Ed. 10-11-12 / 2019
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Entrevista a Emília Ferreira

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José Marmeleira

 

“Concebo o museu como um espaço de memória na construção do presente”

Há dois anos na direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), Emília Ferreira faz o balanço de uma atividade, dividida entre a investigação da História da Arte portuguesa e o encontro com a contemporaneidade.

José Marmeleira (JM): Em 2018 disse, numa entrevista à Lusa, que o Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) não tinha capacidade de apoiar a classe artística contemporânea. Mantém esta afirmação?

Emília Ferreira (EF): Sim, mantenho, embora me referisse ao facto de o MNAC ter uma dotação muito baixa. A nossa capacidade financeira, por exemplo, não permite financiar obras inéditas, quando sabemos que os artistas precisam de ser profissionais. Continuamos com um orçamento baixo, não podemos fazer encomendas. Nem sequer podemos fazer aquisições. Por isso, mantenho: infelizmente não temos modo de apoiar os artistas. A única forma de o fazer é dar a ver as obras, colocá-las perante o público, para que este possa conhecê-las e criar laços com elas.

JM: O que seria necessário para que esse apoio se realizasse?

EF: Muito mais dinheiro do que o existente. Não estou a falar de valores monumentais, mas seria necessário, seguramente, muito mais do que as verbas de que dispomos.

JM: O apoio aos artistas também pode passar pela colaboração com outras instituições museológicas...

EF: Sim, o MNAC sempre teve e continua a ter essa tradição. Estamos a ampliar a nossa rede a vários níveis. Iniciámos uma parceria com Museu Estremenho e Ibero-americano de Arte Contemporânea (MEIAC), de que a exposição do Daniel Canogar é um primeiro momento. Sarah Affonso. Os dias das pequenas coisas foi concebida em diálogo com o Museu Gulbenkian e seguirá para o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e depois para o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves, do mesmo modo que a exposição Metamorfoses da Humanidade de Graça Morais esteve, no ano passado, em Bragança, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, e depois de passar pelo MNAC seguiu para o Museu Nacional Soares dos Reis.

Há uma vontade de colaborar com várias entidades do país. Este esforço de criação de uma exposição beneficia mais públicos e os custos da produção, de publicações, etc., são partilhados. Inaugurámos, há dias, a primeira exposição do MNAC no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves. Trata-se da primeira de uma série de colaborações que iremos programar. São modos de trabalhar que permitem criar redes, fazer mais com os meios que temos. Mas continuamos a tentar assegurar mais recursos, nomeadamente através do mecenato. E com a promessa de mais orçamento para a Cultura, esperamos que haja outra respiração.

JM: Se o MNAC tivesse outra respiração, o que poderia ser feito?

EF: Para começar, o museu devia ser objeto de uma grande intervenção no seu corpo físico, ou seja, no edifício. Temos área disponível para crescer. Isso permitiria aumentar muito significativamente o espaço de exposição, o espaço de reserva, áreas de trabalho. Poderíamos ter um auditório, espaço de serviço educativo, mas sobretudo área expositiva e área de reserva. São, de facto, as duas grandes necessidades. Teríamos, assim, a capacidade de ter a coleção exposta com uma exposição de longa duração, o que daria outro peso institucional ao museu, uma vez que permitiria aumentar ainda mais a nossa fidelização de públicos. Já agora, essa fidelização está assegurada. Temos um público que nos segue, nacional e crescentemente estrangeiro, próximo do museu, atento e exigente. Mas, voltando à intervenção no espaço do museu, a capacidade de exposição da coleção seria outra, certamente. Repare que, sempre que criamos exposições temporárias com obras de maiores dimensões, somos obrigados a retirar a coleção. E isso é, sempre, um drama.

JM: A expansão física do museu alteraria, portanto, a sua capacidade de intervenção...

EF: O aumento da área expositiva permitiria mostrar a coleção que, em termos dos últimos 170 anos, criou o nosso imaginário da arte contemporânea portuguesa; e entendo aqui o ‘contemporâneo’ num sentido histórico, mais lato, desde 1850. Essas peças estão no museu. E criaram a nossa imagem do que foram as ruturas na segunda metade do século XIX, do que foram as nossas vanguardas e do que depois passou a ser a nossa contemporaneidade. É uma herança muito importante, que está sempre a ser retirada do contacto com o público. Trata-se de uma situação que as pessoas se queixam e que também para o museu é penalizadora. Por outro lado, há quem afirme, e com razão, que este museu é um museu, não uma galeria. Mas, com as condicionantes físicas que temos, se queremos trazer a contemporaneidade para o seu interior, pois também somos um museu de arte contemporânea, temos de trabalhar nesse sentido e a escassez de espaço condena-nos a retirar temporariamente a coleção.

