Residências de Escrita
Divulgamos aqui a shortlist e as vencedoras desta primeira edição da Residências de Escrita do Jornal da Crítica, uma iniciativa da Contemporânea. Esta escolha é da responsabilidade de um comité de seleção constituído por Celina Brás, Eduarda Neves e Luísa Santos.
(por ordem alfabética)
Alexandra Martins
(1992, Portugal) Licenciada em Ciências da Comunicação, mestre em Estudos Artísticos pela Universidade do Porto, e doutoranda em Estudos Artísticos na FCSH-Universidade Nova de Lisboa, tendo sido bolseira da FCT. Escreveu para diversas publicações. Colaborou e integrou os comités de seleção dos festivais CurtasVila do Conde e Porto/Post/Doc. Em 2017, foi selecionada para o Talent Press Rio e, em 2018, comissariou a exposição Como o Sol/Como a Noite, no âmbito da retrospetiva dedicada a António Reis e Margarida Cordeiro no Porto/Post/Doc.
Duarte Amado
(Portugal). Escreve crítica de dança e performance, com textos publicados no Coffeepaste, Jornal de Letras, Jornal Coreia e texto-ensaio para catálogo de exposição. Licenciado em Direito na Universidade de Lisboa, frequentou o mestrado em Filosofia na FCSH–NOVA. Como jurista, apoia a produção executiva e programação de teatros, museus, galerias e festivais de Lisboa.
Eurídice Arratia
(Paris, França). Curadora e crítica de arte com um sólido percurso internacional, com artistas e instituições públicas e privadas. Possui um profundo conhecimento do panorama da arte contemporânea na Europa, nos EUA e na América Latina. Colaboradora da Frieze, BOMB, Hyperallergic, Art Basel Stories e ArtAsiaPacific, e autora de ensaios para catálogos de instituições como o Museo Reina Sofía, em Madrid; o Museum Folkwang, em Essen; e a Art in General, em Nova Iorque. Em 2023-24, passou vários meses na Ucrânia a trabalhar com instituições culturais e a escrever sobre resiliência artística e institucional em tempo de guerra.
Filipa Correia de Sousa
(Lisboa, 1992). É curadora, investigadora, ensaísta e co-directora do espaço UPPERCUT, em Lisboa. Mestre em Filosofia-Estética pela FCSH: Universidade Nova de Lisboa, pós-graduada em Filosofia Geral pela FCSH: Universidade Nova de Lisboa e licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Foi produtora e editora na Fundação Calouste Gulbenkian, foi curadora da exposição Inverted On Us de Catarina Dias no MAAT-Fundação EDP. Escreve regularmente para catálogos e folhas de sala.
Felipe Molitor
(São Paulo, Brasil). Crítico de arte, curador e pesquisador baseado em São Paulo. Trabalha no acompanhamento de artistas visuais, na escrita crítica e no desenvolvimento de projetos curatoriais e programas públicos, com interesse nas relações entre prática artística, crítica e experimentação entre espaços comerciais e não-convencionais da arte. Tem textos publicados na plataforma E-flux, na Folha de S. Paulo, Arte!Brasileiros, entre outros.
Francisca Portugal
(Lisboa, Portugal). É curadora independente e escritora. A sua prática explora noções contemporâneas de amizade e empatia. Cria espaços de experimentação, diálogo e troca, com forte ênfase nas redes informais e nos processos colaborativos. Com formação interdisciplinar em Artes e Humanidades, Portugal investiga a forma como a amizade se cruza com as práticas curatoriais, resultando num conjunto diversificado de trabalhos que abrange exposições individuais e coletivas, programas públicos e palestras em contextos independentes e institucionais. Actualmente, centra-se na investigação de metodologias de arquivo, com particular atenção à história oral.
