Ed. 06 / 2018

Agenda

17 nov 2017
13 jan 2018
Pausa
Claire de Santa Coloma
3+1 Arte Contemporânea

A 3+1 apresenta a nova exposição de Claire de Santa Coloma (Argentina 1983), recentemente galardoada com o Premio Novos Artistas Fundação EDP 2017. Nesta exposição, composta por trabalhos de esculturas em madeira e obras sobre papel, a artista procurou montar as peças de forma a criar lugares de ponderação, interrogando assim o modo de ver e nos relacionarmos com as obras, gerando uma dinâmica em que se passe mais tempo com um objecto, para lá da noção dos três segundos de tempo médio de observação de uma obra medida pelas instituições artísticas.

As esculturas, em diferentes tipos de madeira, prosseguem a pesquisa do meio e o jogo entre espacialidade e forma que Santa Coloma tem desenvolvido recorrendo a várias técnicas, resultando em superfícies múltiplas, abertas a interpretação e exame. Aqui, a fisicalidade das superfícies é posta em evidência pela qualidade ondulante das peças, revelando-se e estabelecendo paralelos com as obras de maior polimento. Uma escultura-banco surge frente a uma obra pictórica montada na parede. A artista posiciona e guia deliberadamente o observador neste cenário formal, deixando implícito um modo de ver, talvez uma pose de descanso que permita ao olhar perder-se na peça horizontal, ou apreciar cada objecto e recordar experiências tidas em plataformas formais, como num museu. Nestes momentos e perspectivas íntimas, sentados ou circundando os objectos, a artista tenta travar o tempo, enquanto explora a forma como a cultura contemporânea devora imagens e informação, apresentando uma arena e lugar de trégua afastado da voragem do consumo quotidiano e oferecendo, assim, breves momentos e contextos de pausa, pensamento e ruminação de tudo quanto é absorvido e produzido. 

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19 jan 2018
3 mar 2018
Atrás do pensamento
Tiago Baptista
3+1 Arte Contemporânea

Inauguração 19 jan 2018 19h

Atrás do pensamento é o título da próxima exposição individual de Tiago Baptista na galeria 3+1 Arte Contemporânea. A pintura de Tiago Baptista, (Leiria 1986), num primeiro vislumbre, é como uma sequência de paisagens que nos confronta com imagens que detêm uma forte componente cinematográfica, no sentido em que cada pintura é como um momento de uma narrativa que se encontra num espectro de outras narrativas. Esta exposição intitulada “Atrás do pensamento” convoca, de um modo paradoxal, esse movimento que pode ser uma perseguição à reflexão e ao pensamento enquanto processo subjectivo ou, simultâneamente, uma aparente absurdidade perante a consciência do ser que se pensa a si mesmo, mas escolhe um outro caminho para se libertar da palavra que, sob a égide do entendimento, o limita perante a objectividade e o valor hipotético da verdade.

Atrás do Pensamento (Behind thought) is the title of Tiago Baptista’s upcoming solo show at gallery 3+1 Arte Contemporânea. At first glance the painting of Tiago Baptista (Leiria 1986) is like a sequence of landscapes that confront us with images with a powerful cinematographic component, in the sense that each painting is like a moment in a narrative within the spectrum of other narratives. Titled Atrás do Pensamento (Behind thought), the exhibition paradoxically convokes that movement that could be a pursuit of reflection and thought as subjective process or, simultaneously, an apparent absurdity vis-à-vis the consciousness of the being that thinks itself but chooses another path to free itself from the word which, under the aegis of understanding, obstructs it vis-à-vis the objectivity and hypothetical value of truth.

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25 nov 2017
21 jan 2018
Please
Diana Carvalho
A Maior

Fragmento do projecto Ilha de Faro, que constitui uma série de registos de observação de cenas quotidianas, passadas nesse mesmo local.

Neste trecho, uma voz que induz a uma urgência crescente, dirigida a quem olha, diz:

Faz-me um favor, põe-me aqui… põe-me aqui a toalha, please! E põe-me o cabelo atrás da orelha. Se fazes o favor, Diana. Podes-me pôr aqui a toalha, se fazes o favor? Estás a ouvir o que eu estou a dizer? Oh Diana, assim vou estragar as unhas!

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30 nov 2017
21 dez 2017
Sleeping Village
Bruno Cidra e Gonçalo Barreiros
Appleton Square

Sujar as mãos

Há coisas que não se aprendem nos livros. Fazer andar é a expressão usada por trabalhadores da construção para descrever o acto de deslocar volumes pesados através de lugares improváveis ou aparentemente inacessíveis, usando apenas métodos empíricos. Fazer andar foi o título da última exposição que juntou Bruno Cidra e Gonçalo Barreiros. Sleeping Village é a sua segunda exposição, onde retomam a ideia de um regresso a princípios fundamentais da escultura, numa prática assente na experiência directa de transformação de um material.

O título da exposição remete para a imagem de uma superfície silenciosa e de um rumor que se agita por debaixo. Frequentemente numa exposição, este rumor pode ser formado pelo conjunto de conceitos e referências que jazem ocultos nos objectos. Aí, a função de uma folha de sala é desenterrá-los. Dizer ao espectador que uma coisa não é apenas uma coisa, mas também todo um panteão de fantasmas que ela invoca. Além da oportunidade de ler palavras bonitas acabadas em "ismo" ou "cidade", fico com a sensação de que, muitas vezes, a folha de sala serve para me apresentar as razões pelas quais eu me devo convencer que ficar a olhar para o saca-rolhas é bem melhor que beber um copo de vinho. - Jorge André Catarino

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11 jan 2018
1 fev 2018
Destined for failure
Dealmeida Esilva
Appleton Square

Curadoria — Nuno Crespo

A possibilidade do ensaio como metodologia artística é muito conveniente ao modo como Dealmeida Esilva entende e pratica a pintura. Sublinhe-se tratar-se de um artista cujo trabalho se faz a partir de um treino e disciplina diária: uma daily practice of painting, como lhe chama o pintor alemão Gerhard Richter, que não se deixa guiar por ideias de projectos, temas ou necessidades externas, mas pela acção contínua do pintar, da mesma forma que um texto se faz lendo, uma música cantando, um poema dizendo.

Depois tratam-se de obras, como as que podemos ver nesta exposição, onde se ensaiam jogos de similaridades. Não é um jogo didático destinado a estabelecer e a justificar relações históricas temáticas ou estilísticas, mas, à maneira de Warburg, o artista é uma espécie de vedor que detecta correntes subterrâneas que unem diferentes coisas para as quais propõe uma vida conjunta. O que as une não são relações analógicas directas, mas, à maneira do historiador Warburg que o artista tanto admira, mas energias subterrâneas que ligam coisas aparentemente distantes como Cézanne e Apolo ou Tiziano e o grafíti. Relações equívocas com as quais o artista se relaciona não como quem se relaciona com um modelo paradigmático que se copia, segue e imita, mas que se constituem como rede de influências que se materializam na singularidade de cada obra. Nuno Crespo (excerto do texto da folha de sala).

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16 fev 2018
8 mar 2018
Simpósio
Rita Gaspar Vieira
Appleton Square

Curadoria — Sérgio Fazenda Rodrigues

Inauguração 15 fev 2018 22h

A exposição que Rita Gaspar Vieira apresenta, é formada por uma instalação de grandes dimensões e por um conjunto de monotipias, e pequenas pinturas. O título faz referência ao livro Simpósio, de Platão, onde se debate um elogio ao amor (Eros) e à ideia de verdade. Nele, como no trabalho da artista, a simplicidade, a relação intrínseca entre o que é útil e o que é belo, e a lógica da justa medida, surgem como linhas de referência.

O trabalho de Rita Gaspar Vieira incide numa outra forma de pensar os objectos e o seu registo. Nestas obras, o fabrico e manuseio implicam a proximidade do toque, e o desenho nasce de uma quase fusão entre a pele de quem desenha e a pele do que é desenhado. A exposição tem um sentido arqueológico que funciona pela leitura de várias camadas e é na sobreposição entre a parte e o todo, ou entre o individual e o colectivo, que se nomeia um espaço de encontro e de partilha. Um lugar de justa medida.

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28 out 2017
4 fev 2018
Tawapayera
Atelier-Museu Júlio Pomar

Curadoria — Alexandre Melo

A exposição Tawapayera, com curadoria de Alexandre Melo, com obras de Júlio Pomar, Delameida Esilva, Igor Jesus e Tiago Alexandre, está integrada na programação da Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017, no Atelier-Museu Júlio Pomar, e dá seguimento ao programa de exposições do Atelier-Museu que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.  

Mais uma vez, esta exposição é pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, onde Júlio Pomar e três artistas mais jovens – Dealmeida Esilva Igor Jesus e Tiago Alexandre –, através de diferentes meios, exploram diferentes culturas e imaginários ibero-americanos.

A propósito desta exposição Tawapayera é oportuno citar o seu curador: "A minha relação com Júlio Pomar é feita de momentos muito diversos na sua obra e na minha vida. O interesse com que pela primeira vez vi alguns dos seus trabalhos renova-se na clareza com que os recordo em momentos inesperados. Foi assim com as pinturas Amazônicas. Quando tomei banho no rio Amazonas lembrei-me de as ter visto. Quando participei nas festas dos Bois Bumba de Parintins tornaram-se mais importantes. Não é uma questão de realismo. Para os artistas, e para as pessoas vivas em geral, a energia e a vida e, se possível, a alegria são matérias para um desafio e um encontro que, neste caso, foram aceites por Júlio Pomar, Dealmeida Esilva, Igor Jesus e Tiago Alexandre. Um encontro, também, entre uma multiplicidade de práticas artísticas, hoje, e de culturas e imaginários ibero-americanos, ontem e amanhã.”

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28 out 2017
4 fev 2018
Tawapayera
Atelier-Museu Júlio Pomar

Curadoria — Alexandre Melo

A exposição Tawapayera, com curadoria de Alexandre Melo, com obras de Júlio Pomar, Delameida Esilva, Igor Jesus e Tiago Alexandre, está integrada na programação da Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017, no Atelier-Museu Júlio Pomar, e dá seguimento ao programa de exposições do Atelier-Museu que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.  

Mais uma vez, esta exposição é pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, onde Júlio Pomar e três artistas mais jovens – Dealmeida Esilva Igor Jesus e Tiago Alexandre –, através de diferentes meios, exploram diferentes culturas e imaginários ibero-americanos.

A propósito desta exposição Tawapayera é oportuno citar o seu curador: "A minha relação com Júlio Pomar é feita de momentos muito diversos na sua obra e na minha vida. O interesse com que pela primeira vez vi alguns dos seus trabalhos renova-se na clareza com que os recordo em momentos inesperados. Foi assim com as pinturas Amazônicas. Quando tomei banho no rio Amazonas lembrei-me de as ter visto. Quando participei nas festas dos Bois Bumba de Parintins tornaram-se mais importantes. Não é uma questão de realismo. Para os artistas, e para as pessoas vivas em geral, a energia e a vida e, se possível, a alegria são matérias para um desafio e um encontro que, neste caso, foram aceites por Júlio Pomar, Dealmeida Esilva, Igor Jesus e Tiago Alexandre. Um encontro, também, entre uma multiplicidade de práticas artísticas, hoje, e de culturas e imaginários ibero-americanos, ontem e amanhã.”

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15 fev 2018
29 abr 2018
Chama
Atelier-Museu Júlio Pomar

Curadoria — Sara Antónia Matos

A exposição Chama, com curadoria de Sara Antónia Matos, com obras de Júlio Pomar, Rita Ferreira e Sara Bichão, no Atelier-Museu Júlio Pomar, dá seguimento ao programa de exposições do Atelier-Museu que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade. 

Mais uma vez, esta exposição é pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, onde Júlio Pomar e duas artistas jovens – Rita Ferreira e Sara Bichão – expõem os seus trabalhos.

Nas palavras da curadora, Sara Antónia Matos: “Quando convidei as artistas Rita Ferreira e Sara Bichão, em pontos diferentes do seu percurso, a expor com Júlio Pomar, tive em consideração uma dimensão da arte a que tem sido dado pouco destaque, ou pelo menos, um realce pouco nítido. Falo de uma dimensão visceral, associada à libertação de energias intuitivas, por vezes com uma vertente escatológica, envolvida na produção da arte, na qual Louise Bourgeois, Ana Mendieta, Hermann Nitsch, Rebecca Horn, Marina Abramovic, entre outros, se inserem de diferentes modos. Em todos estes artistas, a dimensão visceral e a vertente escatológica parecem prender-se com uma necessidade de materializar e assim superar: traumas, fixações, resistências do sujeito psicológico (vividos ou ficcionados) ou ainda estar associada à representação de rituais iniciáticos, ritos do fazer, etc. 