JM: Faria sentido prescindir da contemporaneidade, para centrar a estratégia do MNAC na coleção cronologicamente situada entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX? Ou melhor, a arte portuguesa dos períodos mencionados tem qualidade suficiente para atrair públicos, para criar blockbusters?

EF: Em relação à primeira pergunta, creio que isso ficou provado com a exposição do Amadeo de Souza-Cardoso [em 2017]. Mas somos um país pequeno, que tenderá a tornar-se mais pequeno, se continuarmos sempre a estudar os mesmos. Quem faz os grandes nomes não é apenas a História, ou os próprios [artistas], mas a História dá um contributo importante. Determinados momentos históricos olharão para determinados artistas de um modo mais interessante ou interessado do que outros. Não vou dizer que temos aqui muitos artistas que deixariam toda a gente de boca aberta. Mas quando veem a nossa coleção, os visitantes nacionais e estrangeiros ficam agradavelmente surpreendidos. Temos um caminho, que é o nosso. Mas está muito por fazer para cotejar a arte nacional com aquela que foi feita, ao mesmo tempo, em Espanha, França ou Itália. Até porque nem tudo o que foi feito nestes e noutros países, entre os finais do século XIX e o início do século XX, foram vanguardas. Houve e há sempre muitos tempos simultâneos.

JM: Mas a perceção é de que não existiu uma sintonia em termos de modernidade...

EF: Sim, na época, erámos bastante mais periféricos do que somos hoje. É compreensível que haja da nossa certa parte uma reação negativa quando nos comparamos com a vanguardas da Paris do início do século passado. Se recuarmos ao século XIX, não tivemos impressionismo ou foi tardio. Chegámos, historicamente, à conclusão que aqui tudo foi tardio. Ora nem tudo foi tardio. Houve caminhos pessoais e fenómenos que se deram aqui antes de chegarem a outros países. A propósito da exposição da Sarah Affonso, recordo que a possibilidade de as mulheres estudarem na Academia de Belas-Artes se deu em Portugal em 1881, em França em 1897, em Düsseldorf (com a sua importante academia de Belas Artes) em 1918. Mas, de facto, tínhamos muito menos museus, muito menos espaços para ver arte. Um artista que não tem onde beber conhecimento, obviamente que ficará mais limitado. Mas julgo que temos condições na coleção e na arte nacional para fazer boas exposições, para mostrar o nosso caminho, que não tem de estar sempre a ser comparado, mas sim a ser posto em confronto, em diálogo com os outros. E estou convencida que em muitos aspetos ficaremos agradavelmente surpreendidos.

JM: Pode dar exemplos de exposições ou projetos em que isso pode acontecer?

EF: Estamos a projetar um diálogo com a arte catalã, por exemplo. É uma exposição pensada para dentro de alguns anos e não posso adiantar ainda grandes detalhes. Mas, ainda dentro da nossa modernidade, estou convencida que a grande revolução é essencialmente feita através do desenho, e menos com a pintura. Tivemos grandes desenhadores, como o Almada Negreiros, por exemplo. É o mais conhecido, mas continua por estudar mais profundamente o trabalho dele em Madrid e as influências que ele poderá ter tido, nessa cidade, dos seus contemporâneos. Estou convencida de que há, seguramente, linhas de investigação que permitirão descobrir coisas interessantes.  Esse é o fito das exposições, pôr as peças ao lado umas das outras, ver as afinidades que terão, o ar do tempo que mais respiraram. Isso poderá iluminar muitos contextos. É um trabalho que continua por fazer na modernidade, por exemplo. A nossa historiografia tem-se dedicado, com consistência assustadora, aos mesmos, quando continuam muitos artistas por estudar. Mas voltando à pergunta anterior: seria possível fazer boas exposições apenas com essas obras e artistas, entre 1850 e 1950? Sim, digo que seria. Mas é essa a via que quero seguir? Não. 

