Ed. 07 / 2018
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João Seguro

Electra #2: Estupidez

A Electra é uma publicação periódica da Fundação EDP com direcção de José Manuel dos Santos. O editor, e responsável de conteúdos, é o crítico e ensaísta António Guerreiro. Não será alheio ao nome da publicação a necessidade de ancorar o seu leitmotif na atividade principal da fundação, a produção e distribuição de ELECTRicidade, nem na urgência editorial em aludir a um dos mais recursivos enigmas da atividade hermenêutica, o complexo de ELECTRA. É naturalmente uma brincadeira, mas uma brincadeira séria; este trocadilho, proposto pela publicação, é parte integrante do seu manifesto de intenções, pois esta assume-se como uma “revista de crítica, pesquisa, ensaio e reflexão cultural, social e política, que aborda todas as áreas da cultura, promovendo diálogos e oscilações de fronteiras entre saberes humanísticos e ciências, entre disciplinas artísticas diversas, entre teorias e práticas culturais diferentes”.

Para dar continuidade a esta prerrogativa, e continuidade é, de resto, outra palavra chave da declaração de intenções da Electra, invocou-se neste segundo número a temática da Estupidez.

Como é que a Estupidez pode ser tema urgente no mundo de hoje?

Se, em 2002, quando Avital Ronell (que é uma das autoras que contribui para este número) publica Stupidity, a estupidez enquanto temática crítica, era ainda um ténue reflexo daquilo que pode ser hoje — após a ascensão de uma certa forma de fazer política, a estupidez passou a centralizar grande parte dos holofotes mediáticos. Perguntava Karl Krauss “Quem é que, além dos políticos que a cometem, se incomoda em reclamar sobre a estupidez da política?” A resposta está, claro, no silêncio que se faz ouvir quando o tema da estupidez é abordado, ou quando a estupidez desponta à nossa volta. Talvez seja também isso que António Guerreiro nos enuncia no seu ensaio A nossa querida estupidez, quando lembra o personagem do jardineiro Mr. Chance do filme Being There de Hal Ashby. A estupidez brilha nos interlocutores de Chance, quando perante este homem simples, as figuras dominantes de uma certa sociedade Americana se assumem como os destinatários privilegiados da sua agudeza.

Este número da Electra é um breviário dos diversos movimentos da estupidez contemporânea, dotando-a de uma genealogia diversa mas bem documentada, que recua aos tempos bíblicos, a Nietzsche, Musil ou a Flaubert, e avança até ao “génio equilibrado” de Donald Trump ou da Inteligência Artificial.

A revista divide-se por secções, sendo tratado o tema central no segmento Assunto: com textos de António Guerreiro, Yves Michaud, Avital Ronell, Serena Giordano, Alessandro Dal Lago, António Baião e António Pedro Marques. Aqui trata-se acima de tudo da estupidez como um paraconceito (Derrida/Ronell), porventura porque a estupidez não constitui em si uma modalidade filosófica, mas antes um sistema de condições no qual “excede e corroi a materialidade, anda à solta, vence algumas rondas, recua, é levada para casa com o entusiasmo da negação e regressa” (Ronell), podendo por isso ser entendida como o Cavalo de Tróia das performatividades às quais estão expostos os sistemas de pensamento.

Além deste bloco central temos ainda textos de Jack Self (Privatização e o Fim da Privacidade), Kristin Ross (Terrenos e Territórios dos Longos Anos 60), Bernardo Futscher Pereira (sobre a figura e o universo de Nick Cave) e uma curiosa intersecção de textos de Serge Klarsfeld e Pierre-André Taguieff sobre textos infames (Best Sellers e o Último caso Céline).

Ainda a secção Livro de Horas, com um texto diarístico de Ted Bonin (Três semanas de Inverno), um portfólio do pintor Dean Monogenis (Antediluvian Structures), um ensaio sobre a Barcelona que escapa ao olhar dos turistas, por José Ángel Cilleruelo, uma entrevista de António Guerreiro ao historiador Salvatore Settis, e ainda um breve texto de Éric Marty sobre uma misteriosa frase de Rolad Bathes, escrita, mas não publicada, pouco antes do seu desaparecimento em 1980.

