Ed. 04 / 2018
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Jérémy Pajeanc: Sistemas de Criação

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Paulo Mendes

Trabalho de Campo / Artist at Work 
Parte II
Jérémy Pajeanc: Sistemas de Criação

Este artista não está no estúdio com o seu modelo, já o abandonou, o divórcio foi há muito consumado e vai agora a caminho do campo, não a caminhar solitariamente com o cavalete às costas e tintas de óleo na sacola para destrinçar as múltiplas implicações da luz e da sombra numa qualquer reprodução do real imaginado mas a conduzir numa autoestrada em direcção a um parque industrial onde se situa temporariamente a sua oficina de trabalho. Longe dos centros da lusitânia cosmopolita, está localizada a Otiima, uma empresa que começou um programa de residências artísticas No Entulho, com o criador Jérémy Pajeanc, através do seu ramo Otiima Artworks.

Na fábrica, onde os operários trabalham para produzir riqueza, o artista produz transitoriamente trabalhos (obras) sobre a condição de refugiado (ou de apátrida). Neste regime paradoxal de fronteiras, políticas e profissões, não estamos num estado de inocência, mas num estado de sítio em que as certezas dão lugar a dúvidas. A arte como modo de acção, não de produção de valor material mas de produção de valor imaterial.

A mostra dessa produção  – em que a matéria-prima usada nas linhas de produção da fábrica é usada para enfatizar o naufrágio político da velha Europa – acontece na própria fábrica, no local de trabalho frequentado pelos operários que a ocupam diariamente. Nas salas, das casas, desses operários, e nas nossas, os desprotegidos, os excluídos, os desempregados, os fantasmas, estão presentes às nossas mesas. Podemos virar a cara mas não vamos conseguir ver para lá dos vidros sujos, manchados, riscados a ácido, das nossas janelas políticas. Os "outros" – os migrantes, essa entidade estatística, vagueiam lá longe, entre a ilha de Lesbos e Calais, entre o arame farpado erigido pelas democracias europeias e os novos campos de concentração improvisados, a formúla encontrada para os controlar.

Qual a relação entre os actuais métodos de manufactura e trabalho, de soberania e mobilidade vs as noções de criatividade, arte e produção de conhecimento?

Paulo Mendes (PM): Queria começar, a abordagem a estes trabalhos, por algo mais pessoal e mais próximo da realidade dos factos. Pedia-te um relato na primeira pessoa sobre a tua experiência pessoal nas viagens a Calais, aquilo que pudeste observar e as histórias que pudeste ouvir….

Jérémy Pajeanc (JP): Antes de mais, queria fazer uma chamada de atenção à forma como apelidamos os “migrantes”. Que na realidade não o são. Definem-se legal e penalmente, em grande parte, como exilados: exilados de guerra, exilados políticos ou exilados climáticos. Essa nuance é importante no entendimento da questão migratória e na contextualização da situação actual em França, nomeadamente neste caso específico de Calais. Pois, um migrante viaja ou migra para outro lugar por livre vontade, enquanto que os exilados o fazem de modo forçado, adorariam ficar no seu país, mas são obrigados a saírem e a abandonarem o seu território. Com efeito, alguma imprensa e algum público julgam que Calais é um viveiro de terroristas e na verdade a realidade é outra. Confirmei isso, logo na minha primeira ida a Calais.

A minha primeira viagem a Calais foi a meio curso de uma viagem que estava a fazer por França. Estava curioso em visitar e confirmar as primeiras notícias sobre o assunto (há 5 anos atrás). Depois disso, encontrei um amigo camionista de mercadorias internacionais que fazia algumas passagens por Calais, passando pelo Eurotúnel a caminho de Inglaterra. Partilhou comigo que são diversas as angústias quando se realiza um percurso por Calais. Porque são vários os exilados abandonados pelos passadores nas estações de serviço que tem então como último recurso forçarem a entrada nos camiões. O Raphaël revelou-me que são diversos os tráficos e que se fazem nos dois sentidos. Alguns camionistas transportavam exilados desesperados para chegarem a Calais na troca de dinheiro ou de favores sexuais, muitas vezes forçados, sobretudo com mulheres. Mas também que alguns exilados, por desespero, ameaçavam denunciar os camionistas por transporte ilegal de passageiros se não os escondessem no camião e não os levassem até Calais. Na viagem com ele pude acompanhar essa tensão e a presença efectiva dos exilados pelas diversas áreas de serviço nos arredores de Calais: Boulogne-sur-Mer, Montreuil ou mesmo Dunkerque. Registei as primeiras marcas: graffitis sobre os passeios, as portas e as paredes do parque de estacionamento, mensagens gravadas nas madeiras das portas e nas divisórias das casas de banho, nos azulejos dos balneários das áreas de serviços e nos espelhos. Inicialmente, via tudo isto como pedras deixadas pelo caminho para marcar o percurso e não entendia o porquê desse gesto de registo se o intuito de um exilado ilegal seria ser o mais discreto e apagado possível na paisagem francesa.