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17 nov 2017
13 jan 2017
fuck it’s too late
Binelde Hyrcan
Balcony Contemporary Art Gallery

Curadoria — Ana Cristina Cachola

A galeria Balcony inaugurou a 16 de novembro a segunda exposição do seu programa e a primeira individual do artista Binelde Hyrcan em Portugal. Com curadoria de Ana Cristina Cachola, a exposição fuck it’s too late reúne um conjunto alargado de trabalhos, na sua maioria inéditos e criados entre o atelier do artista em Luanda e a cidade de Lisboa.

Com instalação, pintura, fotografia, vídeo e outros “mambos”, Hyrcan traz até à Balcony toda a “sua banda” – candongueiros, jacarés e artefactos “hidráulicos”, histórias de rua e vozes dos manos e manas que com ele criam economias de afetos na Luanda contemporânea. Entre os novos trabalhos, destaca-se a frase que dá título à exposição - fuck it’s too late, escrita a néon e que Hyrcan quer manter aberta à pontuação de cada visitante.

“fuck it’s too late para que um artista angolano possa enviar uma galinha para o espaço, uma história que só faz sentido se contada por Binelde Hyrcan em discurso directo. Contudo, Fuck is too late  refere também a  ambiguidade latente da ideia de tempo e temporalidades na sua relação com a dimensão sócio-local da economia. Partindo do contexto da Luanda contemporânea, aliás, da ilha de Luanda, onde Hyrcan reside com a sua família, o artista recupera diversas camadas biográficas, configuradas em conversas, visualidade vernácula, e um comércio benigno de afetos e produtos distintos. Hyrcan, que nunca abandona o registo tragicómico, traz à discussão uma economia angolana obliterada do discurso mediático: o comércio local, os candongueiros, as relações pessoais que permeiam as trocas ou as vontades comerciais” descreve a curadora Ana Cristina Cachola.

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27 jan 2018
1 mar 2018
Dissonant Counterpoint
Diana Policarpo
Belo Campo

Inauguração 26 jan 2018 22h

A performance-instalação Dissonant Counterpoint é mais um capítulo no longo trabalho de investigação, resgate e reinterpretação de Diana Policarpo da obra da compositora ultramodernista Johanna M. Beyer (1988-1944), nome fundamental – mas altamente invisibilizado e posto à margem – da música electrónica e composição experimental. Ao colocar em diálogo o trabalho e a vida de Beyer, segundo uma perspectiva política feminista, num dispositivo accionado por trajectórias paralelas – som, texto, escultura –, Diana Policarpo apropria, inscreve no presente e vivifica o legado musical da compositora germano-americana, chamando a nossa atenção para a discriminação e invisibilidade históricas das mulheres (no caso de Beyer, uma mulher imigrante solteira nos anos 30) e para um cânone artístico que é altamente androcêntrico e limitador. 

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29 jan 2018
31 mar 2018
Ouro Mouro
Alexandre Estrela
Centro de Arte Quetzal

Curadoria — Luiza Teixeira de Freitas

Inauguração 28 jan 2018 14h

Collaboration: para a quarta exposição desta série de colaborações, o Centro de Arte Quetzal apresenta Ouro Mouro, um projeto de Alexandre Estrela com curadoria de Luiza Teixeira de Freitas.

A exposição apresenta dois trabalhos de Estrela em diálogo. O primeiro, Untitled (2017), é uma videoinstalação que retrata a reação comportamental de uma imagem a um corpo estranho, pendurado na superfície do ecrã. Na mesma sala, um segundo trabalho, com o título  Ouro Mouro (2017) — um nome popular para latão —, pode ser visto como uma experiência (alquímica) sobre as propriedades da matéria após ter sido fotografada. Em  Ouro Mouro, a luz projetada do vídeo questiona a imutabilidade do conteúdo de uma fotografia. Aquilo que inicialmente víamos como cobre transforma-se em ouro sólido.

Identidade e estatuto são conceitos essenciais na cultura humana e a apresentação de objetos brilhantes, raros e inúteis está presente em todas as culturas. Com estes dois trabalhos, Estrela zomba do desejo humano de posse, de ter e conservar algo que é excecional e exclusivo, mas também inútil.

A prática artística de Alexandre Estrela estende-se aos domínios do vídeo, do cinema e da instalação. Muito influenciados pela história do vídeo experimental, os seus trabalhos dependem muito daquilo que cada um percebe quando confrontado com eles. As suas ideias conjugam o simples e o complexo, o profundo e o despretensioso. No cerne da sua obra está a utilização da materialidade da imagem para questionar um vasto leque de assuntos.  

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23 nov 2017
5 jan 2018
wanderings
Cristina Guerra Contemporary Art

Curadoria — Gregory Lang

‘errâncias’ reúne um conjunto de obras de arte que revelam momentos urbanos e instantâneos fotográficos captados através das lentes dos artistas. A exposição ecoa o processo criativo no qual as ações de andar e olhar, desvinculadas de uma intenção de procura, criam espaço para o inesperado.

Estes trabalhos capturam os detalhes e as ressonâncias que moldam a cidade como memórias efémeras apercebidas através do ar, dos sons e das texturas. Esta exposição propõem uma experiência não linear e cinemática que nos convida a deambulações e observações pessoais, mas também a diálogos com a galeria.

O projeto é inspirado em três filmes que descrevem viagens urbanas através de Lisboa: “A Cidade Branca” de Alain Tanner, “Viagem a Lisboa” de Wim Wenders e “Deriva” de Ricardo Costa.

Estes filmes são retratos que revelam a visão poética de um artista enquanto nos oferecem uma ideia de cinema com a cidade como protagonista. Esta redundância aparente põe em destaque o fascínio pelo ato de representar a realidade através do encontro e de viagens introspetivas, conhecidas como errâncias.

A figura do ‘flâneur’ urbano que encontramos em “Os devaneios do caminhante solitário” de Rousseau, desenhando num baralho de cartas ao longo da sua ‘promenade’, relaciona-se com a prática filosófica de Platão, Heidegger ou Kant. No entanto, a versão moderna deste ‘flâneur’ remete para o ‘caminhante moderno’ descrito por Walter Benjamin no seu livro “Passagens”, ou para o agrimensor de Kafka e para o ‘Passante’ de Baudelaire, entre outros.

A exposição apresenta diferentes formas através das quais os artistas exploram o mundo e como eles traduzem as suas experiências durante errâncias aleatórias através da cidade. Estes trabalhos transformam-se frequentemente no testemunho de uma visão íntima que recupera a memória das perceções. Esta seleção curatorial apresenta várias sequências compostas por múltiplos pontos de vista que desafiam o espectador para um jogo de imersões em fotografias e filmes. - Gregory Lang 

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19 jan 2018
24 fev 2018
Reel Time
Julião Sarmento
Cristina Guerra Contemporary Art

"O olhar voyeurista é um assunto recorrente no trabalho de Julião Sarmento. Materializados em corpos femininos, o desejo, a sexualidade, o controlo e a violência — emocional e física — aparecem plasmados em múltiplas formas nos seus trabalhos. A exposição Reel Time inclui um número de filmes, vídeos e performances criados em diferentes momentos ao longo de um período de quarenta anos, compreendido entre 1976 e 2011. Os trabalhos de Julião Sarmento nos suportes da performance e da imagem em movimento são fundados na história da performance e da arte conceptual da última metade do século XX, utilizando o corpo como ferramenta e lugar — à semelhança dos trabalhos de Marina Abramović, Bruce Nauman e Carolee Schneemann. No entanto, no caso de Sarmento os protagonistas e os seus gestos performativos são também limitados por uma espécie de formalismo estilístico que faz lembrar a figuração impressionista do século XIX — pensamos, por exemplo, na escultura de Edgar Degas, La Petite Danseuse de Quatorze Ans (c.1880) — e está presente nos seus trabalhos tridimensionais, em particular nas suas esculturas de partes do corpo feminino. No entanto, o seu formalismo é subvertido por uma forma de sexualidade altamente encenada, próxima do registo das personagens femininas que encontramos na obra cinematográfica de Pedro Almodóvar.  

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14 out 2017
7 jan 2018
Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating…
Gordon Matta-Clark
Culturgest

Curadoria — Delfim Sardo João Ribas

Galeria 2

Gordon Matta-Clark (1943-1978) foi um dos mais marcantes artistas nova-iorquinos da sua geração, apesar da sua curta carreira, subitamente interrompida pela morte prematura.

Arquiteto com formação realizada na Universidade de Cornell, Matta-Clark desenvolveu uma obra intensa na qual as intervenções no espaço público e sobre edifícios, o caráter performativo, a prática do desenho e do cinema se cruzaram de forma inseparável. A efemeridade das suas intervenções, que só chegaram até nós por via da documentação que o artista produziu, reflete uma consciência do tempo presente que sempre constituiu o fio condutor da sua prática artística.

A presente exposição, produzida em conjunto com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, apresenta parte do espólio do artista depositado no Canadian Centre for Architecture (resultado de uma importante doação da sua viúva, Jane Crawford) e que representa o maior repositório documental sobre a sua obra. Partindo de um conjunto de verbos que exprimem as atividades centrais do seu trabalho (separar, cortar, escrever, desenhar, comer), a exposição mergulha nos textos, cadernos de anotações, desenhos, filmes e fotografias de Gordon Matta-Clark para desatar um pouco da complexa meada do seu legado, no qual a arte, a arquitetura e um prazer omnívoro pela vida se entrelaçam.

Jornal da exposição (pdf) 
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14 out 2017
7 jan 2018
Time Capsule - A revista Aspen, 1965-1971
Culturgest Galeria 1

Curadoria — Delfim Sardo

Em 1965, a editora norte-americana Phyllis Johnson, de férias em Aspen, no Colorado, decidiu iniciar um novo projeto editorial. Tratava-se de uma revista dedicada à atualidade, uma espécie de termómetro do seu tempo, desenhada de uma forma radicalmente original: cada número consistia numa caixa que continha textos, cartazes, postais, discos com gravações sonoras ou mesmo filmes em super 8mm. Cada número da revista (foram publicados dez) tinha um editor e designer diferentes. Nas palavras de Phyllis Johnson, a "Aspendeveria ser uma cápsula do tempo de um certo período, ponto de vista ou pessoa". Foi isso mesmo que aconteceu, sobretudo a partir do número 3, editado por Andy Warhol e David Dalton, destacando-se os números dedicados a Marshal MacLuhan, à cena de performance nova-iorquina, ao Minimalismo ou ao movimento Fluxus. As colaborações de George Maciunas, Dan Graham, Brian O'Doherty, William Burroughs, Merce Cunningham, entre muitos outros, fazem da Aspen o fresco de uma época, mas também uma extraordinária aventura editorial.

A exposição coloca a revista em contexto, apresentando os 10 números publicados entre 1965 e 1971, para além de muita documentação sobre os diversos colaboradores da publicação a partir da coleção de António Neto Alves. A sua apresentação na Culturgest, beneficiando da possibilidade dada pelo colecionador, é enriquecida por inúmera memorabilia da contracultura norte-americana, desde livros, revistas e cartazes raros ligados às personalidades que colaboraram com a revista, como Gerard Malanga, os Velvet Underground, La Monte Young, entre muitos outros.

Jornal de exposição (pdf) ​​​​​​​
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28 nov 2017
21 jan 2018
antes e depois de antes
Henrique Pavão
Culturgest Porto

Curadoria — Delfim Sardo

A obra ainda necessariamente curta de Henrique Pavão (Lisboa, 1991) revela uma preocupação com a temporalidade e a memória apresentada em diversos suportes. A utilização do vídeo, da escultura, da fotografia ou do som decorre sempre das necessidades específicas de cada projeto ou situação que o artista propõe.

Para a Culturgest Porto, Henrique Pavão concebeu uma instalação que joga com a degradação de esculturas aparentemente minimais, especificamente pensada tendo em conta o edifício da Culturgest e a sua morfologia, nomeadamente a zona das caixas fortes. As tónicas na temporalidade, na observação e na inacessibilidade são transportadas do seu trabalho anterior, mas ligam-se indissociavelmente à estrutura arquitetónica da antiga sede bancária.

A vigilância permanente do processo de degradação dos objetos escultóricos, quase minimais quando realizados mas progressivamente convertidos em detritos, revela uma paixão pela escatologia do tempo que é um reflexo da nossa própria transitoriedade.

Esta intervenção constitui a primeira exposição em contexto institucional de Henrique Pavão, que estudou escultura em Lisboa e artes visuais em Malmö, na Suécia.

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8 fev 2018
8 fev 2018
Old School #50
Teatro Praga
Conundrum
Escola das Gaivotas

Curadoria — Susana Pomba

Inauguração 8 fev 2018 22h

OLD SCHOOL #50

Teatro Praga: Conundrum
instalação/performance

trailer

O último Old School

Escola das Gaivotas

google maps

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12 jan 2017
27 jan 2018
The dog is very confused
Foco

Curadoria — Kasia Sobczak - Wróblewska

A exposição desenvolve-se em torno do conceito de um jogo, começado por dois artistas participantes e continuado pelos outros. As regras são simples: um jogador partilha uma frase inicial e os restantes procuram relacionar-se com ela como lhes seja possível. Pode ser através de uma obra, uma página de internet, um vídeo, um artigo, um poema, uma frase aleatória ou uma fotografia. 

