Perfil: Gisela Casimiro

Na sociedade contemporânea ocidental, fruto do legado modernista e das suas monoculturas, temos a tendência a conhecer o mundo por pequenos compartimentos. Escolhemos uma área do saber e especializamo-nos nela o mais que conseguimos. Idealmente, escolhemos depois subáreas para ficarmos ainda mais especializados numa especificidade qualquer de uma área disciplinar. Contudo, como lembra Fukuoka no seu The One Straw Revolution, “um objeto isolado do todo não é o objeto real. Especialistas em várias áreas juntam-se e observam um campo de arroz. O especialista em doenças de insetos só vê os estragos dos insetos, o especialista em nutrição das plantas só considera o vigor das plantas[1]” (1978:25). Neste processo de dissecar o mundo por pequenas áreas, uma de cada vez, não conseguimos ver as interações entre as várias partes que compõem o mundo e tornamo-nos perfeitos ignorantes sobre tudo aquilo que cai fora da parte na qual decidimos, por alguma razão, focar a nossa atenção.
Gisela Casimiro está no extremo oposto a esta tendência, é demasiado atenta à complexidade do mundo que a rodeia para especializar-se numa única área do saber. Pelo contrário, nas suas próprias palavras, numa entrevista para a Bantumen em 2023, é “uma contadora de histórias, uma escritora, antes de mais. Poderia ser exclusivamente poeta, ensaísta, ou dramaturga. A poeta que há em mim comunica com a cronista e com a dramaturga, uma faceta mais recente. Tal como todas comunicam com a artista, que também usa a palavra escrita e oral no seu trabalho. E ainda com a que faz tradução. E, quem sabe, a que ainda vai escrever para televisão e cinema[2]”. O fio condutor que une todos os meios que vai habitando e nos quais se vai movendo com a familiaridade de quem passa de um quarto para a sala na mesma casa na qual sempre viveu, é o processo de contar histórias com o seu potencial de criarem imagens de outras realidades. Ao usar as histórias que lhe interessam como meio e método, permite que outras pessoas possam fazer o mesmo, sobretudo aquelas que são mais oprimidas pelo sistema e pelos espaços que, indiscutivelmente, continuam ainda a ser muito normativos e brancos.
A primeira vez que ouvi falar sobre o trabalho de Gisela Casimiro foi na exposição individual “O que perdi em estômago, ganhei em coração”, em 2020, a partir do seu livro de poesia Erosão, de 2018, no contexto do projeto quéréla da curadora Ana Cristina Cachola. Por essa altura, contudo, Gisela Casimiro já tinha publicado um livro, escrevia crónicas em várias plataformas, e tinha participado em exposições coletivas, no Mercado de Culturas do Martim Moniz e no Museu de Etnologia, nas quais expôs o seu Museu Pessoal, um conjunto de fotografias no qual adota, simultaneamente, o papel de curadora, artista, e sujeito da arte. Neste museu, recria quadros, esculturas e fotografias de artistas como a Cindy Sherman, a Frida Kahlo, o Edward Hopper, o Botticelli, o Ingres, o Gauguin, e o Manet bem como imagens da Sade, da Kate Bush, da Cat Power, do Muhammad Ali, e de outros autores e artistas, sempre num ato subversivo, de provocação, e com humor. Não tendo as obras apresentadas um cariz pessoal, o Museu Pessoal é um trabalho no qual Gisela Casimiro cria aquilo que ela não viu em espaços como os livros de arte, as revistas de moda, e a televisão. O Museu Pessoal é, assim, um museu sobre representatividade e autoria negra.
As políticas da representatividade e a autoria negra, em particular o papel da arte como lugar de extrativismo social, são muito claras também em I AM NOT YOUR ARTIST, uma curadoria conjunta com Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD), em 2021. Partindo das palavras de James Baldwin no documentário Meeting the Man: James Baldwin in Paris, de Terence Dixon - “O que importa é que eu sou sobrevivente e testemunha de algo. (…) Nenhum de vocês sabe ainda quem é este negro desconhecido. E a batalha é sobre isso. Não sou o que pensam que sou – um sobrevivente exótico – e sim algo muito diferente” – a exposição traz para as paredes da Casa do Capitão o universo visual da arte de rua, da poesia e dos memes, para oferecer uma reflexão crítica sobre as questões da representatividade nas suas interseções com as questões culturais e societais que, por sua vez, estão ligadas a identidade, pertença, naturalidade e nacionalidade.