Em Calais, só mais tarde iria entender o porquê dessas marcas, dessas cicatrizes nos corpos arquitectónicos registos de quem por lá passou.

A chegada a Calais é fortemente acompanhada e direccionada pelas autoridades. Todas as placas de informação dirigem-nos para Calais-centre ou Car Ferry Hoverport. Existem mais duas direcções, mas estão barradas, certamente para melhor filtrar e direccionar as pessoas. Encaminhá-las para a grande jaula rodeada de cercas e gradeamentos, minuciosamente vigiada e ornamentada de arame farpado.

Inicialmente só consegui avistar de fora toda aquela microcidade dentro da cidade. Uns três ou quatro hectares de acampamentos e pré-fabricados espartanos organizados em ruelas e avenidas parcialmente geometrizadas. Avisto duas filas intermináveis de pessoas que preenchem o desenho em serpente das ruelas da Selva de Calais. Após mais umas idas a Calais e depois de me ter infiltrado em duas associações presentes na Selva (Utopia 56 e L'Auberge des Migrants) a entrada no recinto e o contacto com eles foi-me permitido e por fim efectivado. À minha frente, crianças, menores e jovens adultos de 30 anos. Formados. Antigos mandatários de grandes empresas, professores de escolas e universidades e responsáveis de outras instâncias públicas ou privadas. Uma elite dos seus países de origem em desespero de democracia que tiveram acesso ao conhecimento e assim ao despertar de uma consciência para alcançar liberdade fora dos regimes totalitaristas.

Os exilados de Calais são uma elite mundial, longe dos estereótipos apresentados pelos media; como se tratasse de gente perdida e miserável, pólvora do terrorismo radical.

Eles são os que tiveram meios para sair de uma miséria política, social e económica anunciada e garantida. Gente muito jovem, mas aparentemente envelhecida pelas barbas e o cansaço doloroso das longas viagens às escuras, pela perda das suas famílias e dos seus países maternos. Que não desejam ficar em França, mas sim rumar para Inglaterra. Todos falam inglês fluentemente. Muitos falam cinco línguas, mas nem todos falam francês. Também porque é mais fácil arranjar trabalho em Inglaterra mesmo sem papéis. Muitos viajaram sós, com apenas onze anos, após terem pago entre três mil a cinco mil euros, lançados pela família para uma vida melhor numa Europa idealizada pelos retratos de um passado fraterno e acolhedor, hoje inexistente na realidade. Esses mesmos são hoje, em Calais, vítimas de violências brutais, ataques com gás lacrimogéneo e humilhações pelas autoridades. Não posso afirmar que serão todos, mas é certo que alguns agentes são responsáveis por essa violência contínua. Funcionários públicos da república francesa que afirmaram no passado respeitarem os direitos do homem. A mesma que fundou a sua república alicerçada sobre três pilares fundamentais do pensamento contemporâneo: a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Estarão esses valores agora no subsolo? Essa é a mesma república que hoje rejeita desumanamente uma massa populacional violentada pelas guerras dos regimes ditatoriais, flageladas pelas mudanças climáticas dantescas. Hoje esses exilados são tratados em França como animais enjaulados numa selva, acordados de três em três horas ao som dos tractores e outras máquinas de desbaste, ao som dos gritos das autoridades que se cruzam com o emaranhado do choro de desespero das vítimas ou com o som das bombas de gás lacrimogéneo que descarregam a raiva fascista da ignorância.

Calais é hoje uma ratoeira grotesca, onde os exilados não tem saída possível. Não podem regressar ao seu país de origem porque são perseguidos pelos regimes fascistas, e não tem o direito de passagem para irem para Inglaterra porque França resolveu ser o porteiro de Inglaterra. Inglaterra que não pertence ao Espaço Schengen e que não faz esse trabalho.

O Mediterrâneo deixou de ser o cenário idílico do cinema europeu e mundial e passou hoje a ser o cemitério dos muitos exilados de guerra torturados em fuga dos regimes ditatoriais perdidos nas águas. Calais ficará na história como a ratoeira europeia sem tecto da injustiça e desigualdade, lugar sem direitos e sem lei para os exilados. A França e a Europa terão vergonha no futuro dos actos desumanos e irracionais que acontecem hoje sobre essa população migratória e terão de responder por isso.