Lorena Tabares Salamanca
(Cali, Colômbia, 1990). Investigadora, escritora e curadora independente, em contextos de errância, migração e transcontinentalidade. A partir de um percurso que abrange a Colômbia, a Cidade do México, Lisboa e Viena, o seu trabalho propõe leituras críticas da história da arte e da performance, a partir de abordagens para-coloniais e alternativas. A sua trajetória profissional articula-se em torno de formas coletivas de produção de conhecimento, a partir de perspetivas ligadas às ecologias políticas, às relações entre o humano e o não humano, e às corporalidades na sua relação com territórios linguísticos, imaginários e materiais. Em 2023 concluiu o Mestrado em Ciências da Comunicação e das Artes pela Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação centrada nos re-enactments e nas poéticas do Movimento Zapatista na sua Viagem pela Vida (2021), entendida como uma deslocação contemporânea frente aos arquivos das navegações modernas.
Luís Lima
(1971, Portugal). Doutorado em Filosofia (especialidade de Estética), pela FCS/ Universidade Nova de Lisboa, como bolseiro de doutoramento da Fundação Calouste Gulbenkian para uma co-tutela em Paris IV – Sorbonne, no departamento de Literatura. Bolseiro da FCT no mestrado em Comunicação, Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela mesma universidade. Formou-se em Ciências da Comunicação com uma tese sobre os condicionamentos mútuos entre crítica e arte. É director-fundador, desde Abril de 2023, da Escola das Artes da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL). É Professor Associado na UAL e docente convidado na Escola Superior de Design (ESD) do IPCA e lecciona nestas instituições, entre outras UC’s, Teorias da Imagem, Escrita Criativa, Comunicação e Digital Storytelling, Cibercultura. É investigador no LabCom (Comunicação e Artes) e colaborador no CEAA (Arte e Estudos Críticos) e no núcleo de Investigação em Comunicação Nip.Com, na UAL.
Luïza Luz
(1993, São Paulo, Brasil. Vive em Berlim), é uma artista transdisciplinar, educadora e autora. O seu trabalho centra-se no ambientalismo interseccional e em pedagogias emancipatórias, envolvendo-se com ecologias espaciais, textuais, sonoras, performativas e participativas. Livros recentes: Nova publicação baseada numa palestra proferida no MoMA PS1 (em breve) — Secret Riso Club / We Make It. 2024 Beneath the Surface: Deep Listening, Buried Narratives and Embodied Resistance — Archive Books / We Make It. Arquivado em: MACBA (Barcelona), Reina Sofía (Madrid), Spore Initiative (Berlim). 2023 Planetary Embodiment: Cooking with Words for Systemic Change & Solidarity — UdK-Verlag. Arquivado em: MET Museum (Nova Iorque).
Nithya Iyer
(Descendente de tâmiles, sul da Índia. Criada em Melbourne, Austrália. Reside atualmente em Lisboa, Portugal). É uma investigadora interdisciplinar que trabalha com escrita, performance e artes visuais. Com formação original em artes performativas indianas, desenvolveu projetos a solo e colaborativos de performance, artes visuais e pedagogia na Austrália, Índia e Portugal. As suas pesquisas centram-se em abordagens fenomenológicas e errantes para a construção de significado a partir de fenómenos contemporâneos. Temas como a "ausência de lugar" ou herança diaspórica, a política do movimento e a antropofagia cultural são os seus principais interesses actuais. Pertence ao The New Centre for Research and Practice.