Ao usar estas inspirações, a ideia é alterar um espaço de artes plásticas e torná-lo um palco. Com base nas ideias trocadas e no diálogo, construímos um cenário para uma peça abstracta que será apresentada ao público na forma de uma exposição. 

Artistas: Diogo Branco, Diogo Pinto, Eduardo Fonseca e Silva, Francisca Valador, Maria Inês Brites, Nuno Gonçalves.

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The exhibition is developed around the concept of a game, which was started by two of the participating artists and continued by others. Rules are easy: one player gives a starting sentence, and the next ones should relate to it in any possible way. It can be an artwork, a link to an internet source, a video, an article, a poem, a random sentence or a photography. 

By using those inspirations, the idea is to change the visual arts space into a theater stage. Out of these common thoughts and dialogue, we have built a scenario 

7 dez 2017
26 fev 2018
Olho Zoomórfico/Camera Trap
Mariana Silva
Fundação Calouste Gulbenkian

Curadoria — Leonor Nazaré

A exposição Olho Zoomórfico/Camera Trap propõe uma reflexão sobre a extinção em massa de espécies animais e as práticas de captura de imagens em habitat natural; mas também sobre a relação humana com as imagens virtuais e com a tecnologia. Oscilando entre estereótipos e subjetividade, rotina e exceção, ciência e visão nostálgica, a representação do mundo e da sua falência ecológica surge na exposição como ficção e documento, narrativa e reflexão, presente e futuro, passado e pós-humanidade.

O trabalho artístico de Mariana Silva é marcado por uma forte componente conceptual que reflete a sua preocupação com questões culturais, museológicas e sociológicas em geral.

Da abordagem dos públicos teatrais e da interrogação sobre museus e sobre fronteiras entre cultura e natureza, a artista foi deslocando progressivamente a sua investigação para os modos teóricos de pensar os públicos, acercando-se de casos de estudo mas avaliando também os discursos reflexivos que os enquadram. Nesta exposição, dirige a atenção para as nossas representações da Natureza e dos ecossistemas animais.

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7 dez 2017
26 fev 2018
Olho Zoomórfico/Camera Trap
Mariana Silva
Fundação Calouste Gulbenkian

Curadoria — Leonor Nazaré

A exposição Olho Zoomórfico/Camera Trap propõe uma reflexão sobre a extinção em massa de espécies animais e as práticas de captura de imagens em habitat natural; mas também sobre a relação humana com as imagens virtuais e com a tecnologia. Oscilando entre estereótipos e subjetividade, rotina e exceção, ciência e visão nostálgica, a representação do mundo e da sua falência ecológica surge na exposição como ficção e documento, narrativa e reflexão, presente e futuro, passado e pós-humanidade.

O trabalho artístico de Mariana Silva é marcado por uma forte componente conceptual que reflete a sua preocupação com questões culturais, museológicas e sociológicas em geral.

Da abordagem dos públicos teatrais e da interrogação sobre museus e sobre fronteiras entre cultura e natureza, a artista foi deslocando progressivamente a sua investigação para os modos teóricos de pensar os públicos, acercando-se de casos de estudo mas avaliando também os discursos reflexivos que os enquadram. Nesta exposição, dirige a atenção para as nossas representações da Natureza e dos ecossistemas animais.

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18 nov 2017
13 jan 2018
Ana Hatherly: Território Anagramático
Ana Hatherly
Fundação Carmona e Costa

Curadoria — João Silvério

A exposição tem como ponto de partida as “Tisanas” que Ana Hatherly escreveu ao longo da sua vida. Esta obra, publicada em vários livros que se sucederam até um total de “463 Tisanas”, é demonstrativa da forma como a artista foi cruzando diferentes modos de fazer, de articular a escrita e o desenho, a poesia e a pintura, a sua investigação sobre o período barroco, sobre a escrita oriental, a caligrafia, o signo e o pictograma.

Tal como as tisanas, que agregam o poema e a prosa, as meta-narrativas e uma ironia determinada sobre a forma como agimos e nos reencontramos, a sua obra visual é um território em que essa estrutura de pensamento está presente. O sentido experimentalista que sempre marcou o seu trabalho, seja na performance, como no caso da obra “Rotura”, ou nos objetos tridimensionais, por vezes acentuadamente espaciais e escultóricos, resgata a escrita como a condição essencial para o desenvolvimento da sua obra plástica. Os livros de desenhos que desde muito cedo editou, e que se constituem como séries autónomas, são um marco da poesia concreta, por vezes editados em tiragens mais reduzidas como livros de autor.

Esse experimentalismo, tão central na sua obra, abriu um campo de possibilidades que a artista rapidamente compreendeu e explorou, onde a tecnologia e a arte fazem parte do processo da criação artística de cada época. Por exemplo, uma sua primeira experiência de trabalho para um website tem como matriz um corpus de escrita/desenho, tal como a execução de gravuras, o cinema experimental e outras obras que a sua “mão inteligente” nos dá a ver.

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12 dez 2017
20 jan 2018
Podemos sempre fugir de carro
Luísa Jacinto
Fundação Portuguesa das Comunicações

A Fundação Portuguesa das Comunicações e a Galeria Bessa Pereira apresentam a exposição Podemos sempre fugir de carro de Luísa Jacinto. ​​​​​​​

Entre a aresta e a nuvem há um limite que se esbate. Na fronteira entre o compartimento e a paisagem, ou entre o que se constrói e o que se manifesta, há um campo que se pode nomear. Um campo ténue, de equilíbrio e sedução, entre a vontade de reter, ou enquadrar, e o anseio de se deixar ir, ou contemplar.

O trabalho de Luísa Jacinto incide nesse campo e das pinturas mais pequenas, onde a figura se concentra, às pinturas maiores, onde a imagem se expande, surge algo que nos alicia a olhar.

Nas obras mais pequenas trabalha-se uma convergência que pede a proximidade do observador. A pintura inscreve-se a meio do suporte, é potenciada pelo vazio que a circunda e as imagens remetem-nos para uma figuração de ambientes, pessoas e casas, que aparecem como fragmentos de um filme, ou como focos específicos de algo maior.

Nas obras de maior dimensão trabalha-se uma ideia de passagem, gerindo a imagem de um espaço interior, que nos acolhe, e a força de um espaço exterior, que nos chama. Questionando a dimensão e o limite do que se vê, a figura desvanece-se, o contorno perde clareza, e a imagem gravita na proximidade da abstração. Neste processo, a pintura envolve-nos e deixa-nos atentos. Aqui, a nossa proximidade já não advém uma visão focalizada, como nas pinturas mais pequenas, mas sim de uma visão periférica, procurando aquilo que está para lá do contorno e da superfície. - Sérgio Fazenda Rodrigues

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30 nov 2017
20 jan 2017
MOEBIUS: Fragmentos de ilusão, mapas de êxodo dos diários de Karl Marx (Capítulo I)
Ana Guedes
Galeria Baginski

MOEBIUS: Fragmentos de ilusão, mapas de êxodo dos diários de Karl Marx (Capítulo I) é o título da exposição que Ana Guedes inaugurou na BAGINSKI, em Novembro de 2017, e que dá continuidade ao trabalho recentemente apresentado na residência DeFabriek em Den Haag, na Holanda. A exposição contempla três momentos complementares — uma instalação sonora, um concerto-performance e um arquivo de discos — que se intersectam numa linha temporal correspondente a referências pessoais da artista, revelando estruturas sociais e politicas resultantes de uma condição pós-colonial.

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31 jan 2018
3 mar 2018
Três Estações Nocturnas
Paulo Brighenti
Galeria Baginski

Três Estações Nocturnas, a quarta exposição individual de Paulo Brighenti na Galeria Baginski parte da construção do poemário “Noite de Pedra” pelo escritor e artista plástico português Luís Veiga Leitão (1915-1987). Preso político do Estado-Novo em 1952, Veiga Leitão redigiu mentalmente o conjunto de poemas que compõem o livro e que expressam sentimentos de solidão, denuncia e resistência, guardando-o no pensamento até à sua publicação, após ter sido libertado. É esta sensibilidade proveniente de uma luz ideológica, emergente das crenças pessoais de um individuo e mantida sem esmorecer sob as piores circunstâncias, que Brighenti procura resgatar nesta exposição, recorrendo a uma expressão derivada do peso dos materiais e a elementos de formalismo pictórico que impõem contrastes violentos entre fundo e imagem, objeto e matéria, cromatismo e forma. Composta a três tempos – núcleos de pintura, escultura e desenho –, a exposição circunda entre o peso da noite e o delírio do sonho.

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2 fev 2018
10 mar 2018
Words don’t come easy
Tiago Alexandre
Galeria Balcony

A galeria Balcony apresenta a terceira exposição do seu programa, uma individual do artista Tiago Alexandre. A exposição Words don’t come easy reúne um conjunto alargado de trabalhos, todos eles inéditos, aparentemente sobre motas.

Teria sido perfeito para este texto se F. R. David tivesse lançado o êxito “Words Don't Come Easy”, de 1982, um ano mais tarde. 1983 foi o ano em que pela primeira vez tentei guiar uma mota. Esta hipotética coincidência seria o mote perfeito para falar desta exposição do Tiago Alexandre, nomeada Words Don't Come Easy, aparentemente sobre motas. Nem a música é de 1983, nem há coincidência ou mote. A exposição também não é sobre motas.

A mota, como símbolo central deste conjunto de trabalhos agora apresentado, leva-nos em diversas e contraditórias direcções à medida que o observamos. À rebeldia de uma certa ideia de juventude com Marlon Brando, the wild one, a encabeçar um bando de motoqueiros e ao ritual de passagem à idade adulta e consequente afirmação de masculinidade, Tiago Alexandre contrapõe uma poética e uma estética onde as palavras, nunca fáceis, fazem derrapar os conceitos e as identidades pré-concebidas. A mota, enquanto entidade descarnada até aos ossos, aponta-nos o sentido da fuga de um status quo que provavelmente ninguém quer ter; a fuga de uma matriz estrutural que nos define perante os outros, perante nós mesmos. E quando nos olhamos no espelho, despidos até aos ossos de símbolos e de signos, os que cultivamos e os que nos são emprestados, o que é que nos resta? Será que as motas têm alma?

À entrada da galeria existe um letreiro luminoso que nos pergunta – Who Runs the World? Eu pergunto – Who Runs The Words? As palavras não se governam. As palavras governam a percepção que temos do mundo e a ordem do discurso é a única ferramenta possível para chegarmos à “verdade”. Tanto o discurso do louco como o do sábio usam as mesmas palavras e estas são igualmente as mesmas no discurso do ódio e no do amor. E quando as palavras não chegam, temos sempre os emojis.

Existem as regras para a construção do discurso que define uma disciplina e existem princípios de agrupamento de discurso que definem um autor. No entanto, dizemos que ficamos sem palavras perante os sentimentos mais arrebatadores que não conseguimos descrever. O medo, o espanto, a alegria, o êxtase, a adoração, the sound of your skin requerem uma linguagem que estará sempre por inventar. Regras e princípios à parte, o discurso está feito. O do artista e o do autor. Well I'm just a music man and melody is so far my best friend, descreve o artista Nuno Alexandre Ferreira.

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26 jan 2018
10 mar 2018
Now it is Light
Galeria Boavista

Curadoria — Sofia Lemos

Now it is Light, com curadoria de Sofia Lemos, está patente na Galeria Boavista. Envolvendo práticas artísticas que abordam o “geocosmos” como um agente em movimento, a exposição reúne trabalhos dos artistas Amélie Bouvier, Ana Manso, Ana Mazzei, Andreia Santana, Bernard Lyot, Davide Zucco, Elias Heuninck, Ester Fleckner, Haris Epaminonda, Jeronimo Voss e Pedro A.H. Paixão, muitos deles mostrados pela primeira vez em Portugal. 

Inspirada na demanda de um astrónomo convertido em geólogo mineiro por matéria radiante, esta exposição explora a ebulição cósmica através de uma trama política, científica e narrativa. Enquanto as efusões cósmicas são progressivamente mediadas sob a forma de bens e ativos, metais e minerais permanecem capturados em delimitações políticas e corporativas. E ainda assim, encrostados na superfície planetária como registros sedimentares, estes elementos evidenciam-se em diversas posições artísticas que os reclamam em contínua emergência. De título homónimo ao poema de 1955 de Frank O’Hara e de forma a evidenciar processos e manifestações, Now it is Light ficciona a luminescência do mundo enquanto substância narrativa para interrogar o pulsante encontro entre a observação astronómica e as economias de extração. 