PM: Os teus bisavós, há décadas atrás, fizeram o percurso contrário: emigraram para África e posteriormente rumaram a França. Nasceste em Paris e, mais tarde, regressaste a Portugal e ao Porto onde estudaste na Faculdade de Belas Artes. Nestes ainda breves anos de trabalho já várias das tuas obras abordam a questão da fronteira, da emigração e dos refugiados, nomeadamente as obras: MER DeuropeMERDEurope (2016), Passos em Volta (2015), TRAFIC (2015) ou EXILADOS | heróis de uma nação (2015).

Este era um assunto sobre o qual estavas atento e ias recolhendo informação. Como se desenvolveu o processo de trabalho para interligar essa temática recorrente, e os discursos de outras obras anteriores, com as possibilidades abertas com a residência na Otiima artworks para produzir um tipo de trabalho coerente, pertinente, mas tecnicamente mais diferenciado?

JP: A temática das fronteiras e da migração é algo que me tem acompanhado desde o início. Faz parte do meu percurso artístico porque a minha família é fruto disso, eu próprio sou fruto disso, bem como toda a nossa rede familiar que foi sendo construída em vários países e continentes nos quais nos fomos formando e estruturando: África, França, Canadá, Espanha, Peru, Portugal entre outros.

No meu seio familiar, nem todos puderam viajar ou migrar livremente e, por isso, migraram de forma ilegal: via passador, dentro de contentores de carga naval, a pé seguindo a linha internacional do comboio no sentido norte da Europa. Modos diversos para fugir às pressões políticas, à falta de estabilidade económica e cultural ou simplesmente por desejarem uma vida em liberdade.

Todas essas peças, de certo modo, ilustram as diversas situações que formam o meu histórico familiar.

O meu interesse por Calais veio por afinidade e proximidade com o meu historial. Por sentir que poderia estar dentro de toda aquela massa populacional, tal como os meus antecessores estiveram. Tentar acompanhar, como que voltando atrás no tempo, o percurso de um deles, aqui agora.

Somando o tempo de preparação, com as viagens, as imagens e as conversas com os diversos membros envolvidos nesta excursão humanitária chegamos a um período de aproximadamente cinco anos.

É verdade, que já tinha este projecto na manga há algum tempo. Mas o facto de trabalhar com ácido hidrofluorídrico dificultava a realização no atelier. O uso desse ácido exige um espaço apropriado, para tal, com ventilação, onde pudesse reciclar o ácido após a sua aplicação, e isso só me seria possível num contexto fabril. Por isso aproveitei o contexto da residência na Otiima para desenvolver estes trabalhos cumprindo a vocação primeira dessa fábrica: o trabalho do vidro, do metal, da caixilharia e a sua montagem.

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PM: As palavras são importantes símbolos enquanto manifestação de protesto, marcas escritas e sonoras de descontentamento. Aqui assumem grande importância pela apropriação a que são sujeitas e pela marca indelével (como o ferro em brasa no corpo dos antigos escravos) que deixam, através do ácido hidrofluorídrico, nos vidros que fecham naquelas caixas a realidade, as memórias dos refugiados. As palavras de ordem são muitas vezes jogos de palavras.

Como escolheste o título da exposição (Sans toit ni loi)?

Como foste documentando, arquivando e retrabalhando os slogans presentes nos acampamentos da Selva de Calais?

JP: Todas essas frases soam ainda como um eco, desde o dia em que um exilado me contou que muitos o faziam, como se se tratasse de uma carta, uma última mensagem que ali deixavam gravada, em França e para o mundo. Uma última tentativa de deixar uma palavra de humanidade numa Europa que não os soube ouvir e que não os acolheu.

Todas as frases e mensagens pintadas a ácido sobre os vidros são tags ou graffitis presentes em Calais ou nas estações de serviço de cidades periféricas. São registos fotográficos das diversas idas lá, enquanto cidadão francês, copiloto de um camionista,  membro associativo infiltrado no interior da Selva. Imagens que ilustraram notícias, jornais ou manifestos sobre esta questão. Mensagens que são apagadas diariamente pelas autoridades francesas, num desejo vincado de fazer desaparecer e abafar essa realidade, que é infelizmente uma vergonha histórica. Pois estes “campos de refugiados” são semelhantes, a meu ver, aos campos de concentração concebidos para os judeus. Com uma grande diferença é certo, a Selva de Calais tem no seu interior associações que acompanham e dão apoio aos exilados que se encontram sem tecto e são tratados sem direitos, não estando ao abrigo da lei.