O resultado final desta primeira edição:
Alexandra João Martins e Eurídice Arratia
Justificação do comité de seleção:
Celina Brás:
Como referido por Eduarda Neves e Luísa Santos, a seleção final foi complexa, de 379 candidaturas foram escolhidas 32 e destas uma shortlist de 10, aqui divulgada. A diversidade e qualidade das mesmas não facilitou o processo de selecção. A escolha das duas candidaturas finais assenta essencialmente na análise de um discurso crítico rigoroso e problematizante, que implica uma argumentação estruturada, um profundo conhecimento teórico da crítica e da relação essencial e fundadora entre esta e a produção artística contemporânea. Bem como, contextualização rigorosa, análise e aprofundamento temático, fundamentação teórica, e uma excelente capacidade analítica e de articulação de conceitos complexos. Pré-requisitos essenciais na avaliação de um discurso crítico consistente. Não obstante, as discussões sobre “a crise da crítica” não são novidade. Ao longo das últimas décadas, têm surgido inúmeros ensaios e fóruns dedicados ao tema, os quais apresentam múltiplos argumentos, mas poucas, ou nenhumas, conclusões definitivas. Foi com base nessa premissa que esta call foi lançada e que se mantêm activa — num contexto em que se assiste a um afastamento das questões primordiais da arte, a uma crise no sector editorial, acompanhada de uma crise comparável sobre o papel e a função da crítica de arte — qual o seu propósito, a quem se dirige, por que meios é disseminada, que critérios —, o que significa escrever sobre arte em 2026? Alexandra João Martins e Eurídice Arratia darão continuídade a esta complexa discussão.
Celina Brás é fundadora e directora da Contemporânea, onde assume igualmente funções de directora artística e programadora.
Eduarda Neves:
Nota prévia: o elevado número de candidaturas e a excelência das mesmas é assinalável. Desta forma, as propostas selecionadas constituem a garantia de uma escolha que nos parece aproximada à exigência da call.
Neste âmbito, os textos apresentados por Alexandra João Martins manifestam a capacidade de uma argumentação conceptualmente densa que exprime o domínio crítico e fundamentado dos múltiplos territórios que convoca para a abordagem dos objectos em análise. Os textos de Eurídice Arratia, de igual forma, traduzem não só uma aproximação rigorosa às obras analisadas mas também uma evidente solidez ao nível das referências enunciadas, assim fortalecendo a construção de uma poética crítica e estruturada.
Eduarda Neves é professora, ensaísta e curadora independente. A sua actividade de investigação e de curadoria articula os domínios da arte, filosofia e política.
Luísa Santos:
A seleção destas duas autoras resultou de um processo particularmente difícil, não apenas pelo elevado número de candidaturas recebidas, mas sobretudo pela extraordinária qualidade e talento demonstrados por todas as participantes. A decisão exigiu uma ponderação muito cuidadosa, dado o nível excecionalmente elevado das propostas apresentadas.
Os textos apresentados a concurso por Alexandra João Martins evidenciam uma excecional capacidade de articulação conceptual, aliada a uma notável maturidade crítica. Destaca-se, de forma particularmente relevante, a forma como a autora estabelece relações consistentes entre referências provenientes do campo das artes visuais e elementos da cultura popular e do quotidiano. Já a escrita de Eurídice Arratia distingue-se pela clareza e acessibilidade, sem nunca abdicar de um elevado grau de rigor e densidade analítica. É igualmente de sublinhar a elevada capacidade de articular os aspetos formais com os conceitos dos objetos artísticos em análise, o que confere aos seus textos uma particular consistência.
Luísa Santos é curadora independente, investigadora e professora portuguesa, doutorada em Estudos da Cultura pela Humboldt-Viadrina (Berlim) e mestre em Curating Contemporary Art pelo Royal College of Art (Londres). Desde 2009, desenvolve uma prática curatorial internacional focada na relação entre arte e transformação social, sendo também professora associada e investigadora na Universidade Católica Portuguesa.
(english)
We are pleased to announce the shortlist for the Writing Residencies of Jornal da Crítica, an initiative of Contemporânea. The selection committee is composed of Celina Brás, Eduarda Neves, and Luísa Santos.
(in alphabetical order)
Alexandra Martins
(1992, Portugal) Holds a degree in Communication Sciences, a master's degree in Artistic Studies from the University of Porto, and is a doctoral candidate in Artistic Studies at FCSH-Universidade Nova de Lisboa, having been a FCT scholarship recipient. She has written for various publications. She collaborated with and was a member of the selection committees for the CurtasVila do Conde and Porto/Post/Doc festivals. In 2017, she was selected for Talent Press Rio and, in 2018, curated the exhibition *Como o Sol/Como a Noite*, as part of the retrospective dedicated to António Reis and Margarida Cordeiro at Porto/Post/Doc.
