: quatro filmes de curta duração, exibidos alternadamente ao longo da duração da primeira parte da Anozero’ 21-22 - Bienal Internacional de Arte de Coimbra sob o título "Meia-Noite" e curadoria de Filipa Oliveira e Elfi Turpin, e um conjunto de esculturas angolanas, que Bunga seleccionou a partir da colecção etnográfica do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.
Ensaio — por Eduarda Neves
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Num dos seus conhecidos textos, "A arte depois da filosofia", Joseph Kosuth confronta-nos com diversas proposições sobre a função da arte argumentando que a sua única exigência é consigo própria. Afirma que, depois de Duchamp, o valor de alguns artistas deve ser entendido de acordo com o que acrescentaram à concepção de arte e o modo como a problematizaram. Recordemos que é o próprio Duchamp a admitir que não atribui ao artista “uma espécie de função social” em que ele se ache obrigado a “fazer qualquer coisa, em que tenha um dever para com o público.” Confessa ter “horror a todas essas considerações.” Kosuth cita ainda Ad Reinhardt: “a única coisa a ser dita sobre a arte é que é uma coisa. A arte é arte-como-arte e todo o resto é todo o resto. A arte como arte não é nada além de arte. A arte não é o que não é arte.”
Crítica — por Cristina Sanchez-Kozyreva
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A exposição Side facing the wind, de Silvia Bächli, assemelha-se a uma lufada de ar fresco. Elaborada a partir do ateliê, a sua gramática — pinceladas lisas de guache em tons terra sobre folhas de papel brancas — traz às salas da galeria uma energia descontraída. Aqui, uma série de faixas horizontais em tonalidades avermelhadas plasmam-se sobre as paredes como se de pautas musicais se tratassem, surgindo ao longo da exposição numa sucessão de refrões; ali, stick figures minimais em tonalidade cinza asfalto mostram-se a correr em conjunto, como se em sugestão de uma corridinha alegre para fugir ao chuvisco outonal — ou talvez sejam cruzamentos vistos de cima, algum género de símbolo arcaico da intersecção das estradas contemporâneas. De facto, alguns desenhos encontram-se repletos de sobreposições, como que refletindo as densas artérias de uma grande metrópole.
Entrevista — por Alberta Romano
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Quando a prática da artista com quem conversas é profusa em camadas e ramificações e nela revês a tua própria sensibilidade, pensar numa introdução que esteja à altura da sua obra torna-se uma tarefa particularmente difícil. Foi o caso de Henrike Naumann, com quem tive o prazer de conversar pela primeira vez via Skype há uns poucos dias. Parte do prazer que esta chamada me deu teve que ver com a autenticidade da conversa. Henrike quis falar-me do seu mundo, da sua pesquisa, da sua infância, sem que nada parecesse forçado, como se já nos conhecêssemos há algum tempo; trocámos ideias, memórias e alguns conselhos. Ainda assim, aquilo que me deu maior satisfação (uma satisfação porventura egotista) foi poder dizer: "Eu sabia que ela ia ser um ser humano fantástico. Soube-o assim que vi uma peça dela pela primeira vez."
Artigo — por Isabel Nogueira
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É uma geração de artistas que vai partindo e que não nos deixa indiferentes. Em muitos casos, as suas produções artísticas iniciaram-se ainda no final dos anos 50, num Portugal fechado, colonialista, reaccionário e conservador. Lourdes Castro (1930-2022) foi uma destas artistas que, tal como muitos outros e outras, rumaram a alguns países da Europa e, por vezes, também do continente americano, principalmente entre finais da década de 50 e meados da década de 70, destacando-se a acção de auxílio financeiro, a partir de 1957, por parte da Fundação Calouste Gulbenkian. De facto, o papel da Gulbenkian neste contexto foi preponderante, permitindo aos artistas a saída do país, no sentido da consolidação das suas carreiras e, claro, de novas vivências, de abertura ao mundo e da urgência em respirar liberdade.
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