Sans toit ni loi é o título de um filme de Agnès Varda, de 1985, que retrata a vida e desenha o percurso de uma rapariga sem-abrigo que infelizmente é encontrada morta à margem dos olhares e preocupações de todos. Como não fazer a ligação com a situação actual de cada um dos exilados presentes em Calais que se encontram hoje renegados pela Europa, sans toit ni loi.

PM: Como foi decorrendo o trabalho de produção das obras apresentadas? De que forma te apropriaste das matérias-primas disponíveis, descobrindo as suas potencialidades e interagiste com os operários das oficinas na sua concretização?

JP: Iniciar um programa e a produção de uma ou diversas peças num contexto fabril nunca é evidente. Há sempre um tempo de adaptação de ambas as partes. A procura de um timing coincidente, de uma sinergia comum no entendimento e na produção dos trabalhos. Para facilitar reunia semanalmente para apresentar as variáveis e evolução da concepção e do conceito das peças. Ilustrava sempre os desenhos técnicos das peças com imagens e registos fotográficos de Calais, para os envolver também na reflexão ética daquela questão do ponto de vista da sociedade que partilhamos.

Os trabalhadores da Otiima foram sensíveis a esta temática e envolveram-se porque queriam “ajudar esta causa e apelar às consciências, por meio de uma Arte ainda melhor”. Agradeço imenso aos mais empenhados que trabalharam e se envolveram de tal modo que coassinámos uma peça. Foi a minha forma de agradecer e retribuir todo o seu empenho.

PM: A apresentação final dos trabalhos decorreu nas instalações da Otiima, em espaços comuns, onde os trabalhadores se encontram, por exemplo, durante as refeições e nas oficinas, entre os materiais armazenados e o ruído produzido pelo trabalho que ali vai sendo efectuado pelos operários. Não estamos no cubo branco da galeria mas no armazém, que incorpora as marcas do trabalho de uma oficina.

A produção fordista, industrial, de objectos transformados em valor, é temporariamente confrontada com objectos únicos também ali produzidos, mas de forma quase artesanal que se distinguem pela sua inutilidade imediata. São uma potencial mercadoria, mas não imediata. Permanecem como fantasmas naquele espaço quotidiano de trabalho, enquanto forma de pensamento materializado. Os produtos que saem da linha de montagem são expedidos para os seus destinos comerciais, concretizando o fim para o qual foram fabricados. O confronto entre o material e a dimensão imaterial.

Parece-te importante essa relação entre dois tipos diferentes de trabalho coexistirem no mesmo espaço industrial?

JP: Estando eu inserido numa residência, num contexto fabril / industrial, seria impossível não assumir isso.

Camuflar? Nem pensar. A sala branca seria demasiado estéril e longe de quem tudo deu para que o projecto avançasse.

A minha ocupação na Otiima foi pluriespacial e todo o meu labor foi partilhado com os diversos membros da Otiima, não vejo o porquê de isolar numa sala neutra os diversos trabalhos, sem que eles pudessem usufruir dos resultados.

As oficinas não foram só espaço de confecção das peças, mas também sala de discussão e ponderação, sala de montagem e prototipagem, por isso, porque não serem também a sala de apresentação das mesmas?

A reflexão não tem de ser alheia ao espaço oficinal, sobretudo num contexto de residência artística. 

 

Jérémy Pajeanc

Residências Artísticas No Entulho

Otiima Artworks

Paulo Mendes é artista plástico de formação, curador de exposições e produtor de projectos culturais. Apresenta o seu trabalho individualmente e em colectivo desde o início da década de 90. O seu trabalho caracteriza-se pela contaminação entre as várias disciplinas – o cinema, o design, a arquitectura, a música, o teatro a dança –, e pela diversidade de meios de suporte que cada projecto determina – a pintura, o desenho, a fotografia, o vídeo, a instalação e a performance. Ao longo de vinte e cinco anos de trabalho, participou em aproximadamente trezentos projectos expositivos e performativos, tendo comissariado e produzido mais de setenta exposições, independentes e institucionais, que marcaram o desenvolvimento do trabalho de uma nova geração de criadores e lhe proporcionaram um extenso conhecimento das práticas artísticas em Portugal.

 

Esta entrevista resulta de duas visitas à Otiima, em Fevereiro e Março, para conhecer o programa de residências, perceber o processo de trabalho e, mais tarde, visitar o resultado final, ou seja, as obras concebidas e instaladas pelo criador Jérémy Pajeanc.

 

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

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Jérémy Pajeanc, Vistas da Instalação das obras do projecto Sans toit ni loi nas oficinas da Otiima, 2018. Projecto de residências artísticas No Entulho-Otiima Artworks. Fotografia Paulo Mendes Archive Studio.
 

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