Ainda Pedro Levi Bismarck, retomando a temática da arquitetura vertical como arquétipo do absurdo da dominação social, de arregimentação neo-liberal do espaço público, da incapacitação do estado-social e do indivíduo. Para terminar, resenhas de André Dias (A sobrevivência da abjeção) onde percorre Mizoguchi, Pasolini e Michael Haneke. E, também, José Gil e João Pinharanda, ambos com textos sobre a obra de Álvaro Lapa.

Este número termina com um pequeno texto de Pê Feijó sobre a Imaginação. Apesar de ter sido lançado no apogeu de um período que muitos consideram silly (estúpido, idiota?), mas talvez não tão idiota ao ponto de podermos considerar que é leitura que se assemelhe ao ânimo coletivo da época, esta é manifestamente uma proposta que nos deve obrigar a pensar que “a estupidez epocal, social, política, colectiva”(Guerreiro), não pode ser análoga à estupidez individual.

A revista tem periodicidade trimestral e é editada em português e em inglês. 

Revista Electra

 

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OEI #80/81 The Zero Alternative: Ernesto de Sousa and Some Other Aesthetic Operators in Experimental Portuguese Art and Poetry from the 1960s Onwards

A propósito da exposição que comissariou recentemente no MAAT, Hugo Canoilas teve oportunidade de co-editar, em conjunto com Jonas Magnusson, Cecilia Grönberg e Tobi Maier, os números 80 e 81 da publicação OEI, dedicada exclusivamente à arte e à poesia experimental que se produziu em Portugal durante as décadas de 1960, 1970 e 1980.

Para tal empreendimento, Hugo Canoilas e a restante equipa editorial tiveram a preciosa colaboração de Isabel Alves, que permitiu o acesso a centenas de textos e imagens que compõem uma grande parte deste volume de 640 páginas. É uma publicação periódica que tem o formato de um livro, uma enorme compilação que nunca antes tinha sido feita por cá, relativamente a este período e ao millieu. A intensidade das décadas é atravessada pela miríade de temas e práticas, pessoas e acontecimentos, memórias e testemunhos. Em torno de Ernesto de Sousa, figura central da publicação, gravitam nomes como Noronha da Costa, Isabel Alves, Almada Negreiros, Rosa Ramalho, Jorge Peixinho, Túlia Saldanha, Fernando Calhau, Helena Almeida, Irene Buarque, Alberto Carneiro, Ana Haterly, E.M. de Melo e Castro e Álvaro Lapa. Muitos textos de Ernesto que já tinham sido publicados, encontram aqui um inventário exaustivo, e a oportunidade de serem publicados em conjunto e em Inglês, para um público que só muito dificilmente teria acesso às originalidades e descobertas dos anos pré-revolucionários portugueses, e de todo o dinamismo que Ernesto aglutinaria em seu redor, e que é um excelente retrato da época e das épocas que se seguiram.

Para nos dar conta de todas as articulações possíveis de serem feitas no universo Ernesto, Canoilas  convocou um panteão de personalidades: José Miranda Justo, Emília Tavares, Nuno Faria, Paula Pinto, Liliana Coutinho, Rita Fabiana, Maria do Mar Fazenda, Paulo Pires do Vale, Catarina Rosendo, Isabel Carlos, Rui Torres, António Barros, Fernando Aguiar, Bruno Ministro, Sandra Guerreiro Dias, Álvaro Seiça, Susana Lourenço Marques, Miguel von Hafe Pérez, Elvira Leite e Sofia Victorino. Todos a propor análises que permitem um olhar amplo e complexo, não apenas às práticas de, e em torno de Ernesto, mas também acerca das ramificações e das possíveis conversações que são possíveis de imaginar hoje, entre o autor e uma família alargada de outros autores que, reconhecendo ou não essa familiaridade, a habitam em pleno. É assim que surgem neste livro outros nomes, como Isabel Carvalho, Eduardo Batarda, Paulo Mendes, Mariana Silva ou Ana Jotta, ou os autores que integraram a exposição Supergood – Dialogues with Ernesto de Sousa, onde encontrámos o coletivo Supergood, Rita Sobral Campos, Vasco Costa, Jannis Varelas ou Simon Dybbroe Moller.