Já a sua instalação Priceless, também com Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD), para a exposição coletiva Museu do Atlântico Sul, no Pavilhão Branco das Galerias Municipais de Lisboa, parte da loja de presentes dos museus, um elemento tão operacional como comercial ou, usando as palavras do curador da exposição, Marcelo Rezende, um elemento da “gramática das instituições museológicas[3]” (2022) para refletir sobre o comércio das imagens que não é mais do que uma extensão do comércio dos corpos. As políticas inerentes aos corpos negros estão sempre presentes nos trabalhos de Gisela Casimiro. Em memória de mim, no Armário, em 2022, uma instalação musicada por Odete e acompanhada por um texto de Rafaela Jacinto, um conjunto de objetos pessoais, como óculos, um retrato da artista numa moldura, textos manuscritos, velas, livros, e uma jarra com rosas, é criado um espaço ritualístico no qual são convocadas tensões entre memórias pessoais e coletivas, entre o afetivo e o político, entre a vida e a morte, entre o lugar do observador e o lugar do observado.
Voltando atrás uns parágrafos e dois anos, a exposição “O que perdi em estômago, ganhei em coração”, começou fora do espaço expositivo, na rua. Cartazes colados em espaço público, a preto e branco, sem artifícios gráficos, inspirados nas campanhas políticas recentes de mulheres negras, contavam uma história em forma de poema:
Quando for grande quero ser polícia
Para bater nos pais de outros meninos
Em frente aos outros meninos.
O meu pai sempre me disse:
cuidado a quem dás bastonadas.
Nunca dês bastonadas a um preto
senão vão achar que és racista.
Se deres bastonadas a um branco
Estarás apenas a ser polícia.
Ainda bem que não somos pretos.
Imagina se fôssemos pretos.
Já não podia ser polícia.
A arte em espaço público não tem os mesmos efeitos da arte num espaço de uma galeria de arte. Neste caso, o efeito do poema-cartaz na rua foi um processo penal contra Pedro García, que foi quem colou o cartaz, e contra a curadora, Ana Cristina Cachola, por “Ofensa a organismo, serviço ou pessoa coletiva” (artigo 187º do Código Penal) por divulgação de “factos inverídicos, capazes de ofender a credibilidade da autoridade” (ibidem). Já a artista e autora do poema, a única pessoa negra no caso, só foi consultada um ano depois da abertura do processo, e só então o mesmo foi arquivado. O que é interessante na vida que o projeto expositivo ganhou com a ação dos polícias que se sentiram ofendidos com o poema é que esta ação confirma aquilo que é denunciado no próprio poema, exposto nas ruas pouco tempo depois da agressão a Cláudia Simões, um caso grave de violência policial que ainda hoje continua em tribunal. Antes disso, o poema tinha sido divulgado online a propósito de uma outra situação de racismo com Mamadou Ba.
O cartaz de Gisela Casimiro é poesia, arte, uma visão subjetiva e pessoal que, claro, é partilhada por muitos e, por ter sido produzido enquanto criação artística, goza – supostamente, num contexto democrático - de liberdade para ser expresso e exposto publicamente. A ação dos polícias que se sentiram ofendidos com o gesto artístico, é um ato objetivo de censura, que é sempre um ato de violência, e demonstra claramente a tentativa de apagamento e de silenciamento de quaisquer afirmações que contradigam grandes narrativas como a de ausência de racismo e de violência policial em Portugal. Tal como no poema, também na realidade, o exercício da autoridade é legítimo para aquele que se configura como o que ataca para defender a sua presumível inocência. Neste processo, entre poesia e realidade, subjetividade e objetividade, a palavra torna-se ferramenta de pensamento e de questionamento.
O potencial transformador do uso da palavra na prática de Gisela Casimiro adquire uma dimensão ainda maior quando intersecta várias áreas de ação, como no texto da peça de 2022, “Casa com árvores dentro”, com encenação de Cláudia Semedo. O espetáculo parte da definição de casa proposta por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant no seu Dicionário dos Símbolos. Nesta definição, “tal como a cidade, e como o templo, a casa está no centro do mundo, é a imagem do universo” (Chevalier e Gheerbrant, 1982:165)[4]. Por outro lado, a “casa significa o ser interior, segundo Bachelard; os seus andares, a cave e o sótão simbolizam os diversos estados da alma (Chevalier e Gheerbrant, 1982:166). Já na psicanálise, lembram Chevalier e Gheerbrant, “o exterior da casa é a máscara ou a aparência do homem; o telhado é a cabeça e o espírito, o controlo da consciência; os andares inferiores indicam o nível do inconsciente e dos instintos; a cozinha simbolizará o local das transformações alquímicas, ou das transformações psíquicas, isto é, um momento da evolução interior” (ibidem).