Esta exposição apresenta trabalhos de imagem em movimento, desenho, instalação e contribuições de arquivos científicos que investigam a luminosidade do mundo, ou as qualidades através das quais a luz se contrai, reflete, refrata, difrata ou atravessa sem afetação aparente a verticalidade do tempo “geocósmico”. Da perenidade do plano astronómico à acelerada cadência da extração de recursos, Now it is Light é um espaço de materializações inanimadas, de metais, minerais e estrelas cuja magnitude é apenas parcialmente apreendida.

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25 nov 2017
20 jan 2018
Armanda Duarte & Thierry Simões
Galeria Caroline Pagès

tu ,

é o que ascende agarrado à rocha dura, é o que recebe a roupa traçada como uma quente

constelação, o que se fascina pela luz volátil da vela e pelas prendas do ar.

é o vocábulo nu.

quem isto escreve é outro, um que caminha sobre a terra horizontal, alegra-se por respirar,

ter mãos e encontrar uma pá.

Graças ao Thierry Simões, ambos se guardam sob uma grande moldura dourada.

- Armanda Duarte

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3 fev 2018
24 mar 2018
Surfaces sensibles
Manuela Marques
Galeria Caroline Pagès

Curadoria — Andrey Illouz

Inauguração 3 fev 2018 17h

Surfaces sensibles é a nova proposta de Manuela Marques para a sua quarta exposição individual na Galeria Caroline Pagès em Lisboa que reúne um conjunto de fotografias na linha daquelas que revelou para a sua recente exposição em Reims (Le Cellier, 2017) intitulada A Força de Coriolis. Sobre essa exposição, a comissária Andrey Illouz escreveu o seguinte: 

A placidez de um lago 

A exposição, cujo título remete para um fenómeno físico relacionado com o estudo dos ventos, é atravessada pelo sopro. A imaterialidade do sopro faz com que ele seja difícil de captar e representar. Uma bolha de sabão, uma mão colocada à frente de um rosto, um papagaio rasgado que ficou preso no cume de uma árvore e uma garrafa que rodopia, transformada em catavento, são indícios que chamam a nossa atenção para este elemento vital que emana tanto da atividade humana como da natureza. 

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23 nov 2017
6 jan 2018
Saga
Pedro Barateiro
Galeria Filomena Soares

A Galeria Filomena Soares apresenta a segunda exposição individual do artista Pedro Barateiro, intitulada Saga. A exposição mostra o trabalho que Barateiro tem vindo a desenvolver nos últimos dois anos, em particular o conjunto de novas obras que se relacionam com a série Dancing in the Studio (Protest) e o vídeo The Opening Monologue.

As obras que compõem a série Dancing in the Studio (Protest) são ao mesmo tempo fotografia e escultura. Na procura pela hibridização dos meios, o dispositivo criado para suportar a imagem é parte integral de cada peça. Algumas destas imagens foram feitas quando o artista aplicou tinta branca num chão de linóleo que cobria parte do seu atelier. As marcas dos ténis e o arrastar dos pés ficaram gravados na superfície pintada. Depois disso o artista tirou uma série de fotografias que documentavam a acção. As imagens foram tiradas em 2013 e Barateiro voltou a pensar nelas quando preparava a exposição para a REDCAT, em Los Angeles. As fotografias documentavam uma acção mas remetiam para outras acções que decorriam no exterior do estúdio do artista, na altura na Avenida da Liberdade, muito próximo do palco de muitas manifestações que tiveram lugar em Lisboa durante esses anos.

O artista tem-se debruçado sobre as diversas questões presentes na construção de narrativas ficcionais e discursos totalitaristas do Ocidente, em particular as ferramentas usadas na colonização do pensamento e da imaginação durante o capitalismo tardio. A linguagem e a oralidade, mas também a coreografia e a teatralidade dos gestos produzidos por agentes humanos, tem sido predominante na cultura ocidental e na sua ligação à ideia de progresso positivo da ciência e da tecnologia.

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11 jan 2018
10 mar 2018
Unbuilt Memories
Didier Fiúza Faustino
Galeria Filomena Soares

O trabalho de Didier Fiúza Faustino explora a relação entre arte e arquitetura, corpo e espaço, reformulando teorias previamente estabelecidas que abordam a arte e o design. O artista desafia ideias e comportamentos convencionais através do design de objetos fora do comum totalmente frutos da sua imaginação, que nos confrontam com os nossos limites físicos e mentais numa realidade nova e em constante mudança. As fotografias, o design, os vídeos e as esculturas que Didier apresenta demonstram o seu interesse no corpo humano e nas suas fragilidades numa vertente física, espiritual e também política. O artista investiga o corpo como um grupo, e simultaneamente, como um sistema para desconstruir as barreiras físicas e mentais tanto desse corpo como do espectador. Ao longo da exposição, “os diferentes espaços explorados nas obras recentram o corpo nas necessidades básicas das implicações politicas e sociais que estabelecem o espaço, desta forma alertando o seu público para o perigo que é a subjetividade e o conceito de verdade previamente estabelecido.”(1) Consequentemente, Unbuilt Memories apresenta-se como um manifesto acerca das possibilidades de pensar no futuro que não vão de acordo com a civilização, por excluir a noção de certeza como um dogma político e civil, ou mesmo como uma reminiscência de um passado real.".

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11 nov 2017
11 jan 2018
Demain, Stabilisation
Adrien Missika
Galeria Francisco Fino

A exposição de Adrien Missika, Demain, Stabilisation, apresenta um conjunto de trabalhos que parte da reflexão continuada do artista sobre questões como ecologia, metabolismo e a nossa relação com o ambiente. A exposição inclui uma série de esculturas que operam enquanto estruturas narrativas, combinando estratégias artísticas várias que exploram o humor dentro dos limites da arte conceptual, a subtileza poética existencial através de esculturas diagramáticas de luz, propondo também uma revisão performativa de práticas arquivísticas como obra aberta. A própria promessa do título, Demain, Stabilisation (amanhã, estabilização), anuncia um estado de concretização adiada, envolvendo o presente como uma zona entrópica, onde a homeostase é possível mas sempre adiada, fazendo lembrar as respostas negacionistas à actual crise climática.

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27 jan 2018
1 mar 2018
Planta Espelho
José Pedro Cortes
Galeria Francisco Fino

Planta Espelho reúne 25 fotografias recentes de territórios tão distintos como Dubai, Tóquio, Algarve ou o seu estúdio em Lisboa, num ensaio sobre um mundo instável e belo em constante mutação, enunciando que nunca se deve deixar de aprender a olhar de novo para o conhecido. Em Planta Espelho, Cortes compõe uma realidade suspensa que resulta do confronto entre imagens com origem numa prática de estúdio e observações resultantes das suas viagens. O artista olha para a arquitectura, para a vegetação e para o corpo humano para reflectir sobre a relação entre um mundo de energias híbridas: uma força fabricada e feita de artefactos, criada pelo homem; e uma outra, natural e livre deste impulso de controlo do sujeito. Com alusões às ideias de limites e fronteiras, as fotografias de José Pedro Cortes mostram-nos, entre outros, o confronto entre a paisagem natural e a paisagem construída, ou a relação do estudo do corpo no estúdio com a evidência do esforço físico sentida nas pernas de corredoras de atletismo. É neste diálogo de tensão e dicotómico, que Cortes reforça uma das questões principais do seu trabalho: num mundo em constante transitoriedade como é que criamos um discurso sobre a matéria e a forma do nosso tempo?

“O tempo das minhas imagens é como o nosso tempo, de constante dúvida: fabricação ou impulso; vulnerabilidade ou força; superfície ou algo mais”, escreveu José Pedro Cortes para a sua exposição Concreto Armado (Bienal de Vila Franca de Xira 2016).

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25 nov 2017
13 jan 2018
Revisão da Matéria Dada
Galeria Graça Brandão

Curadoria — José Mário Brandão

Nesta exposição, reúno uma série de obras de artistas com quem trabalhei entre 1980 e 2015. Pretendo, como se fosse um exercício escolar, rever o que foi a minha vida durante esses anos.

- José Mário Brandão (Novembro 2017)

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18 nov 2017
13 jan 2018
Descanso
Belén Uriel
Galeria Madragoa

A Madragoa apresenta Descanso, a primeira exposição individual da artista Belén Uriel na galeria.

A pesquisa de Belén Uriel decorre da observação de objetos cotidianos, que vão desde ferramentas a peças de mobiliário e elementos arquitetónicos, investigando seu potencial escultural, para além da sua funcionalidade, e incluindo a sua possível exposição em conversa com o ambiente circundante. Para o seu novo projeto, Descanso, a artista concentrou-se em partes de alguns objetos específicos desenhados para acomodar o corpo humano e que, através das suas formas e curvas distintivas, mantêm uma forte relação de reciprocidade com o corpo. Um encosto de cadeira, um apoio de braços, um cabide: todos esses pormenores de mobiliário contêm impressões nas suas características, bem como nos seus nomes, das partes do corpo com as quais normalmente interagem. Esses elementos serviram como moldes para produzir esculturas de vidro, criadas pela própria artista, que reproduzem fielmente a forma dos objetos, incluindo os vestígios do seu uso e imperfeições fruto do desgaste e utilização. Esses fragmentos são retirados do seu contexto normal e da sua função de suporte do corpo e convertidos em peças frágeis e transparentes que, por sua vez, precisam de um suporte.
Instalado diretamente na parede ou em pedestais de metal, a exibição das esculturas é inspirada nas vitrines de lojas de roupas ou sapatos em que a estrutura rígida e abstrata dos stands contrasta com a suavidade e versatilidade das roupas mostradas nos mesmos, prontas para acomodarem o corpo. Da mesma forma, a figura humana é evocada pelas esculturas de Uriel: através dos seus contornos antropomórficos, a ausência do corpo torna-se uma presença fantasmagórica.

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27 jan 2018
10 mar 2018
The Hired Grievers
Galeria Madragoa

Curadoria — Jason Dodge

A Galeria Madragoa apresenta The Hired Grievers, uma exposição colectiva com curadoria de Jason Dodge que ocupa ambos os espaços da galeria, Madragoa e Madragoa Encima.

Muitas culturas contratam pessoas para participarem do luto em funerais. Eles são um coro, eles são decoração, são guias para o submundo e para a variedade de sentimentos que surgem com o lamento. No poema de Matthew Dickman, Grief, o sofrimento aparece como um gorila roxo. Ele escreve: "Nós sentamo-nos por uma hora / enquanto ela me diz o quão irracional eu fui, / chorando na linha de checkout, / recusando-me a comer, recusando-me a tomar banho, / todo o fumo e a bebida. / Eventualmente ela coloca um dos seus braços pesados / roxos ao meu redor, inclina / a sua cabeça contra a minha, / e, de repente, as coisas são românticas. / Então eu digolhe, / as coisas estão a ficar românticas. / Ela tira outro nome, desta vez / vindo dos mortos, / [...] ".

No friso de Beethoven de Gustav Klimt, o sofrimento também aparece como um gorila, com escamas e barbatanas e olhos reflexivos, mas esta exposição não é sobre sofrimento, é sobre olhos reflexivos e as gemas brilhantes e decoração que são testemunhas do luto, o incenso, o dourado e o brilhante.

Artistas: Ketuta Alexi-Meskhishvili, Anna Betbeze, Elena Narbutaite, Penny Slinger, Freek Wambacq, Ruth Wolf-Rehfeldt.

+ info  | entrevista a Jason Dodge

24 nov 2017
13 jan 2018
Fifty-Fifty
Noé Sendas e Rui Calçada Bastos
Galeria Miguel Nabinho

Curadoria — Sérgio Fazenda Rodrigues

A Galeria Miguel Nabinho apresenta a exposição Fifty-Fifty (50|50), com obras inéditas de Noé Sendas e Rui Calçada Bastos. Construídas em simultâneo, em diferentes ateliers, as obras destes artistas são afinadas por cada um e pela ressonância que estabelecem com o trabalho do outro. O trabalho de Noé Sendas e de Rui Calçada Bastos surge, em paralelo, de um reconhecimento e de uma efabulação do real. Isto é, em ambos existe um olhar que se foca sobre o que os rodeia, onde, numa construção poética, objectos, situações e imagens se modificam e transcendem a sua condição de base. Com o pretexto de ir à cave, entendida aqui como referência a um lugar interior e subconsciente mas, também, como o simples subsolo da galeria, as obras dos dois artistas surgem de um encontro entre a persistência da memória e a vontade de uma nova existência. Algo que se centra numa permanência doméstica mas, também, numa referencia à deslocação e à partida, onde o que perpassa é a melancolia de uma ausência e a supressão de um acomodamento. Algo que configura um estado de mudança, assente no que já passou mas, também, na inquietude do que está por surgir. Estabelecendo um exercício em torno do que aproxima a prática destes dois artistas, a exposição não problematiza a procura de uma autoria conjunta. Trata-se, antes, de olhar para uma relação que é assente na mútua partilha de experiências e na gestão das inquietações que lhes são comuns. - Sérgio Fazenda Rodrigues

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9 dez 2017
18 fev 2018
10000 anos depois entre Vénus e Marte
Galeria Municipal do Porto

Curadoria — João Laia

A Galeria Municipal do Porto apresenta "10000 anos depois entre Vénus e Marte", uma exposição realizada a partir do acervo da Colecção António Cachola, relevante coleção privada de arte contemporânea em depósito no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) e no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.