JM: Porquê?

EF: Uma coisa que fiz nestes dois anos, e espero continuar a fazer, foi estudar vários artistas e áreas da coleção, de 1850 até hoje, mas mantendo a nossa contemporaneidade, expondo os artistas nossos coevos. E, nesse sentido, o Prémio Sonae-Media Arte e o programa Art Cycles são momentos muito relevantes, como são também as exposições temporárias. Não quero compartimentar e criar fossos, mas continuidades, linhas de estudo. Uma das razões porque deixámos de usar a designação ‘Museu do Chiado’ tem muito que ver com isso. Em 1994, quando o museu reabriu, surgiu rebatizado como Museu do Chiado e o nome original, de 1911, [Museu Nacional de Arte Contemporânea], passou para segundo plano. Há pessoas que ainda esperam encontrar aqui uma história do Chiado, como se fosse um museu do sítio. Daí recuperar a designação original. Mantém-nos nessa linha programática: prestar uma atenção à coleção como nos foi entregue em 1911 e a assegurar que o título de museu nacional de arte contemporâneas nos acompanhe e defina...

JM: Voltando à expansão física, quando realizada, considera que alterará profundamente o alcance e a escala da intervenção do museu?

EF: É o que esperamos. Havendo mais espaço, temos a possibilidade de ter uma exposição de longa duração e outras exposições temporárias. O museu poderá servir os seus públicos de uma forma muito mais eficiente, criativa e pedagógica.

JM: Tem alguma previsão de quando isso pode acontecer?

EF: Não, infelizmente, não há uma previsão concreta, embora já vamos ter no próximo ano, graças ao mecenato da Fundação Millennium bcp, um novo espaço expositivo para novas temporárias, de diálogo entre a coleção da Fundação e a nossa e com algumas surpresas.

JM: Se dispusesse desse espaço, bem como de outros meios, que faria de diferente em termos de programação?

EF: Certamente que, como já referi, organizaria uma exposição de longa duração da coleção, de 1850 até ao início do século XXI. Haveria uma alteração substancial na programação do museu. O simples facto de não termos de retirar a coleção, mesmo que as linhas de investigação nas temporárias se mantivessem, permitiria aos públicos ver as obras da coleção em acesso permanente. Por outro lado, se não tivermos nenhuma relação com a contemporaneidade, qual é o sentido de um museu de arte contemporânea? Neste momento, estamos sempre neste equilíbrio difícil: entre mostrar a História e mostrar o hoje, quando temos espaço potencial para fazer as duas coisas. Não se criam relações de afetividade com os espaços museológicos se não tivermos acessíveis aquelas obras que podemos ver com frequência, se não pudermos criar relações de amor com as obras de arte. As exposições temporárias são momentos importantíssimos, mas pela sua própria natureza efémera não nos permitem criar essas relações mais íntimas.

JM: Enquanto diretora e curadora como articulou, nestes dois anos, a sua atividade com a equipa de curadores do museu?

EF: Cheguei com uma ideia que apresentei à equipa e, obviamente, não o fiz de forma autocrática. Não poderia fazê-lo. Não tem que ver com a minha de forma de entender o trabalho em equipa...

JM: Tratou-se de um trabalho em equipa?

EF: Sim, do meu ponto de vista. E creio que do ponto de vista dos meus colegas, também. O que queria era pegar em todos os fios da coleção, do século XIX à nossa contemporaneidade. Para mim é fundamental que este museu mostre a sua coleção e que a possa pôr à prova. Mesmo que não fiquemos deslumbrados com todos os artistas, a verdade é que se não os estudarmos nunca podermos saber se há ou não, na história da arte portuguesa, espaço para o deslumbramento ou para a surpresa. Não podemos avaliar o que desconhecemos. Aquilo que me interessava era continuar a mostrar. Depois fui acolhendo as propostas pessoais de quem conhece a coleção a fundo. A Maria de Aires Silveira está aqui desde 1989, conhece-a de olhos fechados; a Emília Tavares está cá há muitos anos, a Adelaide Ginga, também. Era preciso acolher este conhecimento porque trabalhar em equipa, mesmo que tenhamos uma visão global do que queremos fazer, não significa excluir as propostas dos outros.