No texto introdutório, evocativamente intitulado Your body is my body is your body (some notes for a preface), Jonas Magnusson e Cecilia Grönberg citam Ernesto, que num texto chamado Imaginar Portugal, de 1978, exterioriza que “Na prática, e de uma maneira deliberada e progressivamente mais consciente, procuramos destruir a diferença entre a crítica e a operação estética, pelo menos no sector das "artes", até aqui mais ou menos discretas. A informação-discussão dos novos meios operatórios do processo estético moderno (valência do conceptual sobre o objectual, do projecto sobre o objecto) tomam aquela confluência mais urgente e útil. Um certo número de operações que vamos identificando com o nosso próprio projecto criativo são exemplo disso e de outras confluências (passado-futuro, o mesmo e o outro, etc.).”.

É notável que esta seja uma das imagens que ficam como atributo deste “operador estético” — um homem que foi ele próprio lugar de confluência de passado e futuro, que foi ele mesmo, em pleno, e ao mesmo tempo, um Outro.

E é memorável que agora, cinquenta anos passados sobre o lendário Encontro do Guincho (1969) que abre precisamente este volume, exista no nosso tempo e no nosso espaço, lugar para uma tão extraordinária confluência de autores que se juntam neste objeto como se de um picnic experimental se tratasse.

OEI Magazine

 

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 Propeller #2

A Propeller é um projeto editorial, braço armado da organização Hélice – Fotógrafos que usam a fotografia, uma plataforma de criação e educação fundada por quatro  fotógrafos: Duarte Amaral Netto, Rodrigo Tavarela Peixoto, João Paulo Serafim e Valter Ventura.

A Propeller tem, segundo as palavras dos seus criadores “o desígnio de investigar os diferentes atributos associados à estética fotográfica, no sentido de pensar sobre aqueles que são os paradigmas fundadores do medium, mas também para integrar e partilhar a produção mais contemporânea, dando especial atenção a obras que desafiam o que se entende como ‘campo de expansão da fotografia’.”

É editada semestralmente e vai agora no terceiro número que na verdade é o segundo, porque a primeira foi apelidada de número zero; era uma espécie de experiência, de ponto de partida. Cada edição é temática – a #0 foi sobre o Pornográfico, a #1 foi sobre a Mancha e a presente #2 é sobre a Ficção.

Não tem, nem pretende ter, o formato de uma revista; aproxima-se mais do formato de um livro de artista, daqueles que têm uma estrutura interna variável, consoante a experiência individual dos materiais que a compõem.

Para este número foram convidados vários autores, destacando-se a fotografa Lynne Cohen, com obras inéditas datadas de 1978 a 2007, e Letícia Ramos, que expôs recentemente em Portugal na galeria Filomena Soares, com Fake News (Estudo para a Queda de uma Folha de Papel), de 2018. Ambas as propostas vêm dentro de envelopes, colocados nas laterais interiores da capa que suporta o conjunto de materiais.

A obra de Lynne compreende dez imagens de espaços que variam entre o absolutamente inquietante e estranho, e o absolutamente familiar; mas não podemos dizer que são imagens banais, antes que nos transportam para um qualquer cenário de possibilidades narrativas. Cenários que parecem intocados e intangíveis. Estas imagens têm títulos: Office and Showroom (1978), Warehouse (1979), War Game (1987), Autoscooter e Lobby (1980’s) e as desta época são todas a preto e branco. As outras cinco imagens são já do século XXI e têm títulos como Untitled (Rowing) (2003), Untitled (Dog) (2006), e outras três Untitled, Cat Paws, Shooters e Astroturf, todas de 2007. Junto às imagens, duas folhas A4, impressas num papel frágil e semi-transparente com um texto do viúvo da artista. O texto é muito pessoal e relata a forma como Andrew Lugg especula acerca do trabalho de Lynne; como Lynne pensava na relação entre a sua vida e o seu trabalho, nas possibilidades das histórias que o trabalho pode contar ou sugerir.