Exclusivamente constituída por obras produzidas por artistas portugueses, que começaram a expor pública e regularmente a partir de 1980, a Colecção Cachola inclui pintura, desenho, gravura, escultura, instalação e vídeo, perfazendo um total de mais de 650 obras de mais de uma centena de artistas. Assinalando o 10.º aniversário da colaboração MACE/Colecção Cachola, a Galeria Municipal do Porto prossegue a sua missão no âmbito da divulgação de importantes coleções nacionais de arte contemporânea.

Com curadoria de João Laia, 10000 anos depois entre Vénus e Marte reúne um conjunto de artistas de diferentes gerações, apresentando, pela primeira vez, uma série de novas aquisições da Colecção.

De título homónimo ao álbum lançado em 1978 por José Cid, a exposição é uma proposta especulativa que habita um território próximo do sonho ou da alucinação. As obras apresentadas analisam diferentes domínios do quotidiano e, no seu conjunto, questionam formas aparentemente estáveis de interpretação do real.

Estão representados os artistas Ana Manso, Ana Santos, André Romão, Andreia Santana, António Júlio Duarte, Carla Filipe, Catarina Dias, Claire Santa Coloma, Diana Policarpo, Diogo Evangelista, Fernanda Fragateiro, Filipa César, Francisco Tropa, Gabriel Abrantes, Gil Heitor Cortesão, Joana Escoval, Joana Vasconcelos, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, João Queiroz, João Tabarra, Luís Lázaro Matos, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Mariana Silva, Marta Soares, Mauro Cerqueira, Musa paradisiaca, Nuno da Luz, Pedro Barateiro, Pedro Neves Marques, Rita Ferreira, Vasco Araújo e Von Calhau!

Alguns desses autores participaram também nas performances que assinalaram a abertura da exposição, realizada no Cinema Passos Manuel, designadamente Nuno da Luz, Vera Mota, Carla Filipe, Joana Escoval, Pedro Barateiro, Diana Policarpo, Von Calhau! e Lynce (djset).

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9 dez 2017
18 fev 2018
10000 anos depois entre Vénus e Marte
Galeria Municipal do Porto

Curadoria — João Laia

A Galeria Municipal do Porto apresenta 10000 anos depois entre Vénus e Marte, uma exposição realizada a partir do acervo da Colecção António Cachola, relevante coleção privada de arte contemporânea em depósito no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) e no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.

Exclusivamente constituída por obras produzidas por artistas portugueses, que começaram a expor pública e regularmente a partir de 1980, a Colecção Cachola inclui pintura, desenho, gravura, escultura, instalação e vídeo, perfazendo um total de mais de 650 obras de mais de uma centena de artistas. 

Com curadoria de João Laia, 10000 anos depois entre Vénus e Marte reúne um conjunto de artistas de diferentes gerações, apresentando, pela primeira vez, uma série de novas aquisições da Colecção.

De título homónimo ao álbum lançado em 1978 por José Cid, a exposição é uma proposta especulativa que habita um território próximo do sonho ou da alucinação. As obras apresentadas analisam diferentes domínios do quotidiano e, no seu conjunto, questionam formas aparentemente estáveis de interpretação do real.

Estão representados os artistas Ana Manso, Ana Santos, André Romão, Andreia Santana, António Júlio Duarte, Carla Filipe, Catarina Dias, Claire Santa Coloma, Diana Policarpo, Diogo Evangelista, Fernanda Fragateiro, Filipa César, Francisco Tropa, Gabriel Abrantes, Gil Heitor Cortesão, Joana Escoval, Joana Vasconcelos, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, João Queiroz, João Tabarra, Luís Lázaro Matos, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Mariana Silva, Marta Soares, Mauro Cerqueira, Musa paradisiaca, Nuno da Luz, Pedro Barateiro, Pedro Neves Marques, Rita Ferreira, Vasco Araújo e Von Calhau!

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17 nov 2017
6 jan 2018
Paloma Varga Weisz
Galeria Pedro Cera

A Galeria Pedro Cera tem o prazer de apresentar a primeira exposição da artista alemã Paloma Varga Weisz na galeria e também em Portugal. A exposição reúne uma selecção de esculturas e desenhos dos últimos anos. Embora a exposição escape a uma classificação imediata, como acontece com grande parte do trabalho da artista, o nosso percurso por entre as suas múltiplas narrativas evoca motivos relacionados com memória, história e identidade. Desligadas de categorias como tempo e espaço, as obras de Varga Weisz dão forma a um mundo que é só seu, um mundo que se encontra no limiar entre sonho e realidade, história e ficção, memória e imaginação (…). 

A formação em entalhe de madeira foi, de muitas formas, determinante no caminho de Varga Weisz enquanto artista. Independentemente da sua formação posterior em Belas Artes, Varga Weisz manteve-se fiel a este material e aos métodos tradicionais do seu tratamento. A superfície dura mas ao mesmo tempo quente da madeira encontra semelhanças no corpo humano, que ocupa um lugar central na obra da artista. Tal semelhança sugere, evidentemente, um acto de violência, encarnado no gesto de desbaste, mas que pode também ser visto como um acto metafórico de libertação do inconsciente, desvendando aquilo que foi esquecido, reprimido, e o imaginário que foi ocultado ou, pelo contrário, descoberto pela mente. 

É fácil cair na tendência para contextualizar o trabalho de Varga Weisz à luz da teoria freudiana dos sonhos ou de associar a sua prática a questões relacionadas com o misticismo, a religião ou a iconografia tradicional. No entanto, num olhar mais atento, a estranheza e imobilidade das suas esculturas e uma diferente temporalidade que é gerada pela própria exposição sugerem uma outra leitura. Uma leitura que é, na verdade, muito mais pessoal e que na sua essência toca em pontos que são definitivamente humanos e, neste sentido, também universais.

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13 jan 2018
24 fev 2018
Natural Yogurt Paintings
Frank Nitsche
Galeria Pedro Cera

A Galeria Pedro Cera apresenta a segunda exposição do artista alemão Frank Nitsche na galeria. Natural Yogurt Paintings apresenta a série de trabalhos mais recente do artista. Tal como o título da exposição, vagamente inspirada pelo nome de uma banda electro-acústica, também as pinturas de Frank Nitsche têm uma ligação à cultura popular, aos meios de comunicação de massas e a representações infinitas do mundo em que nos encontramos actualmente. 

Um arquivo imaginário de imagens, aleatórias no conteúdo e na natureza, torna-se uma fonte de inspiração e apropriação para o artista. Algumas imagens chegam à tela intencionalmente, outras por acaso. O seu comportamento varia e transforma-se ao longo do tempo. O que num determinado momento chega a tela classificado como altamente relevante pode, imediatamente a seguir, ser eliminado ou desaparecer completamente por baixo de múltiplas camadas de tinta - sob fragmentos de outras imagens, cuja hierarquia e relevância está em permanente fluxo. Afinal de contas, “a morte de uma imagem” hoje em dia está à distância de um clique (…) 

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27 jan 2018
10 mar 2018
Músculo
Vera Mota
Galeria Pedro Oliveira

A exposição apresentada na Galeria Pedro Oliveira, desenvolve-se em três momentos, distribuídos respectivamente pelas três salas da galeria. Na primeira sala, apresentam-se duas esculturas, “Atletas” e “Aparelho”, os títulos remetem-nos para o universo do desporto, do exercício. “Atletas” é composta por dois grandes painéis de MDF, um colocado na vertical, outro na horizontal, sobre o qual surgem dois elementos disformes construídos pela acumulação de barro contra uma estrutura de ferro. As duas figuras aparecem voltadas uma para a outra, compondo juntamente com os painéis uma composição simétrica em se convoca uma certa teatralidade. As figuras surgem como que num ringue, prontas a debater-se, crispadas . “Aparelho” é uma escultura de traços minimalistas, uma barra assente em dois cubos, um em cada uma das suas extremidades, feitos a partir de uma madeira vermelha. Esta sólida estrutura pode remeter-nos para as barras de exercício de ginástica, ou um obstáculo, mas a sua escala afasta-a dessas possíveis funções, e deixa-nos apenas com a sua forma ante a incerteza sobre a sua possível utilização. 

Na segunda sala, deparamo-nos apenas com um trabalho colocado ao centro e bem arrumado perto da parede. “Composição” constrói-se a partir um conjunto de diferentes materiais: ferro, chumbo, latão, vidro, esponja, vidro acrílico, cartão, madeira e cerâmica. Estes materiais organizam-se sobre um rectângulo de ferro sobre o chão. Nesta composição, objectos encontrados convivem com materiais que foram moldados para assumirem determinada forma, ou que integraram trabalhos anteriores e se emanciparam ainda no espaço do atelier; outros que se modificaram pela acção do tempo ou da luz; ou ainda materiais que não foram sujeitos a qualquer processo e se encontram no estado em que foram adquiridos. 

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24 nov 2017
20 jan 2018
QA XXX (P3)
Galeria Quadrado Azul

Curadoria — Miguel von Hafe Pérez

Depois de em Novembro do ano passado se terem dado início às comemorações do trigésimo aniversário da Galeria Quadrado Azul, com as exposições QAXXX P1 e P2, respectivamente nas galerias de Lisboa e Porto, apresenta-se agora o segundo momento dessas comemorações com as exposições QAXXX P3 e P4. Se nas primeiras o comissário convidado, Miguel von Hafe Pérez, trabalhou a partir de obras do acervo da Galeria, nas exposições que agora se vão inaugurar, a metodologia seguida parte de um pressuposto diferente. Assim, uma seleção dos artistas da galeria foram instados a responder a um desafio do curador lançado em forma de texto-manifesto e que agora se transcreve:

O que pode a arte?
Vivemos uma encruzilhada civilizacional. São inúmeros os fatores para uma apreensão tensiva da realidade: das alterações climáticas ao rebaixamento até ao grau zero da política enquanto instrumento de governabilidade sensível e sensata, da impotência perante um terrorismo atomizado, individualista e fanático, passando pela imposição de um capitalismo desregrado e da crescente digitalização das relações interpessoais, tudo converge para um sentimento de inquietude mais ou menos generalizado. A criação artística convoca de forma mais ou menos literal esse confronto com a realidade envolvente, quer seja por adesão como por distanciamento crítico. Por vezes confundimos aquilo a que falsamente se intitula como arte política com aquilo a que se deveria antes apelidar de arte panfletária. A arte será sempre, na sua máxima expressão, um gesto político.

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QA XXX (P4)
25 Novembro 2017 - 6 Janeiro 2018
Galeria Quadrado Azul | Porto

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17 nov 2017
13 jan 2018
José Pedro Croft
Galeria Vera Cortês

A Galeria Vera Cortês apresenta 2 desenhos, 2 esculturas, a mais recente exposição individual de José Pedro Croft em Portugal, depois da sua representação nacional na última edição da Bienal de Veneza, ainda em curso, e a sua primeira exposição individual na galeria.

José Pedro Croft é um dos mais importantes artistas portugueses e um dos  principais responsáveis pela renovação da escultura portuguesa, iniciada no final dos anos oitenta. A sua prática artística, inscrita tanto nesta disciplina como na do desenho ou da gravura, caracteriza-se por um cuidado processo de construção em que tanto o seu universo formal como a sua própria subjetividade se entrecruzam. 

As suas obras são sempre o resultado de uma investigação sobre o conjunto de processos que se desencadeiam a partir do interior destas, e nos quais se vislumbram as dimensões visuais, plásticas e poéticas dos objetos assim criados, produzindo uma atmosfera de equilíbrio precário entre pares dialéticos como estável e instável, vazio e cheio, ou ascensão e queda, e operando sempre uma reflexão sobre a natureza fundamentalmente transitória do universo.

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2 fev 2018
17 mar 2018
Intrínseco
Alexandre Farto
Galeria Vera Cortês

Recorrendo frequentemente a processos e técnicas pouco convencionais na dissecção de elementos vários do espaço urbano (materiais e humanos) com o objectivo de examinar a natureza das sociedades urbanas contemporâneas, Alexandre Farto aka Vhils (n. 1987) tem feito da fértil complexidade da cidade moderna o tema central de uma obra que tem vindo a afirmar-se como uma asserção artística significativa sobre a condição humana presente. Intrínseco é uma reflexão na forma de uma instalação que ocupa o espaço da galeria com um conjunto de peças produzidas em placas de PVC flexível e transparente suspensas do tecto, as quais configuram uma representação interactiva que permite ao observador deambular por entre os vários componentes cénicos que a constituem. Cada uma destas peças apresenta uma composição visual impressa com vários motivos – incluindo rostos, padrões gráficos e geométricos, paisagens urbanas, ou elementos de sinalização –, isolados ou em aglutinação dissonante.

