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Workshops


 

No primeiro momento de apresentação pública do projecto Comunidade enquanto Imunidade, desenvolvido pela Contemporânea, em parceria com o MAAT, tiveram lugar cinco workshops temáticos, em formato live, abertos à participação do público e que contaram com a participação dos 20 autores e autoras responsáveis pela produção de conteúdos inéditos para o projecto. 

Estes workshops tornaram-se espaços de conversas informais, geradores de saberes e de afectos. Depois de se elencaram os tópicos que, de forma aberta e especulativa, poderiam orientar a conversa, foi aberta a discussão, com a participação dos vários autores e do público.

 


 

WKS 1

O primeiro workshop do projecto Comunidade enquanto Imunidade, construi-se a partir do tema Proximidade à Distância: Modelos (pré)existentes. Sendo este o momento inicial do ciclo de diálogos e de contacto com o público foi importante proceder a uma apresentação alargada do projecto, e da sua forma que se espera alterável no seu desenrolar, das suas dinâmicas e vontades, passando depois para uma breve exposição daquilo que se alterou (ou não), nas dinâmicas de proximidade e distância, depois da viragem pandémica. A genealogia dicotómica dos conceitos de comunidade e sociedade, articulados em torno de geografias de proximidade e de distância, abriu o debate para os modos e vontades de estar durante o contexto pandémico.

 

 

 

Recomendações de leitura e visionamento:

— Latour, Bruno (2020). What protective measures can you think of so we don’t go back to the pre-crisis production model?. AOC.

— Khosravi, Shahram (2020). Pandemic and Politics of Borders. Four Rooms/The Khan.

 

 

WKS 2

Participação em e além da Presença foi o segundo tema proposto para o workshop #2. Há, nos jogos de linguagem contemporâneos, uma omnipresença dos vocábulos “participação” e “presença”. O conceito de participação foi maioritariamente estudado e analisado na sua relação com acções ou micro-acções políticas, no sentido de uma participação cívica e de uma agência de cidadania em vários formatos. Muitos autores apresentam como exemplos de participação: as Assembleias de Cidadãos e Cidadãs, os Referendos, o Exercício do Voto, as Manifestações e os Protestos e, mais recentemente, os Orçamentos Participativos. Por outro lado, em relação à presença, a principal qualidade que lhe tem sido atribuída relaciona-se, em grande parte, com as dimensões afectivas e emocionais. “Quando se deve estar presente”, “Como se pode estar presente”, “A importância do toque”, entre outros. E, neste caso, a presença faria parte, inquestionavelmente, da participação política. Percebe-se, também, que a participação afectiva, emocional não se pode separar da presença. Há pois, uma dialéctica constante entre participação e presença. E é esta dialéctica que está presente no criar comunidades e no fazer comunitário. Claro que não podemos esquecer que há dinâmicas de vigilância e de opressão que se imiscuem nas dinâmicas de participação e de presença. Foi assim que começou a conversa.

 

 

 

Recomendações de leitura e visionamento:

— 02 Mutual Aid: Rosa Mercedes (2020). The Harun Farocki Institut.

— Marston, C., Renedo, Alicia, Miles, S (2020). Community participation is crucial in a pandemic. The Lancet.

 

 

WKS3

Este Workshop teve como tema Comunidade e Imunidade — a partir de Paul B. Preciado. Nesta conversa, Pedro Barateiro, um dos vinte autores que fazem parte do projecto, apresentou uma leitura hermenêutica e crítica do texto Aprendendo com o Vírus, publicado por Preciado nos meses iniciais da pandemia. Aprendendo com o Vírus assume-se como um dos textos charneira que guiou a criação deste projecto, ao apresentar o modo paradoxal como os conceitos de comunidade e imunidade, mais dos que inclusivos, podem ser exclusivos e criadores de discursos discriminatórios de sujeitos estigmatizados por narrativas de contágio que mantiveram o status quo social durante séculos. Preciado, que baseia a sua análise em Michel Foucault, particularmente na obra Vigiar e Punir, desenha uma genealogia diacrónica que percorre epidemias e pandemias, como a SIDA e a Sífilis, e a forma como estas promoveram modelos isolacionistas, mas também fluxos comunitários.

 

 

Recomendações de leitura e visionamento

— Preciado, Paul B. (2020). The Losers Conspiracy. Artforum.

— Preciado, Paul B. (2020). Learning from the virus. Artforum.

— Vicente, Alex (2020). Paul B. Preciado: “Às vezes me esqueço de que sou um homem”. El Pais (BR).

 

 

 

WKS4

Curadoria e Cura: Virulência e contágio no pensamento contemporâneo foi o tópico que abriu espaço para a conversa que se desenvolveu no quatro Workshop do projecto Comunidade enquanto Imunidade — partindo da genealogia do vocábulo "curadoria" que estabelece as suas relações com as ideias de cura, virulência e contágio. É numa constelação polissémica que integra as dimensões administrativa, jurídica, religiosa e médica que se filia a significação artística do termo nos tempos contemporâneos. Neste sentido, os curadores de arte (seja como conservadores ou criadores de novos discursos) ocuparam sempre um lugar político, na medida em que controlavam aquilo que se inscrevia e reproduzia no regime sensível, organizando o olhar do espectador e contribuindo para a instituição de regimes escópicos. A função implicava, assim, não só uma predisposição estética mas também ética na produção de visões do mundo. Contudo, é só a partir da segunda metade do século XX que a figura do curador se torna tão presente quanto controversa no sistema da arte (contemporânea). A discussão decorre questionando o lugar de cura da arte e do artístico, a sua potência (benigna?) de contágio e virulência.

 

 

Recomendações de leitura e visionamento:

— Chuang (2020). Social Contagion: Microbiological Class War in China.

— Morton, Timothy (2020). Thank virus for symbiosis. STRP The Corona Essays.

— Trampe, Tanja (2020). Can i work like this? In search of presence in pandemic times. On Curating.

— Bailey, K., Lobenstine, L. (2021). It happened. Then nothing happened: how do we respond to the absence of response?. DS4SI Design Studio for Social Intervention.

 

 

 

WKS 5 

Para o último workshop do projecto, contámos com a presença de Natxo Checa, director da Galeria Zé dos Bois, uma das instituições parceiras de Comunidade enquanto Imunidade, para conversar sobre O Poder e a Ação da Programação Cultural: Manifestos e manifestações. Mais do que falar sobre a singularidade inegável que a ZDB tem no panorama português, Checa trouxe um conjunto de reflexões que permitiram repensar o que é a acção da programação cultural e como esta se movimenta entre o manifesto e a manifestação. Os vários participantes partilharam a sua experiência sobre acção e manifesto artístico e cultural, conjugando passado, presente e futuro.

 

 

Recomendações de leitura e visionamento:

— Burke, Siobhan (2020). The artists are in charge. Step 1: Upend the Status Quo. The New York Times.

02020 (2020). Performance Space NY.

— Smith, Cauleen (2020). Covid Manifesto. The Show Room.

Quem somos: Unir sem apagar as diferenças (2020). Ação Cooperativista.

Manifesto on Freedom of Expression of Arts and Culture in Digital Era (2020). Council of Europe.

 

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