A casa no texto de Gisela Casimiro usa a cama como elemento central, “símbolo da regenerescência pelo sono e pelo amor, é também o lugar da morte” (Chevalier e Gheerbrant, 1982:404) e a árvore, “símbolo da vida, em perpétua evolução, em ascensão para o céu (...) o carácter cíclico da evolução cósmica: morte e regeneração” (Chevalier e Gheerbrant, 1982:89). Nesta “casa com árvores dentro”, cinco personagens contam a história de uma família que partilha temporariamente um lar construído a partir de fraturas e discriminações sociais profundas. Para escrever a história desta casa, na qual se desenrolam histórias de discriminação étnico-racial, de capacitismo, de LGBTQFOBIA, de gordofobia, bem como de saúde mental, de depressão e de suicídio nestas comunidades e nas camadas mais jovens, Gisela Casimiro conversou com educadores, assistentes sociais, mediadores culturais, sociólogos, antropólogos, psicólogos, performers e activistas que conhecem e vivem vários tipos de discriminações. Neste processo, foi fundamental compreender não só as necessidades e condições de cada comunidade marginalizada, reconhecendo que, muitas vezes, o oprimido é também o opressor mas, essencialmente, as interseções entre cada uma destas ruturas sociais. Afinal, os sistemas de opressão sobrepõem-se uns aos outros. E é por isso mesmo que o uso da palavra na prática de Gisela Casimiro não se restringe exclusivamente a um meio e a um tipo de discriminação. Pelo contrário, entende os sistemas sociais, as suas discriminações, violências e privilégios como interligados.
E é este entendimento interseccional, tão semelhante ao de Audre Lorde, que tornou a sua tradução do livro Sister Outsider para português, numa obra demonstrativa de que a tradução é, também, trabalho autoral. A tradução é, afinal, um fenómeno cultural que só pode ser estudado em contexto. Lançada em 1984, e com mais de 60 edições em vários países e línguas, Sister Outsider reúne textos produzidos ao longo de quase uma década. Filha de imigrantes do Caribe, Audre Lorde cresceu nos anos 1930 no Harlem, um bairro em Nova Iorque. Autodescrevia-se enquanto negra, lésbica, feminista, socialista, mãe, lutadora, poeta. Dedicou a vida a confrontar todas as formas de injustiça, acreditando que não há hierarquias de opressão. Tal como os textos de Lorde existem em contexto (o seu e o de tantas outras pessoas que o partilham), também a tradução de Gisela Casimiro, existe num contexto. Neste caso, Portugal, um país colonizador que insiste na perpetuação de narrativas racistas e discriminatórias em aspetos tão quotidianos como nomes de ruas, marcas de café, ou expressões ditas idiomáticas que são extremamente violentas. O gesto de traduzir “Sister Outsider” para “Irmã Marginal – Sister Outsider” é, assim, problematizador e hermenêutico, em vez de descritivo, inscrevendo a tradução num tecido complexo que, para além de ser linguístico, é também histórico, cultural e político.
O trabalho que vi mais recentemente de Gisela Casimiro, em Abril deste ano, foi, como o primeiro que me apresentou à autora, uma exposição. Adotando um verso do poema For Assata, de Audre Lorde, de 1978, “In this new picture your smile has been to war”, na Appleton BOX, em Abril de 2024, é uma a exposição que traz o ativismo da rua e dos ecrãs para as paredes da galeria. Numa das paredes, um grafitti escreve “adoro a vossa causa”, que pode ser entendida, segundo a autora, como uma crítica à hipocrisia vigente nas artes, à tokenização e à apropriação, mas também às diferenças dentro dos próprios movimentos. Por outro lado, a declaração demonstra um posicionamento de um alguém que se demarca da dita causa, implicando uma distância entre um “eu”, não envolvido, e um “outro”, a quem a causa pertence. Essa é também a distância criada pelos ecrãs, como o do iPad exposto, nos quais vemos, a partir do conforto e da proteção dos nossos lugares privados, os espaços públicos e as manifestações que lá acontecem. Scroll atrás de scroll, um e mais outro like, partilha de stories e, instantaneamente, criam-se ativistas digitais. Mas será que a presença física das nossas vozes e ações pode ser substituída por cliques num ecrã? A resposta na exposição, é intuída pelo posicionamento de Gisela Casimiro – a sua presença é sentida, foi às manifestações de lutas pelos direitos humanos, viveu os momentos que traz para dentro da galeria e contrapõe com documentos e arquivos pessoais nos quais intervém.