Como o próprio artista afirma: “Intrínseco é uma reflexão sobre a nossa superfície. Aquilo que é opaco e aquilo que é transparente. O que nos permite ver e o que nos permite absorver ou ser absorvido. O constante fluxo de influências nos tempos que vivemos, em que nada daquilo que nos forma, nos faz ser. O vazio daquilo que nos constitui e nos forma. A reflexão de um mundo global que tanto nos dá e que no final nos torna transparentes e nos confunde. O acumular de camadas que nos tentam constituir acaba por desconstituir. Do colectivismo ao individualismo. Do visceral e a sua relatividade. Do que abdicamos em nome do nosso conforto.”

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25 nov 2017
3 fev 2018
Sonatas and Interludes
Rui Valério
Kubikgallery

A Kubikgallery apresenta a exposição Sonatas and Interludes de Rui Valério.

Som e pausa ou ponte são conceitos que o artista recria ao agir sobre a representação escrita do som, do código de notação musical e do seu suporte - a pauta musical.

Sonatas and Interludes iniciou-se pela conceção de uma série de desenhos onde o artista explora diferentes tipos de abordagem gráfica, técnicas e materiais que evitam a noção convencional de desenho e da escrita que habitualmente são resultado do gesto.

A transposição sinestésica do visual para o sonoro assume-se como o ponto de partida conceptual que define o conjunto das obras apresentadas - desenhos e instalações -que compõem a exposição e, simultaneamente permitem afirmar que a exposição é toda ela resultado dum processo de composição. 

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A Kubikgallery apresenta igualmente no espaço Kubikulo uma intervenção do artista Carlos Mensil: Cada um pinta como sabe. Pode ser visto como uma provocação à pintura enquanto disciplina artística, pondo em perspetiva o que se entende enquanto as suas práticas. A manipulação de um ou vários materiais na construção do quadro, numa relação interdependente com o espaço e a luz, abre caminho a outras questões. Neste caso talvez a mais evidente seja a de site-specific, pela sugestão de uma representação pensada para funcionar no local e negada, precisamente, por aquilo que a faz parecer perfeitamente integrada, pela versatilidade da sua forma.

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25 nov 2017
3 fev 2018
Sonatas and Interludes
Rui Valério
Kubikgallery

A Kubikgallery apresenta a exposição Sonatas and Interludes de Rui Valério.

Som e pausa ou ponte são conceitos que o artista recria ao agir sobre a representação escrita do som, do código de notação musical e do seu suporte - a pauta musical.

Sonatas and Interludes iniciou-se pela conceção de uma série de desenhos onde o artista explora diferentes tipos de abordagem gráfica, técnicas e materiais que evitam a noção convencional de desenho e da escrita que habitualmente são resultado do gesto.

A transposição sinestésica do visual para o sonoro assume-se como o ponto de partida conceptual que define o conjunto das obras apresentadas - desenhos e instalações -que compõem a exposição e, simultaneamente permitem afirmar que a exposição é toda ela resultado dum processo de composição. 

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14 dez 2017
17 fev 2018
Indexing Water
Irene Kopelman
Kunsthalle Lissabon

A Kunsthalle Lissabon apresenta Indexing Water, a primeira exposição individual em  Portugal de Irene Kopelman (Córdoba, Argentina, 1974, vive e trabalha em Amesterdão). A exposição está patente ao público de 14 de dezembro a 17 de fevereiro de 2018.  

“Há mais de um ano, quando o João Mourão e o Luís Silva me convidaram para desenvolver um projeto específico para a Kunsthalle Lissabon, pensei que era o momento e o contexto indicados para dar início a um processo de investigação sobre uma ideia que me acompanha já há imenso tempo: trabalhar com as cores da água.

Há alguns séculos, arte e ciência não eram campos separados, como os conhecemos hoje. Existiam imensos pontos de correlação e coexistência. Como agentes com uma prática no campo das artes estamos bastante familiarizados com os estudos de cor no campo da história da arte, mas os dicionários de cor foram também desenvolvidos no campo das ciências naturais como meios para descrever e comunicar a investigação científica. Em 1831, Charles Darwin levou consigo, abordo do HMS Beagle, um livro cujo nome era A Nomenclatura das Cores. Os cientistas usaram este e outros “dicionários de cor”, antecedentes dos atuais livros de pantones, como referência comum, ao descreverem a aparência dos seus objetos de estudo. Os dicionários de cor foram desenvolvidos para criar um vocabulário comum, nos diferentes pontos do globo, para a descrição das cores de tudo, de rochas e flores a estrelas, de pássaros a selos de correio.”

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14 dez 2017
17 fev 2018
Indexing Water
Irene Kopelman
Kunsthalle Lissabon

A Kunsthalle Lissabon apresenta Indexing Water, a primeira exposição individual em  Portugal de Irene Kopelman (Córdoba, Argentina, 1974, vive e trabalha em Amesterdão). A exposição está patente ao público de 14 de dezembro a 17 de fevereiro de 2018.  

“Há mais de um ano, quando o João Mourão e o Luís Silva me convidaram para desenvolver um projeto específico para a Kunsthalle Lissabon, pensei que era o momento e o contexto indicados para dar início a um processo de investigação sobre uma ideia que me acompanha já há imenso tempo: trabalhar com as cores da água.

Há alguns séculos, arte e ciência não eram campos separados, como os conhecemos hoje. Existiam imensos pontos de correlação e coexistência. Como agentes com uma prática no campo das artes estamos bastante familiarizados com os estudos de cor no campo da história da arte, mas os dicionários de cor foram também desenvolvidos no campo das ciências naturais como meios para descrever e comunicar a investigação científica. Em 1831, Charles Darwin levou consigo, abordo do HMS Beagle, um livro cujo nome era A Nomenclatura das Cores. Os cientistas usaram este e outros “dicionários de cor”, antecedentes dos atuais livros de pantones, como referência comum, ao descreverem a aparência dos seus objetos de estudo. Os dicionários de cor foram desenvolvidos para criar um vocabulário comum, nos diferentes pontos do globo, para a descrição das cores de tudo, de rochas e flores a estrelas, de pássaros a selos de correio.”

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11 nov 2017
14 jan 2018
Frauenzimmerstunde
Aglaia Konrad
Lumiar Cité

O termo Frauenzimmerstunde é uma típica construção alemã a partir de várias palavras: Frauen, Zimmer, Stunde, Frauenzimmer e Zimmerstunde. As primeiras três palavras significam “mulheres”, “sala” e “hora”, respetivamente. As duas últimas resultam de construções. Frauenzimmer é um termo que literalmente significa “sala de mulheres”. No século XV, foi usado em países escandinavos e germânicos para denominar os aposentos da rainha, incluindo os trabalhadores e os próprios quartos reais. A partir do século XVII, Frauenzimmer também foi utilizado para designar individualmente as mulheres e, após o movimento sufragista, durante a passagem para o século XX, tornou-se num termo pejorativo. Zimmerstunde é um antigo termo germano-austríaco utilizado para designar o horário em que a empregada de quarto de hotel poderia se retirar para o seu quarto no sótão. A primeira exposição individual de Aglaia Konrad em Portugal transforma o espaço do Lumiar Cité num Frauenzimmer, que dialoga com a história das intervenções arquitetónicas na galeria pelos seus colegas artistas, predominantemente masculinos. Frauenzimmer constitui o pano de fundo para o seu trabalho de fotografia que captura espaços modelados pelo homem - desde pedreiras até às intensidades urbanas de arquitetura e construções com a sua inerente materialidade, bem como noções de monumentalidade em disciplinas como a arquitetura ou a fotografia. Desenvolvendo um estilo idiossincrático que lhe permite desencadear, através da justaposição de imagens, subtis ressonâncias psicológicas, sociais e políticas, Konrad mina a formalidade na fotografia iconográfica de arquitetura. Coincidindo com a inauguração da exposição e em colaboração com a editora Roma Publications (Amesterdão), Aglaia Konrad lança o livro de artista SCHAUBUCH: Skulptur, que apresenta fotografias realizadas em museus europeus entre 2010 e 2017, com esculturas de diferentes épocas e contextos nas suas formas museológicas de apresentação.

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8 nov 2017
5 fev 2018
Bónus
Ana Jotta
MAAT – Museu de Arte Arquitectura e Tecnologia

Curadoria — Ana Anacleto

Com um percurso expositivo regular desde a década de 80 do século XX, Ana Jotta tem vindo a desenvolver um corpo de trabalho absolutamente singular com um manifesto reconhecimento no contexto nacional e, sobretudo na última década, também no contexto internacional. Carregada de uma acutilante ironia e amplamente crítica em relação a conceitos de autoria ou originalidade, extraordinariamente diversa e heteróclita na sua conceção, formulação ou apresentação, a sua obra encontra-se num território de liberdade, assentando no uso de suportes disciplinares tão diversos como a pintura, a colagem, a performance, o desenho, a assemblage, a fotografia, a instalação, a escultura, o som, o vídeo, o bordado, a gravura, a escrita ou a apropriação de objetos das mais diversas origens.

Na sequência da atribuição do Grande Prémio Fundação EDP em 2013, e sob o título Bónus, realiza-se agora uma exposição que parte de uma relação de entendimento entre a artista e o museu, no sentido deliberado de aproveitar a ocasião para alargar geograficamente a atividade do MAAT, levando-o para mais perto da comunidade. Instalando a exposição num espaço de características deliberadamente não-museológicas — numa das ruas de grande circulação e comércio da freguesia de Belém, a Rua do Embaixador — a exposição apresenta um conjunto de trabalhos recentes e inéditos, procurando estabelecer uma relação privilegiada com as particularidades arquitetónicas encontradas no local.

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Outras Exposições no MAAT

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8 nov 2017
5 fev 2018
Bónus
Ana Jotta
MAAT – Museu de Arte Arquitectura e Tecnologia

Curadoria — Ana Anacleto

Com um percurso expositivo regular desde a década de 80 do século XX, Ana Jotta tem vindo a desenvolver um corpo de trabalho absolutamente singular com um manifesto reconhecimento no contexto nacional e, sobretudo na última década, também no contexto internacional. Carregada de uma acutilante ironia e amplamente crítica em relação a conceitos de autoria ou originalidade, extraordinariamente diversa e heteróclita na sua conceção, formulação ou apresentação, a sua obra encontra-se num território de liberdade, assentando no uso de suportes disciplinares tão diversos como a pintura, a colagem, a performance, o desenho, a assemblage, a fotografia, a instalação, a escultura, o som, o vídeo, o bordado, a gravura, a escrita ou a apropriação de objetos das mais diversas origens.

Na sequência da atribuição do Grande Prémio Fundação EDP em 2013, e sob o título Bónus, realiza-se agora uma exposição que parte de uma relação de entendimento entre a artista e o museu, no sentido deliberado de aproveitar a ocasião para alargar geograficamente a atividade do MAAT, levando-o para mais perto da comunidade. Instalando a exposição num espaço de características deliberadamente não-museológicas — numa das ruas de grande circulação e comércio da freguesia de Belém, a Rua do Embaixador — a exposição apresenta um conjunto de trabalhos recentes e inéditos, procurando estabelecer uma relação privilegiada com as particularidades arquitetónicas encontradas no local.

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Outras Exposições no MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia

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20 out 2017
11 mar 2018
Género na Arte. Corpo, sexualidade, identidade, resistência
Género na Arte. Corpo sexualidade identidade resistência
MNAC - Museu do Chiado

Curadoria — Aida Rechena Teresa Furtado

Os museus não são lugares neutros. Pelo contrário,  procuram dar respostas a questões fundamentais para a sociedade. O Género enquanto dimensão identificadora dos indivíduos inclui-se nessas questões.

O Género é uma construção sociocultural da identidade imposta pelas normas sociais com o objetivo de transformar as pessoas em mulheres ou homens e que tem consequências reais nas suas vidas, nomeadamente no acesso à riqueza, ao prestígio e ao poder. Mas a construção destes papéis sociais é simultaneamente uma escolha pessoal que resulta num amplo leque fluido e plural de identidades de género, como a heterossexualidade, o lesbianismo, a homossexualidade, a transsexualidade, a intersexualidade, a bissexualidade, o transgenderismo, entre outras, tornando-se um ato de liberdade, diversidade e expressão individual.

O Género não é algo que as pessoas possuam, mas sim algo que se vai construindo a cada minuto, de forma contínua em todas as situações do quotidiano, em permanente interação com os outros, na forma como os indivíduos pensam, comunicam e atuam.

O corpo, a sexualidade, a identidade e resistência são as dimensões presentes na construção diária do Género que conduzem esta exposição. Procurando desfazer estereótipos relativamente à compreensão do Género, a exposição traz para o espaço museológico a reflexão e o debate sobre a dimensão de Género, a partir de um conjunto de obras de arte dos artistas portugueses Alice Geirinhas, Ana Pérez-Quiroga, Ana Vidigal, Carla Cruz, Cláudia Varejão, Gabriel Abrantes, Horácio Frutuoso, João Gabriel, João Galrão, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Maria Lusitano, Miguel Bonneville, Thomas Mendonça e Vasco Araújo.