Duarte Amado
(Portugal). Writes dance and performance criticism, with texts published in Coffeepaste, Jornal de Letras, Jornal Coreia, and an essay for an exhibition catalog. He holds a degree in Law from the University of Lisbon and a master's degree in Philosophy from FCSH-NOVA. As a lawyer, she supports the executive production and programming of theaters, museums, galleries, and festivals in Lisbon.
Eurídice Arratia
(Paris, France). Curator and art critic with a solid international career, working with artists and public and private institutions. She has in-depth knowledge of the contemporary art scene in Europe, the USA, and Latin America. She is a contributor to Frieze, BOMB, Hyperallergic, Art Basel Stories, and ArtAsiaPacific, and author of essays for catalogs of institutions such as the Museo Reina Sofía in Madrid; the Museum Folkwang in Essen; and Art in General in New York. In 2023-24, she spent several months in Ukraine working with cultural institutions and writing about artistic and institutional resilience in times of war.
Filipa Correia de Sousa
(Lisbon, 1992). She is a curator, researcher, essayist, and co-director of the UPPERCUT space in Lisbon. She holds a Master's degree in Philosophy-Aesthetics from FCSH: Universidade Nova de Lisboa, a postgraduate degree in General Philosophy from FCSH: Universidade Nova de Lisboa, and a degree in Painting from the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon. She was a producer and editor at the Calouste Gulbenkian Foundation and curated the exhibition *Inverted On Us* by Catarina Dias at MAAT-Fundação EDP. She regularly writes for catalogs and exhibition leaflets.
Felipe Molitor
(São Paulo, Brazil). Art critic, curator, and researcher based in São Paulo. He works with visual artists, writes critical essays, and develops curatorial projects and public programs, with an interest in the relationships between artistic practice, criticism, and experimentation in both commercial and unconventional art spaces. His texts have been published on the E-flux platform, in Folha de S. Paulo, Arte!Brasileiros, among others.
Francisca Portugal
(Lisbon, Portugal). She is an independent curator and writer. Her practice explores contemporary notions of friendship and empathy. She creates spaces for experimentation, dialogue, and exchange, with a strong emphasis on informal networks and collaborative processes. With an interdisciplinary background in Arts and Humanities, Portugal investigates how friendship intersects with curatorial practices, resulting in a diverse body of work encompassing solo and group exhibitions, public programs, and lectures in independent and institutional contexts. Currently, she focuses on research into archival methodologies, with particular attention to oral history.
Lorena Tabares Salamanca
(Cali, Colombia, 1990). Researcher, writer, and independent curator, working in contexts of wandering, migration, and transcontinentality. Based on a journey that includes Colombia, Mexico City, Lisbon, and Vienna, her work proposes critical readings of art and performance history from para-colonial and alternative approaches. His professional trajectory revolves around collective forms of knowledge production, from perspectives linked to political ecologies, the relationships between the human and the non-human, and corporealities in their relation to linguistic, imaginary, and material territories. In 2023, he completed his Master's degree in Communication and Arts Sciences at the Universidade Nova de Lisboa, with a dissertation focused on the re-enactments and poetics of the Zapatista Movement in its Journey through Life (2021), understood as a contemporary displacement in relation to the archives of modern navigations.
Luís Lima
(1971, Portugal). PhD in Philosophy (specializing in Aesthetics), from FCS/Universidade Nova de Lisboa, as a doctoral scholarship holder from the Calouste Gulbenkian Foundation for a co-tutelage in Paris IV – Sorbonne, in the Department of Literature. FCT scholarship holder in the Master's program in Communication, Contemporary Culture and New Technologies at the same university. He graduated in Communication Sciences with a thesis on the mutual conditioning between criticism and art. He has been the founding director, since April 2023, of the School of Arts at the Autonomous University of Lisbon (UAL). He is an Associate Professor at UAL and a guest lecturer at the Higher School of Design (ESD) of IPCA, where he teaches, among other courses, Image Theories and Writing.