JM: Quais foram as suas propostas em termos de curadoria?

EF: Além dos grandes eixos da programação, a exposição da Sarah Affonso, por exemplo. Foi um sonho antigo fazer uma exposição grande da obra da artista. Outra, foi a de voltar a criar espaço no sentido de um diálogo com a coleção. Daí o desafio ao Rui Macedo com a exposição (In)dispensável, reabrindo a coleção ao pensamento contemporâneo. E dentro do interesse em investigar outros artistas ou áreas menos estudadas, há situações concretas que o podem potenciar. O espólio de Veloso Salgado legado ao museu em 2014, e formalizado legalmente em 2018, vai contribuir para que, dentro de dois anos, se apresente algo de novo. Uma linha programática que propus foi a investigação na área das artistas mulheres. Não com uma noção de quotas, às quais sou um bocado avessa. Não tenho um pensamento muito elaborado sobre a questão das quotas, mas à partida não simpatizo, receio que se possa tornar contraproducente no sentido de, por causa de uma questão de percentagem, fazermos algo menos bom. Interessa-me sobretudo apostar na questão da qualidade, sendo que tenho todas as dúvidas de que esse seja um atributo exclusivamente masculino. Sabemos que o mundo dos nossos contemporâneos ainda é muito desconfiado em relação às mulheres. Não se trata de mera impressão minha. É uma avaliação com base em investigação e inquéritos que tenho recolhido sobre as artistas em Portugal. Vão experimentando ainda a resistência que o mundo lhes coloca por uma mera questão de género.

JM: Sente que a realidade estará a mudar?

EF: Sim, mas muito lentamente. Neste ano, tivemos três exposições individuais de mulheres, embora a maior parte da programação continue a ser feita com artistas homens. Digo-lhe que chegaram a perguntar-me porque estava a expor tantas mulheres... continua a haver uma surpresa, o que considero francamente estranho. Não somos uma espécie alienígena, chegada há pouco tempo ao planeta, que vem invadir um espaço alheio. Estamos cá há tanto tempo quanto os nossos parceiros.

JM: Falemos da programação para 2020...

EF: A programação para 2020 já está fechada há mais de um ano. Vamos iniciar o ano com Biografia do traço. A coleção de desenhos do MNAC (1836-1920). Teremos, depois, uma exposição sobre as novas doações, uma outra em parceria com o MEIAC, que comemora este ano 25 anos, uma retrospetiva de Querubim Lapa e a grande coletiva que esteve este ano na Galeria Municipal da cidade de Praga, Cravos e Veludo, Arte e Revolução com a curadoria de Adelaide Ginga e Sandra Baborovska; entre outras exposições.

JM: Continua a explorar uma relação muito intensa com a história...

EF: Estamos a falar de um museu. Concebo o museu como um espaço de memória, na construção do presente. Sem memória não sabemos quem somos. Creio que a responsabilidade dos museus é fazer essa investigação. Mostrar-nos como é que os nossos artistas têm pensado, em que que condições trabalharam, o que produziram, sobre o que têm refletido. Sou historiadora da arte e a história é um instrumento relevante sobre o nosso passado, a nossa identidade, mas, também, um instrumento de trabalho do presente e para a construção do futuro.

JM: Vai comissariar alguma exposição no próximo ano?

EF: Em 2019 trabalhei em quatro. Três em co-curadoria: Graça Morais, com Jorge da Costa; Sarah Affonso, com Maria de Aires Silveira; e Inês Norton, com Adelaide Ginga e uma sozinha, que foi a do Rui Macedo. No próximo ano, irei trabalhar em parceria, mas não como curadora. Corrijo: irei comissariar a exposição do Pedro Gomes, mas felizmente, de resto, não tenho mais curadorias previstas. Foi um esfoço bastante grande fazer curadoria e direção ao mesmo tempo e quero concentrar-me noutras coisas.

JM: Dirigir um museu e fazer curadoria foram atividades conciliáveis? O que lhe dá mais gozo fazer?

EF: Sobrepõem-se. As vezes é complicado, o tempo é finito. E a curadoria é muito exigente, mas a direção de um museu também é. Aliás, é mais exigente, até porque estava mais habituada à curadoria do que à direção. Neste momento, prefiro estar mais concentrada na direção do museu, que tem necessidades prementes, a que urge responder. Por outro lado, a curadoria, é sempre um gosto, mas sinto um alívio grande por não ter de avançar com esse tipo de atividade nos próximos anos. Se continuar na direção do museu, vou evitá-la. E se o fizer, que seja em parceria. É mais interessante, menos solitário, mais desafiante, mais exigente.