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23 nov 2017
1 abr 2018
Prémio Sonae Media Art
MNAC - Museu do Chiado

O Prémio Sonae Media Art resulta de uma parceria entre a Sonae e o Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado e tem como objetivo promover a criatividade e a inovação, estimular novas tendências na produção artística e aproximar a sociedade à arte. Dirige-se a artistas nacionais e a estrangeiros residentes no País que utilizem meios digitais e eletrónicos, nas áreas de vídeo arte, projetos sonoros, projetos de exploração do virtual e da interatividade, bem como propostas de network, em que poderão estar incorporadas outras formas de arte como a performance, a dança, o cinema, o teatro ou a literatura.

Selecionados entre 123 candidatos, André Martins com a obra Memorial Feed, André Sier com Wolfanddotcom, Nuno Lacerda com Samarra, Rodrigo Gomes com Estivador de Imagens e Sofia Caetano com GOD são os finalistas desta segunda edição do Prémio Sonae Media Art.

Cinco obras que constituem experiências e questionamentos da arte no campo do vídeo interativo, da instalação multimédia, da imersão interativa, da simulação sensorial e auditiva, do feed online e da arte em computação gráfica.

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30 nov 2017
13 jan 2018
Toward the glacial regions
André Trindade e Benedikt Hipp
Monitor Lisbon

A MONITOR Lisbon apresenta Toward the glacial regions (Em direcção às regiões glaciares), uma exposição dupla de Benedikt Hipp (Munique, 1977) e André Trindade (Lisboa, 1981).

A exposição conta com um diálogo entre as obras individuais de cada artista.Toward the glacial regions apresenta-se como uma jornada dialógica entre a prática de Benedikt Hipp e André Trindade. A exposição apresenta dois corpos de trabalho muito diferentes que convergem num contexto de mapas de referência pós-humanísticos e transcendentais, que se realizam numa atmosfera de alquimia, mutação, transformação e processo. Ambas as práticas artísticas navegam por rituais de persistência e dedicação, levando a obras que florescem em refinamento e exaustão.

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19 jan 2018
3 mar 2018
Land and Purpose
Sérgio Carronha
Monitor Lisbon

A MONITOR Lisbon apresenta Land and Purpose, uma apresentação individual do artista português Sérgio Carronha (Cascais, 1984). A exposição contará com novas peças produzidas especialmente para a galeria.

O artista trabalha principalmente com materiais da terra - alguns mais permanentes e outros mais perenes - e está atualmente baseado no Alentejo, onde ele desenvolve um projeto de longo prazo num terreno campestre; onde habita, coleta materiais e produz as suas obras, sendo a terra uma obra de arte em si.

Esta exposição é produzida após uma profunda análise e compreensão do clima, topografia da terra, composição e biosfera, procurando complementar e aprimorar o que já existe. Com essa experiência, o artista apresenta uma série de trabalhos que são produzidos in situ e que refletem as suas preocupações.

Na MONITOR, ele desenvolve uma narrativa específica que toma partido da topografia da galeria. No primeiro andar, ele procura explorar o que se encontra acima do solo, exposto, descoberto - seco pelo sol. Uma grande pintura mural destaca-se na sala, usando uma técnica simples, porém incomum, na qual que os pigmentos minerais naturais são simplesmente dissolvidos e aplicados diretamente na parede. O uso de diferentes argilas, de uma maneira riscada, assemelha-se à acumulação intemporal de matéria, resultando nos estratos visíveis em rochas sedimentares, ou, de alguma forma, um movimento exploratório em direção ao quente núcleo terrestre. À direita, uma placa de xisto semelhante com um artefacto, com gravuras delicadas, apresenta a topografia da terra onde o artista habita. Estas gravuras são preenchidas com a resina produzida pela ameixoeira e pigmento mineral natural, demonstrando o interesse do artista por técnicas antigas.

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9 fev 2018
21 abr 2018
Ver não é tão importante como sentir
Maria Lassnig
Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva

Inauguração 9 fev 2018 18h

A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em colaboração com a Fundação Maria Lassnig, de Viena, apresenta cerca de cinquenta dos mais evocativos desenhos e aguarelas de Maria Lassnig. Esta mostra lança uma luz renovada sobre a artista austríaca e o seu conceito de “consciência do corpo” e oferece novas perspectivas sobre a sua variada obra. A presente selecção de peças teve por base a exposição organizada pelo Museu Albertina, de Viena, em colaboração com o Museu de Belas Artes de Basileia. 

Maria Lassnig (1919–2014, Áustria) conta-se entre os mais proeminentes e importantes artistas do passado recente. As imagens que criou baseiam-se na sua própria percepção, sentimentos profundos e sensações físicas. Ao longo da sua notável carreira, criou uma obra substancial nos campos da pintura e artes gráficas, em paralelo com incursões no cinema (de animação) e na escultura.

Fundamental no trabalho de Maria Lassnig é o conceito de “consciência  do corpo”: ao descobrir, de forma introspectiva, a verdadeira natureza da sua condição, passa a exprimir as sensações físicas através dos meios artísticos. Numerosos auto-retratos ilustram o tipo de auto-análise praticado por esta artista de grande sensibilidade. Lassnig deixou a sua marca em várias inovações artísticas, sendo considerada uma das fundadoras da Arte Informal na Áustria e uma pioneira da emancipação feminina num mundo artístico dominado por homens. A sua obra visionária exerceu grande influência nas gerações artísticas seguintes.

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18 out 2017
28 jan 2018
Meus Pequenos Amores
Sharon Lockhart
Museu Coleção Berardo

Curadoria — Pedro Lapa

Desde 1990 que Sharon Lockhart se tem dedicado a uma observação atenta da vida quotidiana dos seus protagonistas de forma a realizar filmes, fotografias e instalações, que revelam qualidades humanas únicas através de composições estudadas e coreografadas. A frontalidade com que as mais simples ações de um determinado campo cultural ou comunidade são enquadradas, dão lugar à exposição de quadros vivos, que sintetizam aspetos particulares da vida e manifestam a oscilação entre uma determinante cultural e um comportamento específico que aí se inscreve.

Para esta exposição, que se articula com a apresentação do filme Rudzienko, no festival Doclisboa’17, foi selecionado um conjunto significativo de obras com ele relacionadas. O envolvimento de Sharon Lockhart com as condições da infância, sugerido pelo filme, serve de ponto de partida para esta exposição, que inclui instalações dos filmes Podwórka, e Antoine/Milena, bem como um conjunto de trabalhos realizados em colaboração com Milena, uma rapariga que lhe apresentou o Centro de Socioterapia Juvenil de Rudzienko, na Polónia. Esta seleção de trabalhos, ao percorrer dez anos da produção artística de Lockhart, aborda questões associadas aos direitos das crianças, à efemeridade e à autoconfiança.

Coprodução: Doclisboa’17 - Festival Internacional de Cinema

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18 out 2017
28 jan 2018
Meus Pequenos Amores
Sharon Lockhart
Museu Coleção Berardo

Curadoria — Pedro Lapa

Desde 1990 que Sharon Lockhart se tem dedicado a uma observação atenta da vida quotidiana dos seus protagonistas de forma a realizar filmes, fotografias e instalações, que revelam qualidades humanas únicas através de composições estudadas e coreografadas. A frontalidade com que as mais simples ações de um determinado campo cultural ou comunidade são enquadradas, dão lugar à exposição de quadros vivos, que sintetizam aspetos particulares da vida e manifestam a oscilação entre uma determinante cultural e um comportamento específico que aí se inscreve.

Para esta exposição, que se articula com a apresentação do filme Rudzienko, no festival Doclisboa’17, foi selecionado um conjunto significativo de obras com ele relacionadas. O envolvimento de Sharon Lockhart com as condições da infância, sugerido pelo filme, serve de ponto de partida para esta exposição, que inclui instalações dos filmes Podwórka, e Antoine/Milena, bem como um conjunto de trabalhos realizados em colaboração com Milena, uma rapariga que lhe apresentou o Centro de Socioterapia Juvenil de Rudzienko, na Polónia. Esta seleção de trabalhos, ao percorrer dez anos da produção artística de Lockhart, aborda questões associadas aos direitos das crianças, à efemeridade e à autoconfiança.

Coprodução: Doclisboa’17 - Festival Internacional de Cinema

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1 nov 2017
18 fev 2018
Incerteza Viva: uma exposição a partir da 32ª Bienal de São Paulo
Museu de Arte Contemporânea de Serralves

32ª Bienal de São Paulo realizou-se entre setembro e dezembro de 2016 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, em São Paulo, no Brasil, e reuniu aproximadamente 90 artistas e coletivos, entre eles os portugueses Gabriel Abrantes, Lourdes Castro, Priscila  Fernandes, Carla Filipe e Grada Kilomba. 

Com projetos de 14 artistas e coletivos, a exposição é uma realização da Fundação Bienal de São Paulo em colaboração com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Organizada tendo em vista um entendimento comum sobre a importância das relações entre Brasil e Portugal no plano artístico, a iniciativa procura ampliar o impacto e a abrangência da Bienal e evidencia o compromisso de ambas as instituições com a difusão da arte contemporânea a nível global.  

A 32ª Bienal de São Paulo foi comissariada por Jochen Volz, juntamente com os co-curadores Gabi Ngcobo, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoag. Em Serralves, a exposição resulta de um diálogo entre Jochen Volz e o diretor adjunto do Museu de Serralves, João Ribas, e foi reconfigurada de acordo com o contexto único do Parque e do Museu. As obras apresentadas – pinturas e esculturas, vídeos e instalações – condensam os principais conceitos da exposição que se realizou no Brasil, nomeadamente uma reflexão sobre as atuais condições de vida e as estratégias presentes na arte contemporânea para acolher ou habitar a incerteza.

Para a apresentação no Parque de Serralves foram encomendados cinco pavilhões a ateliês de jovens arquitetos do Porto (depA, Diogo Aguiar Studio, Fahr, fala atelier e Ottotto). Estas estruturas, distribuídas por vários locais do Parque, vão apresentar obras de Gabriel Abrantes, Jeremy Deller / Cecilia Bengolea, Priscila Fernandes, Barbara Wagner / Benjamim de Burca e Jonathas de Andrade. Ainda no Parque, Carla Filipe irá apresentar uma obra construída a partir da recolha de plantas comestíveis não-convencionais (PANCS), Alicia Barney mostrará o Vale de Alicia e estará também patente uma obra sonora de Öyvind Fahlström. No Museu, serão mostradas obras de Lais Myrrha, Lourdes Castro, Vídeo nas Aldeias, Leon Hirszman, Grada Kilomba e uma instalação de Sonia Andrade na Galeria Contemporânea.

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Outras exposições patentes no Museu de Arte Contemporânea de Serralves:

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19 jan 2018
22 abr 2018
The Sky is a Great Space
Marisa Merz
Museu de Arte Contemporânea de Serralves

Curadoria — Connie Butler Ian Alteveer

Inauguração 19 jan 2018 22h

Em janeiro de 2018, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresentará "The Sky is a Great Space”, uma exposição retrospetiva da pintora e escultora italiana Marisa Merz (1926, Turim, Itália). Organizada pelo Hammer Museum, Los Angeles, e pelo The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, a mostra vai agora ser apresentada na Europa em colaboração com o Museu de Serralves e o Museum der Moderne Salzburg, Áustria.

A exposição, desenvolvida em colaboração com a Fondazione Merz, em Itália, reúne cinco décadas de obras da artista e inclui as primeiras experiências de Merz no contexto da Arte Povera com materiais e processos não tradicionais; as cabeças e rostos enigmáticos que criou nas décadas de 1980 e 1990; e as instalações que conciliam a intimidade com uma escala impressionante.

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Outras exposições no Museu de Arte Moderna de Serralves

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8 fev 2018
13 mai 2018
No tempo todo
Álvaro Lapa
Museu de Arte Contemporânea de Serralves

Curadoria — Miguel von Hafe Pérez.

Inauguração 8 fev 2018 22h

A exposição Álvaro Lapa: No tempo todo é a mais abrangente retrospetiva da obra deste artista (Évora, 1939 — Porto, 2006) alguma vez realizada. Artista autodidata e escritor, a sua formação académica concretiza-se por via da filosofia: é na qualidade de professor de Estética na Faculdade de Belas Artes do Porto que a partir de 1976 e durante mais de duas décadas vai deixar uma marca indelével em gerações consecutivas de artistas. 

A exposição em Serralves junta obras de importantes museus e de coleções institucionais e privadas, incluindo coleções pertencentes a artistas, arquitetos e escritores que definiram, também eles, a paisagem artística e intelectual em Portugal na segunda metade do século XX. Pela primeira vez estarão reunidas mais de 290 obras de vários períodos da carreira de Álvaro Lapa, abrangendo pintura, desenho e os raros objetos que criou, numa exposição que evidencia o extraordinário contributo do artista para a arte contemporânea. 