Luïza Luz
(1993, São Paulo, Brazil. Lives in Berlin) is a transdisciplinary artist, educator, and author. Her work focuses on intersectional environmentalism and emancipatory pedagogies, engaging with spatial, textual, sound, performative, and participatory ecologies. Recent books: New publication based on a lecture given at MoMA PS1 (coming soon) — Secret Riso Club / We Make It. 2024 Beneath the Surface: Deep Listening, Buried Narratives and Embodied Resistance — Archive Books / We Make It. Archived at: MACBA (Barcelona), Reina Sofía (Madrid), Spore Initiative (Berlin). 2023 Planetary Embodiment: Cooking with Words for Systemic Change & Solidarity — UdK-Verlag. Archived at: MET Museum (New York).
Nithya Iyer
(Of Tamil descent, South India. Raised in Melbourne, Australia. Currently residing in Lisbon, Portugal). She is an interdisciplinary researcher working with writing, performance, and visual arts. Originally trained in Indian performing arts, she has developed solo and collaborative projects in performance, visual arts, and pedagogy in Australia, India, and Portugal. Her research focuses on phenomenological and wandering approaches to meaning-making from contemporary phenomena. Themes such as "absence of place" or diasporic heritage, the politics of movement, and cultural anthropophagy are among her main current interests. She is affiliated with The New Centre for Research and Practice.
The final result of this first edition:
Alexandra João Martins and Eurídice Arratia
Justification from the selection committee:
Celina Brás:
As mentioned by Eduarda Neves and Luísa Santos, the final selection was complex. From 379 applications, 32 were chosen, and from these, a shortlist of 10 was made, which is published here. The diversity and quality of the applications did not facilitate the selection process. The choice of the two final candidates is essentially based on the analysis of a rigorous and problematizing critical discourse, which implies a structured argument, a profound theoretical knowledge of criticism and the essential and foundational relationship between it and contemporary artistic production. As well as critical mastery, rigorous contextualization, thematic analysis and in-depth study, theoretical foundation, and an excellent analytical capacity and ability to articulate complex concepts. Essential prerequisites in the evaluation of a consistent critical discourse. Nevertheless, discussions about "the crisis of criticism" are not new. Over the last few decades, numerous essays and forums dedicated to the topic have emerged, presenting multiple arguments but few, if any, definitive conclusions. It was on this premise that this call was launched and remains active—in a context where there is a distancing from the fundamental questions of art, a crisis in the publishing sector, accompanied by a comparable crisis regarding the role and function of art criticism—what is its purpose, who is it aimed at, by what means is it disseminated, what are the criteria—what does it mean to write about art in 2026? Alexandra João Martins and Eurídice Arratia will continue this complex discussion.
Celina Brás is the founder and director of Contemporânea, where she also serves as artistic director and programmer.
Eduarda Neves:
Preliminary note: the high number of applications and their excellence is remarkable. Therefore, the selected proposals guarantee a choice that seems to us to be close to the requirements of the call.
In this context, the texts presented by Alexandra João Martins demonstrate a capacity for conceptually dense argumentation that expresses a critical and well-founded mastery of the multiple territories she calls upon to approach the objects under analysis. Similarly, the texts by Eurídice Arratia translate not only a rigorous approach to the works analyzed but also an evident solidity in terms of the references enunciated, thus strengthening the construction of a critical and structured poetics.
Eduarda Neves is a professor, essayist, and independent curator. Her research and curatorial activity articulates the domains of art, philosophy, and politics.
Luísa Santos:
The selection of these two authors resulted from a particularly difficult process, not only due to the high number of entries received, but above all due to the extraordinary quality and talent demonstrated by all participants. The decision required very careful consideration, given the exceptionally high level of the proposals submitted.