Numa mesa, uma espécie de biblioteca pessoal partilhada, podemos aceder a livros de referência para lutas intersecionais como A Liberdade É Uma Luta Constante, de Angela Davis, o Discurso Sobre o Colonialismo Seguido de Discurso sobre a Negritude, de Aimé Césaire, o Black Unicorn, de Audre Lorde, ou a RE constituição Portuguesa na qual, a convite de Viton Araújo e Diego Tórgo, um grupo de poetas, como Gisela Casimiro, André Tecedeiro e Rita Taborda Duarte, partiu do “Projeto de Constituição Política da República Portuguesa”, de 1933, para criar um texto novo. Documento fundador do Estado Novo, a Constituição portuguesa de 1933 é o objeto escrito que instituiu legalmente a Censura, que permaneceu até à Revolução, a 25 de abril de 1974. Os censores do Estado Novo usavam um lápis de cor azul nos cortes de qualquer texto, imagem ou desenho a publicar na imprensa. Os cortes eram justificados para impedir e limitar as tentativas de subversão e difamação, numa tentativa de proteção da ditadura. Na RE constituição portuguesa, o lápis azul, é subvertido para censurar a censura, numa ode à liberdade num momento em que é urgente lembrar que a liberdade e os direitos humanos nunca estão completamente a salvo.
Na exposição, temos acesso não a uma, mas a várias histórias unidas, ou trazidas ao mesmo espaço, pela voz da narradora. As imagens são registos de manifestações, de norte a sul de Portugal, contra o racismo, pelo feminismo, e pelo direito à habitação. Um aspeto muito importante nas imagens de Gisela Casimiro é a presença dos corpos negros e políticos que se mantém ausente nos registos oficiais e mais conhecidos, históricos, mas também mais atuais, do 25 de Abril. Mais do que dar voz a causas, nesta exposição, como na sua prática como ativista, tradutora, dramaturga, ou poeta, Gisela Casimiro escuta e conta histórias de opressão, umas mais de perto do que outras, e outras ainda na primeira pessoa. Como afirma Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD) na folha de sala, trata-se de uma tentativa de reparação histórica, para “eliminar ou diminuir o esquecimento colectivo sobre um tempo ou sobre um acontecimento” (2024). Os cartazes da exposição são uma parte de um todo em crescimento. Um deles foi acrescentado depois da manifestação do 25 de Abril deste ano. A exposição aconteceu em Abril, mas a luta pela liberdade é contínua. E, como lembra Gisela Casimiro, “antes de Abril, veio Setembro: a independência da Guiné em 1973” (2024)[5]. Assim, Gisela Casimiro é, aqui, como em todos os seus projetos, contadora de histórias num processo que tem tanto de escuta quanto de fala, tanto de olhar para o passado, como para o presente e o futuro, nas suas narrativas múltiplas. Em quaisquer dos casos, as histórias são ferramentas poderosas de atenção, cuidado e reparação.
Gisela Casimiro (Guiné-Bissau, 1984) é uma activista, escritora, poeta, tradutora, curadora e artista.
Luísa Santos [1980, Lisboa]. Curadora Independente, doutorada em Culture Studies pela Humboldt & Viadrina School of Governance, em Berlim, e mestre em Curating Contemporary Art pela Royal College of Art, em Londres, é, desde 2019, Investigadora Auxiliar em Estudos de Cultura vertente de Estudos Artísticos na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Entre 2016 e 2019 foi Professora Auxiliar, com uma Gulbenkian Professorship, na FCH-UCP. É research fellow da The European School of Governance [EUSG], em Berlim, desde 2019. Em 2013 foi investigadora em Práticas Curatoriais na Konstfack e na Tensta Konsthall, em Estocolmo. Investigadora do CECC, co-fundou e é directora artística do projeto 4Cs: from Conflict to Conviviality through Creativity and Culture, um projecto de cooperação Europeu cofinanciado pela Europa Criativa. É membro do conselho editorial das revistas Estúdio, Gama, Croma, do Yearbook of Moving Image Studies [YoMIS - Research Group Moving Image Kiel], Büchner-Verlag, do Garage Journal do Garage Museum de Moscovo e editora da série [im]material culture[s] and politics, da Routledge. Em 2018, co-fundou a nanogaleria com Ana Fabíola Maurício.
A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.
Notas:
[1] Fukuoka, Masanobu (1978). The One Straw Revolution. Rodale Press: New York.
[2] Casimiro, Gisela (2023). “Gisela Casimiro lança dois novos retratos autobiográficos, entre a poesia e a crónica. Entrevista de Elias Joaquim”. Bantumen. Edição de 28 de Abril.
[3] Rezende, Marcelo (2022). “O Estado do Mundo: Museu do Atlântico Sul” (folha de sala). Galerias Municipais de Lisboa. https://galeriasmunicipais.pt/wp-content/uploads/2022/08/GM_OEstadodoMundo_FS_WEB_PT-1.pdf Consultado a 3 de Junho 2024.
[4] Chevalier, Jean e Gheerbrant, Alain (1982). Dicionário dos Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Trad. Cristina Rodriguez, Artur Guerra. - [Reimp.]. - Lisboa : Teorema, D.L. 1994 [D.L. 2001]. ISBN 972-695-215-8
[5] Gisela Casimiro em comunicação pessoal, por e-mail, com a autora deste texto. Maio 2024.