Álvaro Lapa é uma das figuras mais enigmáticas da arte portuguesa do século XX, com um corpo de trabalho tão relevante e visualmente atrativo quanto elusivo. Ao longo de quatro décadas, Lapa desenvolveu uma exploração sustentada do território da pintura enquanto texto e da imagem enquanto pensamento.

A obra do artista estrutura-se em grande medida em torno dos géneros da paisagem e do retrato, e frequentemente nos espaços entre eles. O léxico visual de Lapa consiste em séries narrativas que incluem a palavra escrita, fragmentos de linguagem e trechos de conversas, bem como elementos pictóricos e autorretratos abstratizantes. Os seus "Campésticos” — um neologismo inventado pelo artista que combina as palavras ‘campo’ e ‘doméstico’ — aliam o espaço doméstico à horizontalidade da paisagem. O trabalho de Lapa é também marcado por uma intensa e prolongada relação com a literatura, refletida na sua série de pinturas intitulada "Cadernos”, dedicada a figuras literárias como Homero e Rimbaud. 

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12 nov 2017
7 jan 2018
Potência e Adversidade - arte da América Latina nas coleções em Portugal
Pavilhão Branco - Museu da Cidade

A exposição apresenta uma seleção de cerca de 40 artistas e mais de 80 obras pertencentes a coleções públicas e privadas em Portugal, e tem como objetivo identificar alguns nexos históricos que ainda passam à margem das narrativas institucionalizadas sobre a produção artística da América Latina.
De forma a contornar a fragmentação intrínseca às diversas coleções existentes em Portugal, a exposição opta por um ângulo histórico circunscrito – a produção artística dos anos 1970 até hoje –, e percorre produções artísticas especialmente importantes para entender a vitalidade e originalidade artística de países tão diversos quanto a Argentina, Brasil, Cuba, Espanha, México, Portugal, Chile, Venezuela, Alemanha ou Colômbia.

Se por um lado se assume que a identidade, em particular para os artistas da América Latina, é uma condição problemática e instável, por outro, a exposição procura “performar” narrativas culturais, vetores políticos e matrizes económicas, que possam contrapor-se à ideia de preponderância dos cânones “ocidentais”.

Tendo por ponto de partida os anos “quentes” de lutas sociais, contra as ditaduras e a repressão no mundo, a exposição observa a década de 1970, marcada por uma produção cultural inédita, engajada em romper os lugares-comuns habitualmente associados à América Latina e em que se reivindica o fim das estruturas de violação do Estado, e se estabelecem conexões entre a produção artística e a formação política e ideológica, num misto de radicalidade e marginalidade. Intensificam-se, ainda nesta década, os trânsitos de artistas e intelectuais, muitas vezes relacionados ao exílio, e ampliam-se os espaços de contaminação, o que origina um cenário de efetiva flexibilização intercultural que faz despontar problemáticas “pós-modernas” e “pós-coloniais”, em debate hoje.

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17 fev 2018
17 fev 2018
Metabolic Rifts
Rivoli Teatro Municipal do Porto

Curadoria — Sofia Lemos Alexandra Balona

Inauguração 17 fev 2018 14h

Metabolic Rifts é uma série de eventos organizados por PROSPECTIONS for Art, Education and Knowledge Production, uma assembleia peripatética de investigação em artes visuais e performativas, mobilizada por Alexandra Balona e Sofia Lemos. Ao investigar as ruturas do metabolismo nos sistemas da Terra, ancoradas em torno da lógica da acumulação capitalista e do modo como o raciocínio neoliberal corrompe as suas operações básicas de renovação, a assembleia encoraja abordagens transversais a fenómenos planetários. Posicionamentos modernos e contemporâneos inscrevem o sujeito num presente fracturado de gestão financeira e desordem climática à escala planetária — desde as suas raízes “iluministas” até futuras rotas de extinção. Na atual era global, as narrativas soberanas, a identidade nacional e a produção curatorial perpetuam relações insustentáveis que condicionam intenções e afectações, reificando simultaneamente a distinção entre sujeitos e objetos. Quais as cesuras e contradições óbvias que operam nestes limites narrativos? De que forma se podem abordar urgências contemporâneas e protocolos de representação cujo predicado é indiscernível? 

Na segunda assembleia Metabolic Rifts interrogamos morfologias do conhecimento, sistemas de colonização epistémica e de governança capitalista, bem como as presentes condições de delimitação política e corporativa que condicionam práticas curatoriais contemporâneas. Muito embora os projetos curatoriais possam produzir grandes narrativas ao serviço de agendas políticas inequívocas, estes têm também a potencialidade de descompactar as complexidades intrínsecas às próprias formas narrativas. Nesta assembleia, propomos projetos que vão além do contexto ou a ilustração e, por sua vez, investigam uma noção da curadoria produtora e implicada na descolonização do conhecimento.

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15 dez 2017
20 jan 2018
quando alguém morria perguntavam apenas: tinha paixão?
Sismógrafo

Curadoria — Óscar Faria

Dois versos de um poema de Herberto Helder, publicado pela primeira vez em "A Faca não Corta o Fogo: súmula & inédita, constituem o ponto de partida deste projecto composto por uma exposição e um livro. Trata-se, esta, da tentativa de responder a uma pergunta, tal como era supostamente formulada na antiga Grécia, quando a paixão ainda era “pathos”, ou seja, possuía diferentes acepções – por exemplo, no Timeu, Platão enumera cinco paixões principais: prazer, tristeza, ousadia, medo e esperança. Não se sabe se, para escrever o seu poema, Herberto Helder se terá aproprido de uma fala do filme “Feliz acaso” (“Serendipity”, 2001), quando Dean Kansky, protagonizado por Jeremy Piven, diz: “You know the Greeks didn't write obituaries. They only asked one question after a man died: «Did he have passion?»”. Esta é, contudo, uma pergunta que nos toca a todos, sobretudo quando ela tem a relevância de uma síntese: através dela resume-se toda uma vida. A dos outros, a nossa. Nas linhas seguintes do texto, Herberto Helder diz-nos: “quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:/ se tinha paixão pelas coisas gerais,/ água,/ música,/ pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,/ pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,/ paixão pela paixão,/ tinha?”. A poesia como salvação, ou como faz dizer Dostoievski, pela boca do príncipe Michkine, em “O Idiota”: a beleza salvará o mundo.

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3 fev 2018
3 mar 2018
c for heads / h para cabeças
Jorge Queiroz
Sismógrafo

Curadoria — Óscar Faria

Inauguração 3 fev 2018 16h

Dez anos depois da sua última exposição individual no Porto (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, 2007), Jorge Queiroz apresenta uma série de desenhos e pinturas de diferentes períodos, sob o título c for heads/ h para cabeças. A mostra centra-se num conjunto de trabalhos que procuram revelar o universo fantástico, onírico, de um artista que desafia permanentemente os géneros e os tempos históricos da arte. É justo poder dizer-se que esta é uma obra inclassificável: parece estar sempre a escapar à interpretação, contudo, na sua presença somos sempre tentados a decifrar o enigma proposto. Há alguém que tenha a solução? 

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1 dez 2017
6 jan 2018
Meeting With a Double Agent
Beatriz Olabarrieta
Syntax Projects

Beatriz Olabarrieta constrói instalações que parecem colagens, em que objectos feitos de luz e materiais dúcteis são combinados com desenhos e som, realizadas em colaboração com outros. A exposição Meeting With a Double Agent questiona a “sensibilidade” específica de certas histórias e conflitos e torna clara a forma como podemos evocá-los, a sua encarnação física em lugares carregados de história, na sua persistência, resistência, mas também a sua sensibilidade e a sua capacidade de resposta. O que a artista produz é um duplo espectral de algo do mundo real, como se percepcionasse o mundo de uma perspectiva diferente da dominante, do lugar e do espaço do outro. A exposição é um lugar que serve para observar atentamente as perspectivas oblíquas entre a posição da artista e a de outras figuras. É em especial nos elementos de som e luz, na fronteira entre os domínios individual e doméstico, entre o visível e o invisível, que o todo o projecto converge. É na exposição que estes corpos se movem, num projecto que reúne diversos objectos e práticas de
questionamento. - Veronica Valentini

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14 out 2017
6 jan 2018
Ausência
Joël Andrianomearisoa
Uma Lulik

Para a exposição de abertura da UMA LULIK__ Contemporary Art, Joël Andrianomearisoa apresenta a exposição individual Ausência, uma viagem através do limiar entre a vida e a morte, a presença e a ausência.

A exposição está dividida em duas partes, Ausência e Dead Tree of My New Life. Na primeira parte, o artista apresenta 28 novas peças feitas de vários tecidos encontrados em Antananarivo (Madagáscar) ritualmente cosidos e dispostos em camadas, numa transposição para o têxtil da sua série anterior em papel de seda, The Labyrinth of Passions. Esmagadora, a instalação satura o espaço e obriga o visitante a entrar nos seus jogos de amor impossível e carícias têxteis, sem mais frustração que a de um corpo inacessível.

Das profundidades abissais da morte à luz inebriante de uma nova vida, o artista questiona-se sobre o que existe no tempo e no espaço entre estes dois extremos, quando a presença do corpo conduz à criação de algo novo, uma nova essência que aparece algures, numa renascença que ocorre quando viajamos através do mistério. Será a destruição parte da criação? Será que um corpo novo requer o consumo e o desaparecimento de outro? Nesta viagem, a superfície faz-se nas mornas texturas de uma condição, num lugar de contradições.

Em Madagáscar, o cadáver de uma pessoa é embrulhado em várias camadas de tecido, representando a elevação do seu estatuto durante a vida: quanto mais camadas de tecido, mais estatuto tinha a pessoa. Esta ideia de tecidos sobrepostos é representada nestes trabalhos têxteis que Andrianomearisoa criou especificamente para esta exposição.

A segunda parte da exposição, Dead Tree of My New Life, fala sobre a renascença, a vida nova criada após a ausência do corpo. A maior parte da instalação é composta por esculturas em papel de seda produzidas em moldes feitos a partir de ramos e troncos de madeira encontrados. Estas carcaças estão vazias: o objeto sublime é ignorado, desprezado ou desconsiderado. A transição é completa e o sujeito obscurecido manifesta-se apenas como fissura, um espelho quebrado que não permite a representação; uma memória distante grita no escuro. Para Andrianomearisoa, os monocromos a preto e branco não são um fim em si, mas sim um monólogo e diário de histórias pessoais bem costuradas, por palavras e gestos, em conjuntos compactos; a universalidade dos sentimentos.

Excerto do texto redigido após uma conversa entre Joël Andrianomearisoa e Jal Hamad (Sabrina Amrani Gallery), no âmbito da exposição Ausência patente na UMA LULIK.

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20 jan 2018
10 mar 2018
My iPhone fell inside my left warm shoe
Charbel-joseph H. Boutro
Uma Lulik

Inauguração 19 jan 2018 22h

Nesta exposição, o tema da invisibilidade é influenciado por uma política do sono. Numa economia de mercado, os que dormem são invisíveis, uma vez que não contribuem para a economia com o seu consumo ou trabalho. Na série Night Cartography, o artista verteu cera sobre máscaras de repouso usadas por ele à noite. A cera foi derretida de ex-votos roubados a uma igreja nas montanhas do Líbano. Os sonhos e os desejos pertencem à mesma ordem pessoal e imaterial do desejo. Eles invocam o numinoso, uma qualidade espiritual que, de acordo com Maurice Merleau-Ponty, «nasce e vive no espaço secreto da imagem». O sono não é um recetáculo para sonhos privados, mas sim o material escultural que dá forma ao impercetível.

A obra Light in White Light/Night Cartography dá a ver uma tabela desenhada representando as horas de um determinado dia; um disco pulverizado de preto carvão obscurece o centro do papel, inscrito com o período do repouso noturno. Somos convidados a considerar a duração do período inconsciente do artista, não os seus conteúdos privados. Talvez o artista esteja, nas palavras de W.G. Sebald «a contabilizar coisas», já que "a memória não é mais do que uma citação… incorporada num texto ou numa imagem… [e] compele-nos… a sondar… o nosso… conhecimento do mundo. Por sua vez, isto leva tempo. Gastando-o, entramos no tempo da narração, no tempo da cultura."

A ideia de devir perpétuo é abordada em Removed Stone, onde podemos ver uma pedra retirada do chão de uma floresta no Líbano exibida ao lado de um texto que descreve como o objeto, uma vez retirado da exposição, terá de ser devolvido ao sítio exato de onde foi extraído. O trabalho anuncia uma demanda realizada pelo artista, uma ação que funde a geografia da exposição com o ambiente silvano. Além disso, "contrariamente à ideia que comummente temos dela, como símbolo de longevidade e de impassibilidade, a pedra, que nunca renasce, é de facto a única coisa na natureza que está sempre a morrer."

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