The texts submitted to the competition by Alexandra João Martins show an exceptional capacity for conceptual articulation, combined with remarkable critical maturity. Of particular note is the way the author establishes consistent relationships between references from the field of visual arts and elements of popular culture and everyday life. Eurídice Arratia's writing, on the other hand, stands out for its clarity and accessibility, without ever sacrificing a high degree of rigor and analytical depth. It is also worth highlighting her high capacity to articulate formal aspects with the concepts of the artistic objects under analysis, which gives her texts particular consistency.
Luísa Santos is a Portuguese independent curator, researcher, and professor, with a PhD in Cultural Studies from Humboldt-Viadrina University (Berlin) and a Master's degree in Curating Contemporary Art from the Royal College of Art (London). Since 2009, she has developed an international curatorial practice focused on the relationship between art and social transformation, and is also an associate professor and researcher at the Catholic University of Portugal.
OPEN CALL
Esta convocatória é uma iniciativa do Jornal da Crítica, da plataforma Contemporânea, que tem como objetivo selecionar duas candidaturas para uma residência de escrita ao longo de seis meses. Aberta a autores nacionais e internacionais em qualquer fase da carreira. As candidaturas selecionadas receberão um fee para a publicação de textos originais no Jornal da Crítica, entre maio e novembro de 2026, ou seja, um total de três ou quatro textos (dependendo do formato acordado), para a referida publicação online. Os prazos de entrega estabelecidos coincidem com o final de maio, início de julho, final de setembro e final de novembro. Os formatos editoriais a usar são prioritariamente a recensão crítica, o ensaio, conto e, ou, entrevista. Serão facultadas reuniões regulares e a realização de sessões de desenvolvimento e trabalho em estreita colaboração com a direção editorial.
A seleção dos residentes será realizada com base em critérios de adequação aos temas a desenvolver, originalidade e qualidade da escrita. Com foco na arte contemporânea como campo de investigação e produção; incorporando novas metodologias que promovam o pensamento crítico e contribuam para uma visão mais abrangente, expandida e problematizante. Num contexto em que se assiste a um afastamento das questões primordiais da arte, a uma crise no sector editorial, acompanhada de uma crise comparável sobre o papel e a função da crítica de arte — qual o seu propósito, a quem se dirige, por que meios é disseminada, que critérios —, o que significa escrever sobre arte em 2026?
Para concorrer, deverá enviar o seu CV detalhado e quatro textos para apreciação: info@contemporanea.pt
Elegibilidade:
A inscrição deve ser feita individualmente, em nome próprio.
As/os candidatos devem escrever fluentemente português ou inglês.
Devem ter pelo menos (4) quatro trabalhos publicados e creditados.
A experiência de escrita no campo das artes visuais é um fator importante, mas não determinante. As/os candidatos podem vir de outras áreas.
Devem estar disponíveis para todas as reuniões com os editores e consultores.
Quem se candidata deverá ser capaz de finalizar os quatro (4) artigos até à data estipulada.
Não são elegíveis
Candidaturas em nome de uma organização, empresa, instituição, museu ou publicação.
FAQ
Quando decorre o período de inscrições?
O período de inscrições encontra-se aberto entre o dia 9 de Março, segunda-feira, até às 23h59 de terça-feira, 31 de março de 2026. As inscrições enviadas após este prazo só serão aceites se o prazo tiver sido alargado.
Que tipo de candidaturas procuram?
Artistas, autores, curadores, escritores, de qualquer parte do mundo e em qualquer fase da carreira.
As candidaturas têm de ser cidadãos de algum país específico?
O programa de residências é aberto e incentiva a participação de pessoas de todas as nacionalidades.
Existe um limite de idade para se inscrever?
Os candidatos devem ter 18+ anos.
Quantas vezes posso inscrever-me?
Só podem apresentar uma (1) candidatura. Caso sejam recebidas múltiplas candidaturas da mesma pessoa, apenas a primeira será considerada.
O que se espera dos finalistas das residências?
As/os finalistas serão contactados em abril, após uma análise cuidada das candidaturas por parte da comissão de seleção. Receberão um e-mail e deverão, posteriormente, completar um texto solicitado no espaço de uma semana, bem como participar numa entrevista virtual.