Do outro lado, no envelope de Letícia, tudo é aparentemente mais contido. Um pequeno livro, de doze páginas, exibe imagens de um braço mecânico, daqueles que existem nas máquinas das feiras para tirar peluches e outros brindes inúteis, serve aqui para transportar uma folha de papel. Essa folha é fotografada em várias posições, enigmática, sobre um fundo negro, iluminada com uma enorme teatralidade. Na verdade é este dispositivo de teatralização do banal que torna o trabalho de Letícia tão fascinante: não sabemos, ou deixamos de saber, sé é a folha de papel, se é o aparato técnico, se são as encenações e os equipamentos que assim permitem, que importam. Ficamos num limbo, algures entre a possibilidade pura dos objetos e a suspeita da sua afinidade ou convergência.

Na secção de escritos da publicação, um ensaio de João Peneda, de título Apontamentos sobre a Ficção; Écfrase, um trompe l’oeil narrativo e algo mais, de Mário Avelar, e ainda as Tales de Ester Krumbachová, originalmente publicadas em Prvni Knizka Ester em 1994.

Um caderno, com os trabalhos da chamada de trabalhos que a Propeller desencadeia para cada edição, dá-nos a oportunidade de conhecer inéditos de Agnieszka Gotowala, Felipe Abreu, Hiro Tanaka e Paulo Simão. A seleção é suficientemente intrigante para nos fazer folhear o pequeno livro para trás e para a frente, numa tentativa de tentar encontrar um qualquer nexo.

Além deste fólio temos ainda dois leporelos: Beyond Zone 0, de Vanessa Silvestre Paulo, e Triaden de Ute Klein, um é um exercício abstrato que nos transporta para um espaço imaginário, o outro é um conjunto intrigante de imagens de homens que abraçam mulheres grávidas. Retratos de intimidade em insólitas posições. Por detrás das imagens de Ute, temos a série Borderline de Sofia Ayarzagoitia, imagens bizarras, a apontar para um certo movimento subcultural sem nome. Teremos de adivinhar…

A Propeller assume-se assim como um momento de profunda consideração entre pares. Quatro fotógrafos, a coordenação de Sofia Silva que assume o leme da máquina, a cumplicidade próxima de Soraya Vasconcelos e o apoio de Andreia Páscoa. Um sem número de outros aliados, nomeadamente a Stolen Books, que suporta uma parte importante do objeto final. Este é um trabalho de amor porque é feito por fotógrafos que usam a fotografia, e os seus colegas que amam a fotografia.

Revista Propeller

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Re.vis.ta #5

A Re.vis.ta é uma publicação periódica com regularidade semestral que se foca nos assuntos da arte, da reflexão e da crítica. Acaba agora de sair o seu número 5 e, como já nos habituaram as suas editoras Flávia Violante e Rita Salgueiro nos números anteriores, há um saudável esforço em aproximar várias áreas do pensamento e da produção artística, sob uma perspetiva cosmopolita e internacional, mas que não menospreza os contextos e as dinâmicas locais. As editoras pretendem, desta forma, que o seu alcance seja em simultâneo abrangente, tendo em conta as ideias mais arrojadas que nos coloca o mundo atual, mas circunscrito à forma como o meio artístico português responde a esses chamamentos. 

O design arrojado de Sílvia Prudêncio e a paginação de Eduardo Ferreira contribui em muito para a experiência e legibilidade deste objeto — dividido em três formatos distintos e em cores de papel diferentes, que servem para sublinhar o título, também ele pensado para acentuar uma reincidência, ou uma revisão, na forma como observamos os fenómenos artísticos, em francês vis pode significar visto, ou do latim, pode significar entusiasmo, e ambas as possibilidades estão bem presentes no material que a Re.vis.ta produz.

O índice deste número 5 aparece na capa do caderno de cor creme e indica um texto de Sofia Lemos, de título A exposição-Diálogo, no qual a autora se debruça sobre a temática dos modelos expositivos e suas evoluções, tema bem caro à Re.vis.ta, e em especial a este número que quase se podia dizer temático, pois o rol de textos e entrevistas aqui apresentados questionam os modelos expositivos. Perguntas a Carlos Antunes (Curador e membro da Direção do CAPC e da Bienal Ano Zero) e a António Olaio, (Artista e Diretor do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra) acerca da cidade e dos modelos de agência das práticas artísticas como parte integrante do tecido socioeconómico e do contexto académico da cidade.