JM: Trabalhou quase 18 anos na Casa da Cerca, em Almada. O que lhe trouxe esse período enquanto profissional no domínio das artes visuais?

EF: Na Casa da Cerca, fui curadora, fiz programação, educação. Tratou-se de um trabalho que me permitiu perceber como se faz uma exposição do princípio ao fim. E deu-me um conhecimento do panorama contemporâneo, mais ligado às áreas do desenho, entendido como conceito expandido. Sobretudo, pude perceber como é que uma exposição funciona. Uma exposição é um organismo vivo. Quando se começa um projeto expositivo nem sempre, por vezes quase nunca, sabemos como acaba. Foi essencial essa capacidade de adaptação às mudanças, aos ritmos, às personalidades, às exigências mais práticas do trabalho, que chegaram a coisas prosaicas como pintar uma parede, lixar ou envernizar madeira. É um conhecimento que tenho comigo. Outra coisa que aprendi na Casa da Cerca com a Cristina Gameiro, que atualmente coordena o serviço educativo do Museu Coleção Berardo, foi a necessidade e o objetivo de partilhar o conhecimento de uma forma clara e generosa. Devo-lhe muito isso. É uma pessoa muito atenta. Quando eu podia ter resvalado para uma linha mais obscura da escrita, chamou-me à realidade e isso foi uma dádiva preciosa.

JM: Sente que criou um público na Casa de Cerca?

EF: Sim, julgo que sim e continua lá. Mas a Filipa Oliveira está a fazer um trabalho muito interessante. Não tenho seguido com muita atenção a programação, mas tem alargado exponencialmente o âmbito dos artistas e as iniciativas para outros tipos de público.

JM: O desenho é um tópico privilegiado na sua atividade enquanto curadora e investigadora?

EF: Sim, desenhava muito — o que não significa que desenhasse bem — quando era adolescente, e do lado do meu pai toda a gente desenhava. Tinha o gosto de riscar. É uma coisa muito estrutural para mim, no meu pensamento.  Não que desenhe, agora, mas ficou-me esse gosto e interesse, como disciplina fundadora. O convite da Cristina Gameiro para fazer uma sessão em ‘As Escolhas dos Críticos’, no Museu Coleção Berardo, em 2015, sobre o desenho da Paula Rego, The Rehersal, teve a ver com isso. Sabia bem que eu estudava a disciplina e que tinha esse interesse por ela e pela autora. No primeiro livro que escrevi sobre a obra da Paula Rego, a minha abordagem foi precisamente o desenho. É um domínio que me é muito caro. Mas, no Museu, há uma possibilidade e uma necessidade de abrir para outras áreas, como a pintura, por exemplo. Foi o que aconteceu na exposição do Rui Macedo. São novas possibilidades que se abrem.

 

MNAC-Museu nacional de Arte Contemporânea [Museu do Chiado]

José Marmeleira. Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação (ISCTE), é bolseiro da Fundação Para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e doutorando no Programa Doutoral em Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no âmbito do qual prepara uma dissertação em torno do pensar que Hannah Arendt consagrou à arte e à cultura. Desenvolve, também, a actividade de jornalista e crítico cultural independente em várias publicações (Ípsilon, suplemento do jornal PúblicoContemporânea Ler).

 

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Foto inicial (capa do artigo): Vista da exposição Projecto Systems Synthesis do Colectivo Berru, vencedor do Prémio Sonae Media Art 2019. Foto: José Paulo Ruas (ADF/DGPC). Cortesia MNAC.

Fachada do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (Rua Capelo). © Foto: José Paulo Ruas. Cortesia de Direção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF). 

Fachada do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (Rua Serpa Pinto). © Foto: José Paulo Ruas. Cortesia de Direção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF). 

Aspecto do Hall de Entrada do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (Rua Serpa Pinto). © Foto: Mário Valente. Cortesia de Direção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF). 

Museu das Esculturas do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado. © Foto: Luísa Oliveira. Cortesia de Direção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF). 

 

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