Quais são os requisitos da residência?
Completar quatro (4) artigos até 30 de novembro de 2026.
E se não conseguir concluir os artigos exigidos em 2026?
O não cumprimento dos requisitos pode resultar na perda da residência.
Quem analisa a minha candidatura?
As candidaturas serão analisadas pela equipa editorial da plataforma Contemporânea.
Quando serão anunciados os residentes?
Serão anunciados durante o mês de abril de 2026.
Se a minha proposta não for aceite, saberei o motivo?
Devido ao elevado número de candidaturas que geralmente são submetidas, não podemos partilhar o motivo pelo qual a sua proposta não foi selecionada.
Existe um regulamento específico para as/os residentes?
Sim, existe um regulamento com guidelines sobre os temas, objetivos, formatos, extensão, critérios editoriais, públicos-alvo, originalidade, remuneração, entre outros.
Quem devo contactar se tiver dúvidas?
Entre em contacto com: info@contemporanea.pt
OPEN CALL
WRITING RESIDENCIES
This call is an initiative of Jornal da Crítica, from the Contemporânea platform, which aims to select applicants for a six-month writing residency. Open to national and international authors at any stage of their career. Selected applicants will receive a fee to produce articles every two months for Jornal da Crítica, between May and November 2026, i.e., a total of four texts for the online publication. Submission deadlines coincide with the end of May, beginning of July, end of September, and end of November. The editorial formats to be used are primarily reviews, essays, and interviews. Regular meetings and development and work sessions will be provided in close collaboration with the editorial direction.
The selection of residents will be based on criteria of suitability to the themes to be developed, originality, and quality of writing. The focus will be on contemporary art as a field of research and production. Incorporating new methodologies that promote critical thinking and contribute to a more comprehensive, expanded, and problematizing vision. In a context where there is a distancing from the primordial questions of art, a crisis in the publishing sector, accompanied by a comparable crisis about the role and function of art criticism—what is its purpose, who is it aimed at, by what means is it disseminated, what criteria—what does it mean to write about art in 2026?
To apply, you must send your detailed CV and four texts for consideration to: info@contemporanea.pt
Eligibility:
Must be an individual submitting on their own behalf.
Must be able to write proficiently in English.
Must be a published author with (4) pieces of publicly published and credited work in English.
Must be engaged with and intend to write about contemporary visual art.
Must be able to attend all meetings with Editors and Advisors.
Must be able to complete (4) articles before the end of 2026.
Not eligible:
Applications on behalf of an organization, company, institution, museum, or publication.
FAQ
When is the application period?
The application period is open from Monday, March 9th until 11:59 PM on Tuesday, March 31st, 2026. Applications submitted after this deadline will only be accepted if the deadline has been extended.
What type of candidate are they looking for?
Artists, authors, curators, writers, from anywhere in the world and at any stage of their career.
Do candidates need to be citizens of a specific country?
The residency program is open and encourages participation from people of all nationalities.
Is there an age limit to apply?
Candidates must be 18+ years old.
How many times can I apply?
Candidates may only submit one (1) application. If multiple applications are received from the same candidate, only the first one will be considered.
What is expected of residency finalists?
Finalists will be contacted in April, after a careful review of their applications by the selection committee. They will receive an email and will be required to complete a creative text within one week, in addition to participating in a virtual interview.
What are the residency requirements?
Residents must complete four (4) items by November 30, 2026.
What if I fail to complete the required items by 2026?
Failure to meet the requirements may result in the loss of residency.
Who reviews my application?
Applications will be reviewed by the editorial team of the Contemporânea platform.
When will the residents be announced?
Residents will be announced during the month of April 2026.
If my proposal is not accepted, will I know why?
Due to the high number of applications we usually receive, we cannot share why your proposal was not selected.
Are there specific regulations for residents?
Yes, there is a regulation with guidelines on themes, objectives, formats, length, editorial criteria, target audiences, originality, remuneration, among others.
Who should I contact if I have questions?
Contact: info@contemporanea.pt