Daniel Peres discorre acerca do CIAJG (Centro Internacional das Artes José de Guimarães) em Guimarães, explicitando a sua orientação programática como uma forma de procurar um modelo propiciatório de exceções, ao tentar ser um “lugar potencialmente constituidor, que ofereça ao espetador margem de manobra para se aproximar de si próprio — caminho longo e ardiloso” (…) que tem que “ser sítio de desconforto e atrito. Ao mesmo tempo que terá de ser receptivo, convocar e acolher.”

No seu texto Portugal, Portugal: um mapa alternativo, Luís Mendonça tenta explicitar que também no cinema há quem procure a excepção, ou melhor, formas excêntricas de atuar no contexto da cinefilia, como forma de resistência à massificação dos modelos dos festivais de cinema, apontando três casos de estudo que justificam essa aproximação.

Eduarda Neves, em Duas ou três coisas que sei sobre ele — O museu de arte contemporânea de Serralves, reflete acerca das trocas insidiosas que têm lugar entre os museus, os agentes culturais e os artistas e que definem, em grande medida, a posição geral dos museus de arte contemporânea enquanto contentores de espetáculos e mercadoria, em detrimento da figura mais desejável do museu enquanto lugar de pensamento, de crítica, e de “tentativas e incertezas” heterotópicas.

Alinhado com esta posição está também o texto de Pedro Levi Bismarck, Porto./Morto. Para uma Crítica da Cidade… no qual ousa uma leitura das dinâmicas políticas que têm transformado o tecido urbano e social do Porto numa expressão acabada da financeirização da metrópole, e da ideia de cidade como mercadoria ou consumível, pronta a ser devorada por utentes provisórios que funcionam como dínamos de exclusão e de supressão do espaço público enquanto ideal da vida comunitária e democrática.

João Mourão e Luís Silva, da Kunsthalle Lissabon, conversam com Óscar Faria, curador e porta-voz do projeto Sismógrafo no Porto, também ele fruto de um conjunto de reparos que um grupo muito variado de artistas e agentes culturais da cidade fazem ao estado atual das coisas. Esses esforços conjuntos concebem esta pequena instituição, de cariz independente, com uma programação dinâmica e irreverente, que não esgota os seus esforços na dinamização das atividades dos seus associados, extrapolando a sua prática a uma instância crítica autónoma, que é de resto o tema da conversa entre os curadores.

Gebert Verheij conversa com Tiago Fróis sobre as Oficinas do Convento. 20 Anos de Resiliência em Montemor-o-Novo. Esta conversa coloca vários problemas em cima da mesa, nomeadamente a obra de proximidade entre o projeto das Oficinas e o contexto sócio-cultural no qual se tem desenvolvido, denunciando as formas de aproximação às necessidades locais como estratégia de resiliência e pedagogia, demonstrando que essa aproximação não amputa as motivações da população local, despertando-as, acima de tudo, para outras hipóteses de troca com outros contextos exteriores, nacionais e internacionais.

Por fim, Mariana Mata Passos expõe os intuitos da Associação Pó de Vir a Ser, sediada em Évora, e que opera desde os anos 1980. Neste texto exploram-se as motivações que levam vários autores a reunir-se nesta cidade com o objetivo de desenvolver trabalho de escultura em pedra.

Nas páginas centrais da publicação encontramos ainda um poster dobrado, impresso em dupla face, com desenhos da autoria de Bruno Borges e impressão da Oficina Arara.

É afinal de contas, uma Re.vis.ta a ter em atenção! Textos e conversas politizadas, socialmente comprometidas, próximas das comunidades e da textura da vida quotidiana, atentas às questões que se fazem sentir nos mais diversos lugares, onde se pensa a prática artística e os modos de a fazer devolver ao mundo aquilo que o mundo lhe confiou.

Re.vis.ta

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João Seguro (1979), vive e trabalha em Lisboa. É artista e professor. Tem mostrado o seu trabalho em exposições, individuais e coletivas, nacionais e internacionais, estando representado em diversas coleções particulares. Lecionou desde 2006 as cadeiras de Estética, Estudos de Arte, Teoria e Crítica da Imagem, Pintura e Seminários de Arte Contemporânea no Instituto Politécnico de Tomar e na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

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